José Manuel de Freitas (Desembargador Freitas)

Desembargador Freitas(1832-1887). Patrono da Cadeira nº 1 da APL.

Magistrado, jurista, poeta e jornalista, nascido em Jerumenha (PI) e falecido em Recife (1832-1887). Os seus restos mortais descansam em mausoléu próprio na Igreja de Nossa Senhora da Soledade, da mesma cidade. Pais: Gonçalo José de Freitas e dona Ana Maria de Sousa. Iniciou os estudos de humanidades em sua terra natal, e depois em São José das Cajazeiras (PB), no colégio do padre Rolim. Bacharelou-se em Direito pela tradicional Faculdade de Olinda (PE), em 1858. Durante sua vida acadêmica teve intensa atividade literária e,

principalmente por influência do seu comprovinciano José Coriolano de Sousa Lima, autor de Impressões e Gemidos. Colaborou em Recife com o Diário de Pernambuco, onde deixou preciosas poesias. Desenvolveu no Piauí uma intensa atividade jornalística, notadamente nos jornais: “O Propagador”, órgão de caráter político e literário, 1858; no A Ordem – primeiro jornal a circular em Teresina, fundado por José Martins Pereira Alencastre, 1862; Liga e Progresso – Periódico político, 1865.

O Magistrado. No Piauí, foi juiz municipal de Parnaguá (1861) e de Teresina, no mesmo ano; juiz de Direito em Piracuruca (1864). No Maranhão, foi juiz de Direito em Rosário (1873) e em Caxias (1875). Juiz Provedor em São Luís do Maranhão. Juiz de Direito do Cível e dos Feitos da Fazenda de Recife. Desembargador da Relação de Goiás.

O Político. O desembargador Freitas teve uma atuação destacada na vida pública nacional, notadamente nas Províncias do Piauí, Pernambuco e Maranhão, exercendo os cargos mais eminentes, com a integridade de caráter e com muita competência. Mereceu dos seus concidadãos os maiores encômios em todas as posições que ocupou. No Piauí, foi deputado provincial nos períodos de 1860-1861, quando foi o primeiro secretário da Assembleia Provincial na legislatura de 1878 a 1879. Deputado-geral (1879- 1880). Secretário de Estado do Governo. Chefe de Polícia (1864- 1867) na administração do dr. Franklin Américo de Menezes Dória. Presidente da Províncias do Maranhão e de Pernambuco, respectivamente, nos períodos de 07-03-1882 a 06-06-1883 e de 1883-1884. Vice-presidente da Província do Piauí, tendo nessa qualidade assumido o governo do Piauí nos períodos de 03-08 a 05-10- 1866, 05-11 a 09-11-1867 e de 03-05 a 24-08-1868. Bibliografia. Anotações à Lei da Reforma Judiciária de 1871 e índice da Legislação Brasileira (4 volumes). É patrono da Cadeira nº 1 da Academia Piauiense de Letras. Sobre o desembargador Freitas, Clóvis Beviláqua, grande jurista brasileiro, escreveu: Traços Biográficos do Desembargador José Manuel de Freitas, 1844.

O SERTANEJO

Tenho um berço mui ditoso
Pois sou filho do Sertão;
Lá nasci, cresci gozando
Os sopros da viração;

Lá senti uns lábios puros
Me sorrir ao coração;
Lá cantava, como canta;

Todo o moço do sertão.

Era livre…
Não temia
Nem da onça o feio uivar,

Pois quem nasce lá nos campos

Nunca soube o que é chorar!
Era livre e sempre alegre,

A liberdade a cantar.

Comentários

Foi manchete nacional uma sentença que o dr. José Manuel de Freitas proferiu como juiz provedor de Recife, em 1885, cujo mérito é o seguinte: […] declarava a inconstitucionalidade e infamante a pena de açoites como implicitamente revogada pelo espírito da Lei de 28-09-1871, e como tal inaplicável aos réus escravos. Este ato, que valeu um troféu ao dr. José Manuel de Freitas, que foi imitado honrosamente pela ilustrada magistratura do país. O seu ato de desobediência ao Código Criminal do Império resultou na sua remoção para remota Província de Goiás, como uma espécie de castigo imposto à sua indiscutível probidade e de amor ao próximo. Aborrecido e decepcionado com a magistratura, aposentou-se.

