IBGE realiza seminário e lança publicação no Piauí

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançará, nos dias 28 e 29 de setembro, no Piauí, a 31ª edição do Brasil em Números

O lançamento da publicação será precedido do Seminário Brasil em Números, a ser realizado no auditório da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf), em São Raimundo Nonato.

O projeto Brasil em Números é uma publicação anual, rica em informações e análises de diversas áreas e aspectos da realidade brasileira.

No livro são abordados temas como mercado de trabalho, habitação, saúde, meio ambiente, finanças públicas e participação política, entre outros.

A edição de 2023 conta com a participação de 12 professores, entre mestres e doutores da Universidade Federal do Piauí – UFPI.

Publicado continuamente desde 1992, o Brasil em Números tem seus exemplares estão disponíveis ao público na versão online, no formato de e-book, em português e inglês, o que amplia ainda mais a abrangência do projeto.

Museu da Natureza

Este ano, a obra homenageia o Museu da Natureza. Localizado na Serra da Capivara, no município de Coronel José Dias.

O Museu é mais um projeto fundamentado nas pesquisas da arqueóloga Niède Guidon. 

A obra foi desenvolvida pela Fundação do Museu do Homem Americano (Fumdham) e possui a curadoria de Marcello Dantas.

Inaugurado em dezembro de 2018, é dirigido pela professora Rosa Trakalo.

(Com informações do IBGE)

Museu da Natureza/Imagem: André Pessoa/Uol

Celso Barros Coelho, um mestre

Reginaldo Miranda (*)

Quando nasceu Celso Barros Coelho, em 11 de maio de 1922, o Brasil vivia o agitado clima político da disputa eleitoral pela presidência da República. Disputavam o comando da Nação Artur Bernardes, ex-governador de Minas Gerais e Nilo Peçanha, ex-governador do Rio e ex-presidente da República. O primeiro foi apoiado pelas oligarquias de São Paulo e Minas, seguindo a rígida cartilha da política café com leite. A ele, atribuíram-se cartas falsas que atacavam o marechal e ex-presidente da República Hermes da Fonseca, fato que desgastou seu relacionamento com os militares. O segundo possuía o apoio das oligarquias do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Bahia, cuja candidatura, lançada pelo movimento denominado “Reação Republicana”, procurou conquistar o voto das classes médias urbanas.

Eleito, Bernardes enfrentou forte oposição dos militares. Teve de governar em constante estado de sítio, cuja situação agravou-se com o fechamento do Clube Militar e a prisão de Hermes da Fonseca. O governo enfrentou problemas sucessórios em diversos estados, sendo gravíssima a situação no Maranhão, onde foi deposto o governador Raul Machado, em 25 de fevereiro daquele ano. O clima de discórdia e contestação dentro do Exército, culminou com a “Revolta dos 18 do Forte de Copacabana”, em 5 de julho do mesmo ano, visando impedir a posse do presidente eleito. Os revoltosos foram atacados pelos legalistas escapando com vida apenas os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes. No Rio Grande do Sul, em 1923, dois candidatos declararam-se eleitos; reconheceu-se como governador Borges de Medeiros, depois de acirrada guerra civil. O clima de insatisfação desembocou no movimento tenentista de 1924, cujo desfecho no ano seguinte, foi a formação da Coluna Prestes, com a célebre marcha que varou o país, inclusive os sertões do Piauí e Maranhão. Reivindicavam voto secreto, liberdade de imprensa, independência do Judiciário e ampliação do poder do Estado.  Por fim, veio a “Revolução de 30” e as reformas que criaram a Justiça do Trabalho e a Justiça Eleitoral, com as leis trabalhistas, o Código Eleitoral e a extensão de voto às mulheres.

No campo cultural, manifestações artístico-culturais realizadas no Teatro Municipal de São Paulo, entre 13 a 18 de fevereiro de 1922, denominadas Semana de Arte Moderna, lançaram definitivamente o Modernismo no Brasil, cuja essência já se desenhava nas artes plásticas na década anterior. Rompia-se com as escolas realista, parnasiana e romântica. Esse movimento favoreceu o aparecimento do romance moderno, inclusive de caráter regionalista mostrando nosso sertão como nunca antes. No Piauí, criara-se, cinco anos antes, a Academia Piauiense de Letras, em 1917; nessa ambiência, surgia também a Faculdade de Direito, em 1931, e a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, em 1932.

Nesse ambiente político e cultural, Celso Barros Coelho viu a luz do sol pela primeira vez, na pequena e antiga vila de Pastos Bons, Sudeste do Maranhão. Era filho de Francisco Coelho de Sousa e Alcina Barros Coelho, tendo perdido o genitor ainda na meninice.

Iniciou as primeiras letras na terra natal, sob orientação da tia Maria de Lourdes Coelho, que o alfabetizou. Em 1931, frequentou as aulas da professora Heloísa de Gusmão Castelo Branco, que ali chegou oriunda de São Luís, provocando profunda impressão naquele “menino humilde e sonhador, nos seus nove anos”[2] de idade. No ano seguinte, frequentou as aulas da Escola Pessoa, na cidade de Picos, hoje Colinas, no Maranhão, de onde mudou-se para a cidade de Benedito Leite.

Não demorou, porém, a passar ao Piauí, primeiro para a vizinha cidade de Uruçuí, encostada no rio Parnaíba, onde em companhia de parentes prosseguiu nos estudos. Em 1938, mudou-se para a cidade de Teresina, dando vazão à sede de conhecimento que invadia sua alma e ao consequente aprimoramento intelectual. Matriculou-se no Seminário Menor, onde cursou o ensino ginasial, concluindo-o no Liceu Piauiense, em 1945. Cursaria o clássico no Colégio Diocesano São Francisco de Sales. Essa fase no Seminário foi importante para imiscuir-se na língua latina e no estudo dos clássicos. Desde então, passou a ler com certo método os principais autores de língua portuguesa, sem esquecer Camões e as traduções de Cervantes e Shakespeare, assim como importantes obras de Filosofia e os grandes pensadores do Brasil.

Com vocação para os estudos jurídicos, ingressou em 1949, na Faculdade de Direito do Piauí, alcançando o grau de bacharel no final de 1952, com pouco mais de 30 anos de idade. Em pouco tempo, por via de concurso público, emprega-se no cargo de procurador autárquico do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), hoje Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), no qual alcançou a aposentadoria. Desde então, inscreve-se na OAB, iniciando sua longa carreira de advogado. Porém, também seria aprovado em concursos públicos para os cargos de Juiz de Direito, Promotor de Justiça e Auditor Federal, os quais não chegou a assumir.

Desde 1945, para manter-se nos estudos, ingressou no magistério como professor do Colégio “Demóstenes Avelino”, levado pelo jovem mestre Amandino Teixeira Nunes, que ali lecionava. Naquele ano, também ali ingressou, como professor de Português, o professor M. Paulo Nunes, seu contemporâneo no Colégio Diocesano, fortalecendo uma amizade que durou por toda a vida. Naquela escola de ensino secundário, Celso Barros Coelho não demorou a enamorar-se da jovem Maria de Lourdes Freitas, filha do diretor-proprietário Felismino de Freitas Weser, com quem contraiu matrimônio, gerando três filhos, hoje todos bem situados na vida profissional[3]. Permanecendo no magistério, em 1958, vai lecionar a disciplina de Latim na Escola Normal “Antonino Freire”, vencendo o certame com a tese Da poesia latina na época de Augusto. Nesse tempo, assume as cátedras de Literatura Latina e Literatura Portuguesa na recém-fundada Faculdade de Filosofia do Piauí.

Em 1967, depois de lograr êxito em concurso público, assume a cátedra de Direito Civil da Faculdade de Direito do Piauí, a mesma em que se formara, depois integrada à Universidade Federal do Piauí (UFPI), onde alcançou a aposentadoria compulsória em maio de 1992. Foi admitido por alguns anos como professor visitante na Universidade de Brasília (UnB); ali, ministrando a disciplina Direito Civil. Lecionou também nos cursos de Pós-Graduação da Escola de Magistratura do Estado do Piauí (ESMEPI) e Escola de Advocacia do Piauí (ESAPI), em cujas oportunidades fomos seu aluno. O Prof. Celso Barros fez nome no magistério piauiense, sobretudo no ensino jurídico, pela profundidade e segurança com que explanava as grandes teses jurídicas. Para ele, “o Direito Civil assume a primazia entre os demais ramos do Direito, por ser o mais ligado à pessoa humana, na sua individualidade e personalidade”[4]. Costumava ensinar que os advogados em início da carreira profissional devem seguir o exemplo dos mais velhos e experientes, entregando-se à leitura permanente para compreenderem o Direito e a grande responsabilidade que assumem perante a sociedade e os interesses populares[5].