APL lança site com ferramentas para pesquisa e loja virtual de livros piauienses

A Academia Piauiense de Letras lançará, neste sábado (28), seu novo site, com uma quantidade maior de informações e disponibilizará uma loja virtual, um espaço para a comercialização das obras literárias que a Academia vem editando ao longo do tempo. Na solenidade também serão lançadas quatro obras literárias: Memorial de um lutador obstinado, de William Palha Dias; Tarot de Marselha, de Socorro Cabral; Maria da Inglaterra em Quadrinhos, de Wilson Seraine; e Lições de Vida, de João José Bastos Lapa.

A nova versão do site da instituição (www.academiapiauiensedeletras.org.br) traz uma quantidade maior de informações e maior facilidade de navegação. Nele estão contidos a história da Academia e seus fundadores e patronos, um acervo de fotografias e vídeos de entrevistas e outros produzidos pelos próprios acadêmicos. Também serão disponibilizadas algumas obras gratuitamente, além de artigos e textos escritos pelos imortais periodicamente.

A novidade é a loja virtual. Segundo o presidente da APL, Nelson Nery Costa, a instituição vem produzindo uma grande quantidade de obras, principalmente em decorrência das comemorações do seu aniversário de 100 anos, e a loja virtual é uma alternativa para dar oportunidade de acesso ao público. “Apenas da Coleção Centenário temos mais de 100 livros publicados. É um volume grande de obras que, aos poucos, disponibilizaremos para que o público adquira através do site da Academia, de forma fácil e ágil”, explica.

O site, agora repaginado, permite ao internauta uma navegação fácil. Ele será atualizado periodicamente, tanto com conteúdo de notícias sobre as atividades da instituição quanto com conteúdo produzido pelos acadêmicos. “A internet é uma ferramenta que pode estreitar os nossos laços com o público leitor e também com quem deseja pesquisar sobre os 100 anos de história da academia. É uma ferramenta que nos mostra que temos muito do passado, mas também nos coloca no futuro”, analisa Nelson Nery Costa.

Obras

No sábado (28) também haverá o lançamento das obras Memorial de um lutador obstinado, de William Palha Dias, pela Coleção Centenário; Tarot de Marselha, de Socorro Cabral, pela Coleção Nada em Ordem; Maria da Inglaterra em Quadrinhos, de Wilson Seraine; e Lições de Vida, de João José Bastos Lapa.

A solenidade, que acontecerá às 10h no auditório localizado na sede da Academia Piauiense de Letras, contará com a presença de autores e convidados.

Revista da APL nº 72 – Ano 2014

Revista da Academia Piauiense de Letras (§3° do art. 2° do Regimento Interno). Foi lançada no ano de 1918, logo após a fundação da entidade, ocorrida em 30 de dezembro de 1917.

Presidente: Reginaldo Miranda da Silva
Vice-Presidente: Raimundo Nonato Monteiro de Santana
Secretário-Geral: Oton Mário José Lustosa Torres
1º Secretário: José Elmar de Mélo Carvalho
2º Secretário: Teresinha de Jesus Mesquita Queiroz
Tesoureiro: Manoel Paulo Nunes

REVISTA DA ACADEMIA PIAUIENSE DE LETRAS – Dezembro de 2014 – Ano XCVII – Nº 72

Comissão de Redação Celso Barros Coelho, Francisco Miguel de Moura, Humberto Soares Guimarães, Nildomar da Silveira Soares, Oton Mário José Lustosa Torres

Organização: Vera Lúcia Rocha Sales
Digitação: Isis Pinto do Nascimento Soares
Diagramação: Raimundo Araújo Dias
Impressão: Gráfica e Editora Uruçuí

Revista da APL nº 71 – Ano 2013

Revista da Academia Piauiense de Letras (§3° do art. 2° do Regimento Interno). Foi lançada no ano de 1918, logo após a fundação da entidade, ocorrida em 30 de dezembro de 1917.

Presidente: Reginaldo Miranda da Silva
Vice-Presidente: Raimundo Nonato Monteiro de Santana
Secretário-Geral: Oton Mário José Lustosa Torres
1º Secretário: José Elmar de Mélo Carvalho
2º Secretário: Teresinha de Jesus Mesquita Queiroz
Tesoureiro: Manoel Paulo Nunes

REVISTA DA ACADEMIA PIAUIENSE DE LETRAS – Dezembro de 2013 – Ano XCVI – Nº 71

Comissão de Redação Celso Barros Coelho, Francisco Miguel de Moura, Humberto Soares Guimarães, Nildomar da Silveira Soares, Oton Mário José Lustosa Torres

Organização: Vera Lúcia Rocha Sales
Digitação: Isis Pinto do Nascimento Soares
Diagramação: Raimundo Araújo Dias
Impressão: Gráfica e Editora Uruçuí

Revista da APL nº 70 – Ano 2012

Revista da Academia Piauiense de Letras (§3° do art. 2° do Regimento Interno). Foi lançada no ano de 1918, logo após a fundação da entidade, ocorrida em 30 de dezembro de 1917.

Presidente: Reginaldo Miranda da Silva
Vice-Presidente: Raimundo Nonato Monteiro de Santana
Secretário-Geral: Oton Mário José Lustosa Torres
1º Secretário: José Elmar de Mélo Carvalho
2º Secretário: Teresinha de Jesus Mesquita Queiroz
Tesoureiro: Manoel Paulo Nunes

REVISTA DA ACADEMIA PIAUIENSE DE LETRAS – Dezembro de 2010 – Ano XCIII – Nº 68

Comissão de Redação Celso Barros Coelho, Francisco Miguel de Moura, Humberto Soares Guimarães, Nildomar da Silveira Soares, Oton Mário José Lustosa Torres

Organização: Vera Lúcia Rocha Sales
Digitação: Isis Pinto do Nascimento Soares
Diagramação: Raimundo Araújo Dias
Impressão: Gráfica e Editora Uruçuí

Revista da APL nº 69 – Ano 2011

Revista da Academia Piauiense de Letras (§3° do art. 2° do Regimento Interno). Foi lançada no ano de 1918, logo após a fundação da entidade, ocorrida em 30 de dezembro de 1917.

Presidente: Reginaldo Miranda da Silva
Vice-Presidente: Raimundo Nonato Monteiro de Santana
Secretário-Geral: Oton Mário José Lustosa Torres
1º Secretário: José Elmar de Mélo Carvalho
2º Secretário: Teresinha de Jesus Mesquita Queiroz
Tesoureiro: Manoel Paulo Nunes

REVISTA DA ACADEMIA PIAUIENSE DE LETRAS – Dezembro de 2010 – Ano XCIII – Nº 68

Comissão de Redação Celso Barros Coelho, Francisco Miguel de Moura, Humberto Soares Guimarães, Nildomar da Silveira Soares, Oton Mário José Lustosa Torres

Organização: Vera Lúcia Rocha Sales
Digitação: Isis Pinto do Nascimento Soares
Diagramação: Raimundo Araújo Dias
Impressão: Gráfica e Editora Uruçuí

Revista da APL nº 68 – Ano 2010

Revista da Academia Piauiense de Letras (§3° do art. 2° do Regimento Interno). Foi lançada no ano de 1918, logo após a fundação da entidade, ocorrida em 30 de dezembro de 1917.

Presidente: Reginaldo Miranda da Silva
Vice-Presidente: Raimundo Nonato Monteiro de Santana
Secretário-Geral: Oton Mário José Lustosa Torres
1º Secretário: José Elmar de Mélo Carvalho
2º Secretário: Teresinha de Jesus Mesquita Queiroz
Tesoureiro: Manoel Paulo Nunes

REVISTA DA ACADEMIA PIAUIENSE DE LETRAS – Dezembro de 2010 – Ano XCIII – Nº 68

Comissão de Redação Celso Barros Coelho, Francisco Miguel de Moura, Humberto Soares Guimarães, Nildomar da Silveira Soares, Oton Mário José Lustosa Torres

Organização: Vera Lúcia Rocha Sales
Digitação: Isis Pinto do Nascimento Soares
Diagramação: Raimundo Araújo Dias
Impressão: Gráfica e Editora Uruçuí

Dr. Nelson Nery Costa e os 100 anos da APL

Uma das mais antigas academias de letras do país faz 100 anos. Fundada em 1917, por uma  ativa geração de escritores,  a Academia Piauiense de Letras chega ao seu centenário com muito a comemorar, com destaque para a Coleção Centenário, conjunto de 135 livros (parte significativa editada), com possibilidades de edição de mais títulos, organizada em torno de obras piauienses de história, geografia, sociologia e, principalmente, literárias no sentido específico do termo. A maioria dos livros compõe-se de obras de domínio público já sem edição na atualidade; muitas, embora de relevância para se entender o Piauí, sequer eram conhecidas das gerações de hoje.