Mesmo exercendo o magistério com paixão e entusiasmo, outra grande vocação foi a advocacia, em cuja atividade permaneceu em pleno exercício até à atualidade, por 70 anos. Civilista de largos recursos, ético e seguro, constitui-se num símbolo autêntico da advocacia piauiense, uma referência para todos nós. Nos anos de chumbo da ditadura militar, embora com seus direitos políticos injustamente cassados, presidiu a seccional piauiense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PI) pelo período de onze anos, com pequenos interregnos, entre 1963 a 1974[6], transformando-a em trincheira da resistência democrática em terra mafrensina.

O senso de justiça, a intransigente luta pela liberdade e pela redenção dos povos, ele canalizou para a atividade política, outra de suas grandes vocações, militando com destaque no Partido Democrático Cristão (PDC), no Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e em seu sucedâneo, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), em cuja legenda ainda permanece, tendo se afastado em breve interregno, por divergir de algumas ações então praticadas. Orador brilhante, de inteligência privilegiada, com exuberante cultura jurídica e humanística, Celso Barros empolgou as multidões em grandes comícios populares, sendo sempre bem votado na Capital e nas principais cidades do Piauí. Elegeu-se deputado estadual em 1962 e deputado federal em duas legislaturas (1975 – 1979 e 1983 – 1987). Na Câmara Federal, sua atuação foi das mais significativas e marcantes, participando ativamente dos grandes debates de interesse da nação. Estando então em evidência a elaboração de um novo Código Civil, o jurista e deputado Celso Barros foi convidado para relatar a parte concernente ao Direito das Sucessões, no que se houve com distinção.

Com a criação do Estado do Tocantins na Constituinte de 1988, foi convidado pelo novo governador Siqueira Campos, para ajudá-lo a implantar a nova unidade federativa, em cuja tarefa trabalhou assiduamente, responsabilizando-se pela elaboração do anteprojeto das principais leis.

Intelectual irrequieto, portador de vasta cultura, apreendida em longas horas de estudo, Celso Barros Coelho é autor de mais de uma dezena de livros, nos quais mostra a força de sua inteligência e a vastidão de seu conhecimento jurídico, entre os quais: Imunidades parlamentares (1964), O direito como razão e como história (1977), Jurisprudência como norma jurídica (1982), Confronto de ideais (1997), Darcy Ribeiro – educador e antropólogo (1997), Apelo aos valores (2003) e Perfis paralelos – juristas (2016), além de colaborador de dezoito verbetes na Enciclopédia Saraiva de Direito.

Para essas notas, vamos destacar Perfis paralelos. Nele, o intelectual estuda em quinze ensaios a vida, a obra, o pensamento, as ideias, a formação intelectual e a ideologia de importantes juristas de nossa pátria, enfocando a contribuição que deram à ciência do Direito. Talvez, essa obra seja inspirada nas Figuras do Direito, de San Tiago Dantas, a quem enaltece as características de civilista, político e humanista preocupado com a educação jurídica nacional. Enfoca em San Tiago Dantas, a preocupação com “a verdadeira formação jurídica, aquela que formará juristas para as tarefas da vida social”, “colocando o estudante não em face de um corpo de normas, de que se levanta uma classificação sistemática, como outra história natural, mas em face de controvérsias, de conflitos de interesses em busca de solução”. Acrescenta à sua leitura: “Só desse modo a educação jurídica poderá conceituar com clareza o seu fim, que é formar o raciocínio jurídico e guiar o seu emprego na solução de controvérsias”. Finalizando, afirma San Tiago no recorte de Barros: “O estudo das normas e instituições constituem segundo objetivo, absorvido no primeiro, e revelado ao longo do exame e discussão dos problemas”. Portanto, nesses estudos jurídicos Celso Barros Coelho vai buscar em seus biografados características que também realçam seu pensamento como professor e pensador da ciência jurídica com larga folha de serviços prestados à vida pública nacional.

Seus ensaios não são mero ajuntamento de datas e fatos, ao contrário, constituem-se oportunidade para acompanhar a formação intelectual e o legado de juristas do porte de Rui Barbosa, Paulo Bonavides, Francisco Amaral, Caio Mário da Silva Pereira, Washington de Barros Monteiro, Orlando Gomes, Coelho Rodrigues, Sousa Neto, Wilson Brandão, Cláudio Pacheco, San Tiago Dantas, Miguel Reale e Gérson de Britto Mello Bozon. Realça em cada um caraterísticas que ele próprio professa e que procura seguir como objetivo de vida em sua marcha como homem público e pensador da ciência e dos destinos da pátria.