À frente da Casa de Lucídio Freitas, o escritor, professor universitário e defensor público Dr. Nelson Nery Costa, que promoveu uma revolução na instituição (a história e o tempo cuidarão de registrar isso) e que foi recentemente reeleito para gerir os destinos da entidade por mais dois anos (2018-2019), fala sobre os projetos, obstáculos e desafios da instituição, renovando as esperanças em uma literatura que, de olho no sagrado papel de preservar a memória, renova-se.

(ASCOM APL) — Nos dois anos de mandato, qual dos projetos o senhor destaca como primordial?

Ninguém representa a si próprio, mas a seu grupo social ou a sua geração, assim nada mais sou do que a expressão dos escritores que hoje compõem a Academia Piauiense de Letras.  Tive a oportunidade de ingressar na instituição relativamente cedo, com pouco mais de quarenta anos e agora como seu presidente, inicialmente por dois mandatos.  Excepcionalmente, em razão das festividades do Centenário, em 30 de dezembro de 2017, que já começaram e vão se desenvolver no próximo ano, fui eleito para mais um mandato, o terceiro.  Nos próximos dois anos, então, vamos desenvolver várias atividades, em 2018, tanto pelo Centenário da Academia, como pelo Centenário da Revista da Academia Piauiense de Letras, com o primeiro número lançado em 1918, uma das mais longevas do país, publicada até hoje.  Em 2019, fazem trinta anos da doação da sede da Academia, também motivo para mais celebração.  Talvez, nos próximos dois anos, minha missão principal seja auxiliar no desenvolvimento da cultura local.

(ASCOM APL) — Da Coleção Centenário, quantas edições faltam ser publicadas?

A Coleção Centenário tem vida própria e está traçando seus próprios caminhos.  Iniciou sem uma fixação de número, ainda na gestão do Reginaldo Miranda, mas alusiva ao Centenário da Academia Piauiense de Letras.  Depois, foi planejada por mim a edição de cem números, divididos em duas partes.  A primeira parte, com 51 obras, já foi completada; da segunda, foram lançados 30, com 8 prontas, mas não lançadas e 24 em produção.  Porém, atualmente, planejo chegar até o número 140, mas foram lançados o nº 101, Zodíado, de Da Costa e Silva, bem como o nº 132, Argila da Memória, do Clóvis Moura, pois não dá para seguir a ordem numérica, vez que os livros têm tempos diversos de produção.

(ASCOM APL) — Como foram selecionadas as obras da Coleção Centenário, quais critérios adotados?

Acredito que no início a coleção não tivesse bem um caráter, assemelhado talvez a outra importante coleção, que foi os Grandes Textos, com noves exemplares, três dos quais foram também reciclados para Coleção Centenário. No entanto, eu vejo que desde o começo passou a ter um padrão, de expor as tessituras da literatura e da pesquisa feitas no Piauí ou sobre o Piauí, como um grande calendoscópio cultural.  Assim, em torno dos escritores da própria Academia Piauiense de Letras, mas não só eles, inclusive outros bens anteriores, como Leonardo Castelo Branco e Padre Antônio Vieira, que não tiveram nada com a instituição.  Foram selecionadas as formas literárias, como poesia, contos, romances e crônicas, e as obras técnicas de história, de geografia, de sociologia ou de economia, do século XVII ao século XXI.  Os autores mais significantes tiveram mais de uma obra, como Higino Cunha, Clodoaldo Freitas e outros.  Em alguns casos, aglutinaram-se dois livros, como na obra de Renato Castelo Branco, que tem seu romance Teodoro Bicanca junto com o clássico da sociologia local A Civilização do Couro.

(ASCOM APL) — À frente da APL, qual foi o seu grande desafio?