Roberto Rosas, professor titular da Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, lembra que Celso Barros “é uma figura formada em humanidades, no sentido literal da palavra”; que “sua contribuição, assim, para o mundo acadêmico é reverberante”, “transitando entre a atividade política e a jurídica, como muitos outros bons juristas que querem ajudar a construir a legislação que ajudarão a fazer cumprir”, jamais se afastando “da docência querida e das publicações literárias nas quais se aventurou desde a poesia, arte e literatura até as críticas, análises e história”[7].

Na Academia Piauiense de Letras, ingressou no ano de 1967, onde até há pouco foi assíduo frequentador, dando tom ao debate acadêmico, ao lado de seu saudoso colega M. Paulo Nunes e alguns outros de sua geração literária. Presidiu o sodalício no período de 1998-1999, promovendo importantes realizações, como publicação de livros, lançamento de coleções e realização de ciclos de debates e conferências. Pertence a diversas outras instituições culturais, a exemplo do Instituto dos Advogados Brasileiros, Academia Piauiense de Letras Jurídicas e Instituto Luso-Brasileiro de Direito Comparado. Como reconhecimento por sua contribuição ao magistério, à advocacia e ao parlamento, recebeu diversas homenagens e condecorações.

Preocupado com a terra de nascença, em 2005, fundou a Academia de Letras, História e Ecologia da Região Integrada de Pastos Bons, visando difundir cultura entre seus conterrâneos. Desde então promoveu ciclo de debates, a edição de livros e de um jornal literário, às suas expensas.

Celso Barros Coelho, estimado mestre de gerações, é nome de referência na política, no magistério, na literatura e na advocacia piauiense. Foi uma honra sermos seu aluno na escola formal, e ainda continuamos a sê-lo fora da escola. Com muito orgulho sentamos ao seu lado, como um de seus pares na Academia Piauiense de Letras.

Ópera da Serra da Capivara chega à 5ª. edição

A 5ª edição do espetáculo Ópera da Serra da Capivara será realizada de 17 a 29 de julho, no anfiteatro do Parque Nacional da Serra da Capivara.

O evento é apoiado pelo Governo do Piauí, por meio das Secretarias de Cultura e Turismo.

A Ópera Serra da Capivara atrai a imprensa nacional. Uma reportagem de 7 minutos no programa Fantástico, da TV Globo, mostrou toda a beleza do espetáculo e o impacto do evento na economia e turismo da região.

Nesta edição, o evento apresentará o tema Carmen do Sertão, uma leitura popular da ópera Carmen, do compositor francês Georges Bizet. 

O Ato Carmen do Sertão será apresentado durante uma hora e meia pelos artistas Helena dos Andes, Maria Joaquina, Raissa Fayet e Alê Palma e os grupos Ares, Redemoinho de Dança (Escola Lenir Argento), Cia Aire Flamenco, Ave Lola e Rosa Armorial.

Eles levarão ao palco do anfiteatro muita dança, atuação e música durante os dias 27, 28 e 29 de julho.

Após cada apresentação, ocorrerão shows de Zeca Baleiro, Lia Sophia e Felipe Cordeiro.

Além da ópera em si, o evento terá outras atividades na Praça do Abrigo. Dos dias 17 a 23, haverá oficinas e feiras.

Nos dias 24 e 25, será a vez dos shows musicais de Giu Negreiros, Renata Rosa, Daniela Cazuza, As Fulô do Sertão e Gil Preto.

Ao todo, 300 pessoas trabalham na realização do evento.

(Com informações da Secult-PI)

ABROL realiza Encontro Literário no Piauí

A Academia Piauiense de Letras participou do I Encontro Literário da ABROL – Academia Brasileira Rotária de Letras.

O evento foi realizado ontem (11/04) no Centro Cultural Sesc Cajuína, em Teresina, com o objetivo de apresentar à comunidade acadêmica e à sociedade piauiense produções literárias dos membros da ABROL-PI e de obras literárias sobre o Rotary.

O encontrou contou ainda com exposição de revistas e manifestações artísticas, incluindo música e poesia.

A APL se fez presente ao evento através do seu presidente, Zózimo Tavares, e dos acadêmicos Elmar Carvalho, Itamar Costa e Luiz Ayrton Santos Júnior.

A Academia Brasileiras Rotária de Letras foi fundada em 23 de fevereiro de 2011, com a missão de congregar rotarianos para estimular o desenvolvimento de estudos, de obras literárias e culturais.