O financeiro, sem dúvida, pois a Academia Piauiense de Letras vive em meio a muita penúria e é surpreendente que tenha sobrevido cem anos, pois do ponto de vista econômico já devia ter perecido há muito tempo, como ocorreu com inúmeras outras instituições semelhantes.  A força interior da instituição, sim, mostra-se muito poderosa e capaz de resistir a tudo, seja pela perseverança, seja pela energia positiva que dela emana.  Desse modo, tal deve ser meu principal desafio para que ela possa ter recursos e mostrar toda sua pujança com a publicação de obras, com a realização de evento e com a produção dos acadêmicos nos principais jornais e revistas do Piauí.  Com a boa vontade do Governo do Estado e da Prefeitura de Teresina, foi possível a Academia continuar a realizar seus propósitos, auxiliada ainda pela Universidade Federal do Piauí, pela Gráfica do Senado Federal e pelos recursos do Siec, além da boa vontade de muita gente.

(ASCOM APL) — O que tinha planejado fazer e não houve tempo hábil?

Faltou ligar a Academia Piauiense de Letras ao século XXI e isto só vai ser possível quando melhorar muito seu site www.academiapiauiensedeletras.org.br e quando interagir mais nas redes sociais.  Por hora, por mais relevante que seja na vida social piauiense, a instituição está muito distante das novas gerações, dos secundaristas e dos universitários, assim como das pessoas mais pobres e dos que vivem fora de Teresina.  Não foi por falta de tempo, não, foi por pura incompetência, que nem eu, nem os outros acadêmicos que tentaram me ajudar, avançamos na questão na linguagem e da tecnologia.  Espero, agora, com muita coisa andando sozinha, ter mais tempo para me dedicar ao aperfeiçoamento do site, que possamos oferecer alguns livros digitalizados em pdf para acesso ao grande público, como o nome provisório de “Livros na Rede”, alguns da Coleção Centenário, em 2018.  Por outro lado, acho necessário que a Academia participe de outras mídias, como facebook, instagram, youtube e outros meios.  Ah, apesar de não ser da responsabilidade financeira da Academia, também não houve a premiação de cem mil reais do Enéas Barros, no Concurso H. Dobal, mas vamos tentar resolver o problema, em 2018.

(ASCOM APL) — Qual a sua meta para o biênio 2018/2019?

A Academia Piauiense de Letras vai ter o incremento de despesas com o funcionamento do Museu da Cultural Literária Piauiense e com as festividades previstas para os próximos dois anos, de modo que talvez meu maior objetivo seja dar sustentabilidade financeira para a instituição.  Tentei muito e consegui bons recursos, com base na imagem da Academia, nos meus relacionamentos pessoais e também com a boa vontade de muita gente das secretarias estaduais e municipais e da Fundação Monsenhor Chaves, enfim, dos simples servidores públicos aos principais gestores.  Sinto, porém, que não foi o bastante.  É preciso que tais recursos sejam permanentes e também que a instituição possa sobreviver bem depois de concluído meu terceiro mandato, hora então de ir embora, mas gostaria de deixar a casa arrumada para o próximo Presidente da Academia.  Junto com o Prof. Fonseca Neto, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico Piauiense, pretende a Academia assumir a gestão do prédio público estadual onde funcionou o Tribunal de Contas e depois o fórum de Teresina, para transformá-lo em um centro cultural, tudo com base na revitalização da área histórica da Capital.

(ASCOM APL) — Quais projetos pretende desenvolver?

Acima de tudo, a realização das festividades alusivas ao Centenário da Academia Piauiense de Letras, com uma longa programação em andamento, como a inauguração do Museu da Cultura Literária Piauiense e da reforma de sua sede, na Av. Miguel Rosa, sul, no começo do próximo ano, e a solenidade do Centenário, no dia 24 de janeiro, data da instalação da Academia, antigo Dia do Piauí. Vai ser a reunião mais relevante, inclusive com a entrega da Medalha do Centenário, em amplo auditório. No primeiro semestre do próximo ano, continua-se a lançar obras da Coleção Centenário e da Coleção Século XXI.  Deve ocorrer o lançamento também de série especial chamada Coleção 100ANOS, inclusive com a obra do Des. Nildomar Silveira, O Livro do Centenário da Academia Piauiense de Letras, e outras reedições, como Antologia da Academia Piauiense de Letras, de Wilson Gonçalves, Os Fundadores, e, inéditos,  História da APL, de Celso Barros, e, História Piauiense: aventura, sonho e cultura, de minha autoria, com quase mil páginas, em 17 de março de 2018.  Dra. Fides Angélica Ommati está me ajudando a organizar o Seminário Piauí 2100, que tem a intenção de refletir sobre o Piauí e de como estará o mesmo no final do século XXI, em termos de desenvolvimento econômico e social, de sustentabilidade, de temperatura, e de cultura, que deve contar com palestra de encerramento do Min. João Paulo dos Reis Veloso.  Pretendemos promover concurso literário para o ensino médio e também para o ensino universitário, em poesia, conto e crônica, com premiação até setembro do próximo ano, com recursos já assegurados. Em 2018, ocorrerá também o Centenário da Revista da Academia Piauiense de Letras, com dois números previstos para o próximo ano.