A entidade está subdividida em 23 seções estaduais, dentre elas a ABROL-PI, fundada em julho de 2020.

A secional piauiense foi instalada em outubro de 2020, em evento nacional, realizada no formato on-line.

A palestra magna foi proferida pelo presidente da APL, Zózimo Tavares, que falou sobre a comunicação na era digital.

A ABROL-PI é presidida pelo acadêmico Raimundo Neto de Carvalho.

Acadêmicos Itamar Costa, Zózimo Tavares, Luiz Ayrton e Elmar Carvalho.
Publicações expostas no evento da ABROL-PI.

Combate no Piauí ajudou a consolidar a Independência

Batalha do Jenipapo terminou com derrota brasileira, mas desestabilizou tropas leais a Portugal na região

João Pedro Pitombo (*)

SALVADOR

Um dos episódios mais importantes para a consolidação da Independência do Brasil e manutenção da unidade nacional aconteceu nas margens de um rio. Não foi o Ipiranga, e suas margens não estavam plácidas no dia 13 de março de 1823.

O entorno do rio Jenipapo, curso de água que corta as planícies de Campo Maior, interior do Piauí, foi palco de uma das lutas mais sangrentas do período da Independência, opondo brasileiros e portugueses no campo de batalha.

De um lado, estava um Exército organizado e bem armado de portugueses que tentavam manter o domínio de Portugal nas províncias do Norte do Brasil. Do outro, milícias brasileiras organizadas às pressas que lutaram com facas, foices, machados e um canhão enferrujado.

Com vitória dos portugueses, a Batalha do Jenipapo deixou um saldo de centenas de brasileiros mortos, mas representou um revés para a resistência de Portugal, que tentava manter o domínio das províncias do Norte brasileiro após o grito de dom Pedro nas margens do Ipiranga.

O embate no Piauí aconteceu em meio a uma escalada de animosidades entre os portugueses e brasileiros que vinha desde antes da Independência.

As Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, que exigiam o retorno do Brasil à condição de colônia de Portugal e a retomada das restrições ao comércio suspensas com a abertura dos portos, nomearam militares portugueses como novos governadores de armas das províncias brasileiras.

No Piauí, o escolhido como governador de armas foi o major português João José da Cunha Fidié. Ele desembarcou na província em agosto de 1822 com a missão de mantê-la sob domínio português.

A província era considerada estratégica por ser uma espécie de porta de entrada para as províncias do Norte, especialmente Maranhão e Grão-Pará, onde os portugueses tinham prestígio dentre as elites locais.

Também havia uma importância econômica: nesta época, o Piauí tinha uma pecuária pujante, com um dos maiores rebanhos de bovinos do país, e era um dos principais fornecedores de carne seca do Norte e Centro-oeste, sendo suplantado apenas pelo charque do Rio Grande do Sul.

A proclamação da Independência, contudo, movimentou as elites do Piauí, que declararam apoio ao Brasil independente da coroa portuguesa. A notícia chegou primeiro na vila de Parnaíba, onde predominava o grupo político liderado pelo comerciante Simplício Dias, que anunciou apoio a dom Pedro.

A adesão de Parnaíba ao Brasil independente motivou uma marcha liderada por João José da Cunha Fidié, que levou tropas à vila para sufocar o movimento de apoio a dom Pedro.

A marcha para o litoral, contudo, desguarneceu a vila de Oeiras, então capital da província. Foi justamente neste momento que o brigadeiro Manoel de Souza Martins, que representava a elite econômica ligada à pecuária e havia sido alijado pelas Cortes de Lisboa, também declarou apoio à Independência.

Quando as tropas lideradas por Cunha Fidié chegaram à Parnaíba, os apoiadores da Independência haviam fugido para o Ceará, onde organizaram uma milícia para enfrentar os portugueses.

Os desencontros tiveram fim no dia 13 de março de 1823, quando brasileiros e portugueses se encontraram na vila de Campo Maior, hoje uma cidade de 47 mil habitantes a 80 km de Teresina.

As margens do rio Jenipapo foram palco de uma batalha desigual. Foram cerca de 1.600 soldados das tropas portuguesas, armadas com 11 canhões e lideradas por oficiais experientes.

Do outro lado, estava uma milícia precária, formada às pressas, com cerca de 2.000 homens do Piauí e Ceará. Em sua maioria, eram vaqueiros e trabalhadores rurais, arregimentados por líderes políticos locais, além de indígenas e negros libertos.