(ASCOM APL) — O orçamento da cultura é baixo, como o senhor sabe por já ter presidido o Conselho Municipal de Cultura.  Qual o orçamento disponível da APL?

A Academia Piauiense de Letras tem recursos próprios da venda dos livros por ela editados e também do aluguel de imóvel na rua Álvaro Mendes, o que não é muito mas ajuda no seu custeio.  Parte do seu pessoal vem de órgãos públicos, como cedidos, e outros contratados.  A instituição também tem projetos junto a Secretaria de Estado do Governo, com o Dep. Merlong Solano, junto à Fundação Monsenhor Chaves, com o Dr. Luís Carlos, e junto ao Siec, sob a liderança do Dep. Fábio Novo, além de tentar captar com a Lei Roaunet e também junto à Fundação Roberto Marinho.  Ou seja, há muitos projetos, resultados  de negociações e de captações.   Tivemos muito auxílio do Grupo Claudino, mas hoje nossa parceira é com as Drogarias Globo. Não é fácil conseguir recursos para a cultura, mas não é impossível, pois existem muitas fontes.

(ASCOM APL) — No momento, há algumas vaga a ser preenchida?

Sim, a Cadeira nº 24 está vaga, tendo a mesma por patrono Jonas de Moraes Correia, da qual Paulo de Tarso Mello e Freitas era o quarto ocupante, tendo falecido no começo de 2017.  Para o preenchimento da referida cadeira, precisa-se de maioria absoluta, com vinte votos, dos trinta e nove com validade, o que não foi preenchido no último edital, mesmo em dois turnos, em que um candidato conseguiu muitos votos, mas não o suficiente para seu sucesso.  Assim, vai ser lançado novo edital, tão logo a nova Diretoria tome posse e que acabe o recesso do mês de janeiro de 2018; provavelmente em fevereiro próximo haja a abertura da concorrência para a Cadeira nº 24.  Espero não ter nenhuma mais até o final da gestão, pois além de dar muito trabalho é sempre triste ver a partida de um confrade.  Apesar disto, vou contar uma anedota atribuída ao Prof. Manoel Paulo Nunes, nosso grande líder ainda hoje, em que um escritor veio lhe pedir o voto para uma vaga ainda inexistente, pois ninguém tinha falecido, ao que ele respondeu – “voto, desde que não seja na minha vaga”.

(ASCOM APL) — Como está o processo de criação do Museu da Escrita?
Bem, a ideia mudou bastante, pois como  disse antes, estamos preparando a inauguração agora em janeiro do Museu da Cultura Literária Piauiense, mas com uma área sobre a escrita, inclusive com acervo que eu devo doar para o mesmo.  Teve-se que arquivar, provisoriamente, o Museu da Cultura Piauiense, no antigo Meduna e hoje em um shopping. Era previsto material interativo sobre a cultura local em todos os seus aspectos, desde a literatura, a música, a dança, o teatro, as artes visuais, o folclore e a arte popular. A ideia continua de pé e pretende-se realizá-lo ainda, em parceria com o Prefeito Firmino Filho e com o apoio do Prof. Charles Camilo.  Também está no radar, como já comentado, junto com o Instituto Histórico e Geográfico Piauiense, de promover um centro cultural na antiga sede do Tribunal de Contas do Estado, próximo do Palácio de Karnak.  As ideias são muitas, talvez falte dinheiro e tempo, mas como disse o Max Weber, “só se consegue o possível, sonhando com o impossível”.

Maria da Inglaterra ganha livro em quadrinhos desenhado pelo cartunista Jota A

Uma entrevista da cantora piauiense Maria da Inglaterra, publicada em 2002, no jornal Correio Corisco é o tema do livro Maria da Inglaterra em quadrinhos, que será lançada, nesta quinta-feira, 19 de abril, no restaurante Baião de Dois. Vários artistas da música piauiense irão se apresentar e realizar um show com entrada gratuita em prol da artista, patrimônio vivo da cultura do nosso Estado.

A ideia do livro partiu do professor Wilson Seraine, “Comprei um livro em quadrinhos de Jackson do Pandeiro, e vi que tinha outras publicações no mesmo estilo de grandes nomes da cultura paraibana, como Ariano Suassuna, João Pessoas, Augusto dos Anjos, então pensei porque não fazer também dos piauienses? Procurei o Cineas Santos, mostrei o projeto e a partir daí a história passou a ser contada. Maria da Inglaterra em quadrinhos é o primeiro volume da coleção “Gente Querida”, que irá trazer outros nomes importantes da cultura piauiense.

Com ilustrações e diagramação do cartunista Jota A, a publicação teve tiragem de mil exemplares, e sua venda será revertida em prol da cantora.

Maria da Inglaterra é um patrimônio vivo da cultura piauiense. A música “O Peru rodou” tornou-se uma das canções mais populares do Piauí. Uma figura que honra e dignifica nossa cultura. Como na canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, “Maria é um dom, uma certa magia/uma força que nos alerta…”  Longa vida à “rainha das canções do Piauí”, ensina o professor Cineas Santos no prefácio do livro.

Para mim foi uma grande honra participar desse projeto e homenagear uma figura tão interessante como Maria da Inglaterra. Já conhecia um pouco de sua música e história e durante o período que estava desenhando os quadrinhos ficava ouvindo suas músicas para absorver ao máximo suas melodias e repassar isso aos desenhos. Acho que a história da Maria daria um bom filme, pois é cheia de magia, reviravoltas, ensinamentos e personagens fantásticos” diz o cartunista Jota A.

No lançamento do livro, com entrada franca, os cantores Gonzaga Lu, Zé Roraima, Soraya Castelo Branco, Edvaldo Nascimento, Júlio Medeiros, Geraldo Brito, Lázaro do Piauí, Wagner Ribeiro e as bandas As Fulô do Sertão e  Caju Pinga Fogocantarão músicas da compositora. Maria da Inglaterra também estará presente e fará uma participação especial.

Com 78 anos, Maria da Inglaterra mora na periferia de Teresina, enfrenta muitos problemas de saúde e vive com a ajuda dos filhos e de alguns amigos. Compositora de mais de 2 mil músicas, mesmo sem saber ler e escrever, lançou seu primeiro CD em 2002, “O Peru Rodou”.

Duas das músicas desse disco foram parar no CD do projeto Rumos do Itaú Cultural, uma coletânea de músicas de 50 artistas populares brasileiros. O seu segundo disco “Alegria de Viver”, foi lançado em 2009 e teve apoio da lei de incentivo à cultura A. Tito Filho. Neste disco se destaca a música “Baião do Cajueiro”, “Pancada da Ponte” e “Piripiri”.

O estilo adotado para o disco foi bem variado indo do xote ao samba, recebe um apoio dos músicos Júlio Medeiros (baixo), Geraldo Brito (violão), Anderson Nóbrega (violão) e Jeová (zabumba). Com a participação de Lázaro do Piauí e de João Claudio Moreno.

180graus

Revista da APL nº 67 – Ano 2009

Revista da Academia Piauiense de Letras (§3° do art. 2° do Regimento Interno). Foi lançada no ano de 1918, logo após a fundação da entidade, ocorrida em 30 de dezembro de 1917.

Presidente: Manfredi Mendes de Cerqueira
Vice-Presidente: Fides Angélica de Castro Velloso Mendes Ommati
Secretário-Geral: Humberto Soares Guimarães
1º Secretário: Oton Mário José Lustosa Torres
2º Secretário: Reginaldo Miranda da Silva
Tesoureiro: Francisco Hardi Filho

REVISTA DA ACADEMIA PIAUIENSE DE LETRAS Dezembro de 2008 Ano XCII – Nº 67

Comissão de Redação Celso Barros Coelho, Francisco Miguel de Moura, Humberto Soares Guimarães, Nildomar da Silveira Soares, Oton Mário José Lustosa Torres

Organização: Vera Lúcia Rocha Sales
Diagramação: Raimundo Araújo Dias