A Batalha do Jenipapo durou cinco horas: começou por volta de 9h e seguiu até as 14h, deixando um saldo de 36 mortos do lado português e entre 200 e 400 mortos nas tropas brasileiras.

“A batalha foi trágica, foi uma derrota para os independentistas. Mas foi uma também ‘vitória de Pirro’ para os portugueses, que tiveram perdas em sua logística”, avalia o historiador Johny Santana de Araújo, professor da Universidade Federal do Piauí.

Ele afirma que a batalha minou a logística da tropa portuguesa, que optou por não perseguir e sufocar os soldados independentistas. A ideia era reagrupar forças e voltar a Oeiras para derrubar os aliados de dom Pedro na capital.

O Exército ficou acampado na fazenda Tombador, seguiu para a vila do Estanhado e depois seguiu para Caxias, no Maranhão, onde houve um princípio de rebelião entre soldados portugueses.

Ao mesmo tempo, os independentistas da capital organizavam suas tropas e recebiam reforços do Ceará, Pernambuco e Bahia, chegando a perto de 22 mil soldados arregimentados.

O reforço também veio pelo mar. Depois de expulsar os portugueses da Bahia, escorraçando o Exército liderado por Madeira de Melo, a esquadra do almirante escocês Thomas Cochrane desembarcou em São Luís e fez com que a junta governativa, sob a mira de canhões, jurasse lealdade a dom Pedro.

Enquanto isso, o Exército português ficou isolado em Caxias, sem a possibilidade de receber reforços de Oeiras, Parnaíba e São Luís, já dominados pelos brasileiros. Cercado, Cunha Fidié se rendeu em 28 de julho de 1823.

Para Araújo, a Batalha do Jenipapo foi fundamental para garantir a unidade nacional e também foi importante para forjar no estado um sentimento de piauiensidade. Ainda assim, permaneceu como um episódio obscuro na historiografia brasileira, sendo pouco conhecido fora do Piauí.

“A Batalha do Jenipapo é um evento muito importante na história do Brasil, mas é esquecido, como todo o contexto do processo de Independência ocorrido no Norte. Isso muito por conta da forma como a historiografia oficial tentou amansar a ideia de que houve conflito”, avalia Araújo.

Nesta segunda-feira (13), os 200 anos da Batalha do Jenipapo serão celebrados em Campo Maior, no Piauí. A cidade abriga um monumento, um museu e um cemitério nas margens do rio.

Neste campo santo despido de adornos e mausoléus, estão enterrados os restos mortais dos brasileiros anônimos que morreram em batalha, cercados por pedras e cruzes de madeira. O cemitério do Batalhão é considerado patrimônio nacional e foi tombado em 1990.

(Originalmente publicado na Folha de S. Paulo, em 12/03/2023: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2023/03/combate-sangrento-no-piaui-ajudou-a-consolidar-independencia-ha-200-anos.shtml)

Evento debate política e economia do Piauí

Assuntos como as fazendas dos jesuítas, o planejamento e obras estruturantes do Piauí foram abordados ontem (04/03), na Academia Piauiense de Letras, pelo economista, professor e acadêmico Felipe Mendes.

Sua palestra abriu o Ciclo de Conferências sobre Política, Desenvolvimento e Estado, evento conjunto da Academia com a Universidade Federal do Piauí, através do seu Núcleo de Estudos Políticos e Eleitorais (NEPE).

O coordenador do NEPE, professor-doutor Cleber de Deus, explicou os objetivos do projeto.

Técnica e política

Em sua exposição, o acadêmico Felipe Mendes afirmou que o planejamento é a ligação entre a política e a técnica.

Segundo ele, o técnico precisa ter sensibilidade política e o político deve ter uma compreensão técnica da realidade.

No final, porém, conforme o palestrante, o que prevalece nos regimes democráticos é a decisão política.

Após a exposição do acadêmico, foi aberta discussão com os participantes.

O presidente da APL, Zózimo Tavares, anunciou que outros eventos do gênero serão realizados ainda neste semestre, em parceria com a UFPI.

A sessão foi transmitida on-line e está disponível no Canal da APL, com acesso através do link:

https://www.youtube.com/watch?v=e4Ag_DfoVNY&t=1870s

O palestrante

Economista, professor e político, Felipe Mendes formou-se em Economia pela Universidade Federal do Ceará. Professor da UFPI. Foi secretário da Fazenda do Piauí (1975-1977);  secretário do Planejamento (1977-1979 e 1979-1982); Pró-Reitor de Planejamento da, UFPI (1983-1984); assessor da Sudene (1984-1985); e presidente da Fundação Centro de Pesquisas Econômicas e Sociais do Piauí (Cepro).

Representou o Governo do Piauí junto ao Conselho Deliberativo da Sudene e foi membro do CONFAZ, como secretário da Fazenda.

Exerceu três mandatos consecutivos de deputado federal, o primeiro deles como constituinte.  Foi vice-governador (2001-2002) e secretário-executivo do Ministério das Cidades.

Presidiu a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e Parnaíba (COMDEVASF).

Obras Publicadas:

Ações políticas para o desenvolvimento. Teresina: COMEPI; A indústria de couro e peles do nordeste. Fortaleza: BNB, 1971; A implantação dos sistemas de programação financeira e da conta única do Piauí, Teresina: Cepro, 1979; Funções de governo, política econômica e desenvolvimento. Teresina: Gráfica Júnior, 1979; Por uma nova fase. Teresina: Gráfica Júnior, 1979.

Publicou, ainda, “Formação Econômica do Piauí (Fundapi, 1995, Cap. III – p.55-81)”, e “Economia e Desenvolvimento do Piauí (1662-2002)” (que acaba de sair em segunda edição) e “Água Para Todos”.

Tem outros projetos literários em andamento. Desde março de 2019, ocupa a Cadeira 32 da APL.

Acadêmico Felipe Mendes sobre Ciclo de Conferências.
Acadêmicos presentes ao evento conjunto da APL/UFPI.

Acadêmico Fonseca Neto na Aclamação das Efemérides.
Professor Cleber de Deus, coordenador do NEPE/UFPI.

Ex-deputado Jesus Tajra, colega de Felipe na Constituinte.

Livro sobre Torquato Neto será lançado sábado na APL

O livro “Torquato Neto – Arte inacabada” será lançado no próximo sábado (19/11) na Academia Piauiense de Letras.
A obra foi publicada pela Editora da UFPI (Edufpi) para lembrar os 50 anos da partida do poeta.
O lançamento do livro na APL está marcado para as 9 horas, no Auditório Acadêmico Wilson Brandão.
Torquato Neto – Arte inacabada” foi organizado pelos professores George Mendes, Paulo José Cunha e Viriato Campelo.
Eles explicam que a obra reúne as visões de pesquisadores, jornalistas, professores, poetas, letristas, curadores e simples admiradores do poeta.
No livro, de 415 páginas, Torquato Neto é revisitado em textos de Augusto de Campos, Paulo Roberto Pires, Paulo José Cunha, Isis Rost, Marcelo da Silva Ribeiro, Edwar Castelo Branco e George Mendes.
Também escrevem sobre o poeta: Cláudio Leal, Dai Belquer, Jaislan Honório Monteiro, Marcus Fernando, Eduardo Ades, Edmar Oliveira, Viriato Campelo, Antônio Quinet e Fábio Leonardo.
O livro traz fragmentos da obra do poeta e um ensaio escrito e assinado por ele, aos 17 anos, intitulado “Arte e Cultura Popular”, no qual interpreta e questiona o cânone literário brasileiro.

Homenagens
Torquato Neto nasceu em Teresina em 9 de janeiro de 1944 e morreu no Rio de Janeiro, em 10 de novembro de 1972, após comemorar seus 28 anos.
Poeta, letrista e cineasta, é um dos fundadores da Tropicália.
Os 50 anos de seu falecimentos estão sendo lembrados no Piauí em programação conjunta da UFPI, APL, Plug Propaganda e UPJ.

Reprodução da capa do livro “Torquato Neto – Arte inacabada”

APL faz Ciclo de Conferências do Bicentenário

A Academia Piauiense de Letras realizou, sexta-feira (16) e ontem (17), o Ciclo de Conferências da Independência.

Com o título O Piauí e a Independência do Brasil – Conferências do Bicentenário, o evento ofereceu quatro palestras de especialistas sobre o tema.

Na sexta-feira (16), abrindo o programa, o escritor Reginaldo Miranda, ex-presidente da APL, ministrou a conferência A Guerra da Independência e a Unidade Nacional.

A seguir, a historiadora Teresina Queiroz, professora da UFPI e integrante da APL, proferiu a conferência 24 de janeiro de 1823: nomes, eventos e significados na História da Independência do Brasil.

No sábado (17/09), o evento teve prosseguimento com a conferência “Morra, é corcunda!”: a onda de saques em Campo Maior na Independência do Piauí., ministrada pelo professor João Paulo Peixoto Costa.

A última conferência do evento, intitulada 19 de Outubro – Projetos de Independência, foi proferida pelo historiador Fonseca Neto, professor da UFPI e membro da Academia Piauiense de Letras.

O evento foi coordenador pelo escritor e acadêmico Elmar Carvalho. Segundo o presidente da APL, Zózimo Tavares, foi mais uma ação da Academia para celebrar os 200 anos da Independência.

As palestras podem ser vistas no Canal da APL no YouTube.

Ele lembrou que em 5 de setembro a APL participou de um evento realizado conjuntamente pelo Governo do Estado e o Conselho Estadual de Cultura.

Nesse evento, foi aberta a exposição Pioneiras, homenageando mulheres piauienses, e lançados três livros da Coleção Bicentenário, todos eles tratando das lutas pela Independência no Piauí.

Acadêmica Teresinha Queiroz
Acadêmico Reginaldo Miranda
Professor João Paulo
Acadêmico Fonseca Neto
Acadêmico Elmar Carvalho fala sobre o evento.

Piauí celebra os 200 anos da Independência

Três atos realizados no Palácio de Karnak marcaram a cerimônia de abertura das celebrações dos 200 anos da Independência no Piauí, nesta segunda-feira (5/9).

O primeiro foi o lançamento de três livros da Coleção Bicentenário, organizada pelo Governo do Estado, através das Secretarias de Cultura e da Educação, pelo Conselho Estadual de Cultura e pela Academia Piauiense de Letras.

Os livros que inauguram a coleção são: “Memória Cronológica, Histórica e Corográfica da Província do Piauí”, de Pereira da Costa; “A Guerra do Fidié”, de Abdias Neves, e “A Contribuição do Piauí na Guerra do Paraguai”, com textos de Anísio Brito, Monsenhor Chaves, Nelson Nery, Odilon Nunes e Reginaldo Miranda organizados pelo acadêmico Felipe Mendes.

Outros cinco volumes da coleção serão publicados até o final do ano.

A governadora Regina Sousa lembrou que no Piauí as comemorações da Independência seguirão até março de 2023.

Exposição

A seguir, foi aberta a exposição ‘Pioneiras’, homenageando a força e representatividade da mulher piauiense.

A Academia Piauiense de Letras está representada por três das 29 homenageadas: Luiza Amélia de Queiroz, Fides Angélica e Niéde Guidon.

Com a curadoria da coordenadora do Centro Cultural M. Paulo Nunes, Poliana Sepúlveda, a exposição é uma viagem abrangente pela experiência feminina nos séculos XIX a XXI, enaltecendo ícones das mais distintas áreas no Estado. 

Cidade cenográfica

Por fim, foi instalada nos jardins do Palácio de Karnak uma cidade cenográfica, com a representação das vilas e cidades que constituíam o Piauí na época das lutas pela Independência.

As exposições estão abertas à visitação pública até outubro, quando deverão ser deslocadas para outros espaços.

Governadora Regina Sousa preside cerimônia pelo bicentenário da Independência
Judoca Sarah Menezes fala em nome das homenageadas
Governadora Regina Sousa, uma das homenageadas na exposição Pioneiras.
Presidente do Conselho Estadual de Cultura, Nelson Nery, fala sobre exposição.
Acadêmico Felipe Mendes, organizador de livro sobre os 200 anos da Independência.
Presidente da APL, Zózimo Tavares, fala sobre a Coleção Bicentenário.
Cidade cenográfica montada nos jardins do Palácio de Karnak.

Piauí lança livros sobre a Independência

“Contribuição do Piauí na Guerra do Paraguai” é um dos livros que serão lançados na segunda-feira (5/09), às 11h, no Palácio de Karnak, nas celebrações dos 200 anos da Independência.

A obra foi organizada pelo professor e acadêmico Felipe Mendes e reúne textos de Anísio Brito, Monsenhor Chaves, Nelson Nery, Odilon Nunes e Reginaldo Miranda.

Também serão lançadas na ocasião as obras Memória Cronológica, Histórica e Corográfica da Província do Piauí e A Guerra do Fidié, da Coleção Bicentenário, organizada pelo Governo do Estado, através das Secretarias de Cultura e da Educação; do Conselho Estadual de Cultura, da Academia Piauiense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

Outros volumes da Coleção Bicentenário serão publicados e lançados até o final do ano, segundo o presidente do Conselho Estadual de Cultura, Nelson Nery, que coordena a coleção.