Livro do Acadêmico faz inventário de obras do Piauí

“Engenharia Piauiense” é o novo livro do engenheiro civil, professor e escritor Cid de Castro Dias. A obra foi lançada sábado passado, na Academia Piauiense de Letras, com apresentação do próprio autor, que fez um inventário das principais obras públicas construídas no Piauí desde José Antônio Saraiva, o fundador de Teresina.

Cid Dias, membro da APL, explicou que seu livro mostra uma visão panorâmica sobre a engenharia piauiense a partir da década de 1850, quando Saraiva, presidente da Província, implantou os primeiros prédios públicos de Teresina, a nova capital, objetivando abrigar a máquina governamental que se deslocara de Oeiras.

Cid Dias apresenta seu novo livro na APL
Cid Dias apresenta seu novo livro na APL

“Através dos relatórios dos Presidentes da Província, vamos viajar no tempo, visitando o canteiro de obras dessas edificações, acompanhar seu dia a dia e entrar em contato com obras que se arrastam por longo tempo”, ressalta.

O autor informa ainda que, de posse de um manancial de informações colhidas ao longo de anos, teve a ideia de disponibilizar aos interessados esse elenco de obras abrangendo prédios públicos, pontes, barragens, viadutos, galerias, praças, avenidas e estradas.

Muito bem documentado com rico acervo de imagens, o livro, apesar de técnico, se torna de leitura fácil e atraente. Em suas páginas estão parte significativa de quase dois séculos da história do Piauí.

O autor

Com 76 anos, Cid de Castro Dias tem uma longa experiência profissional. Ele formou-se em engenharia em 1968 e desde o início de sua carreira acompanha de perto, como técnico e pesquisador, as obras realizadas no Piauí nos últimos 50 anos.

Ele é autor de várias obras ligadas à historiografia piauiense, entre elas “Os caminhos do Rio Parnaíba” e “Piauí – Projetos Estruturantes”.

Na mesma solenidade, foram lançadas mais duas obras da “Coleção Século XXI”, da Academia Piauiense de Letras: “Educação no Piauí – 1880-1930”, da historiadora, professora e acadêmica Teresinha Queiroz, e “Viagens para fim de ida”, da professora e advogada Maria Magalhães.

Fonte: Zózimo Tavares – APL

João Paulo dos REIS VELLOSO

(1931). Terceiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 17 da APL.

Economista e professor. Nasceu em Parnaíba, em 1931. Formado pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Rio de Janeiro; pós- graduado pelo Conselho Nacional de Economia (1961); Master em Economia pela Universidade de Yale (EUA), recebendo o diploma Ph.D e granjeando o primeiro lugar; membro da Academia Piauiense de Letras, cadeira nº 17. Cargos e funções exercidas: professor de Pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas. Participante do projeto da criação do Instituto Nacional do Cinema e do Museu de Arte Moderna. Assessoria do Ministro Roberto Campos, tendo, juntamente com Mário Henrique Simonsen, elaborado o projeto de criação do IPEA – Instituto de Planejamento Econômico em 1969. Ministro-chefe da Secretaria de Planejamento da Presidência da República.

Transcrevemos, a seguir, um trecho da obra Brasil: a solução positiva.

CAPITULO I

O CRESCIMENTO COMO FENÔMENO HUMANO

Antes de considerar a questão da sociedade que estamos construindo, é conveniente começar por colocação mais limitada, sobre a natureza do processo de crescimento.

O crescimento econômico, tomado, para simplificação da análise, apenas como o aumento continuado da renda per capita, não depende de fatores predominantemente econômicos.

Trata-se de um fenômeno humano por excelência ligado a atitudes e instituições sociais.

Pode-se considerá-lo um processo eminentemente cultural – no sentido sociológico – e político.

Político, porque é importante a vontade política da nação, de mobilizar-se para o esforço, as dificuldades, os desajustamentos, o sentido de realização, os benefícios inerentes ao desenvolvimento.

Cultural, porque diz respeito, principalmente, ao modo de ser da sociedade. Cultura, aqui, “é o conjunto das tradições em que naturalmente uma sociedade vive, e que se modifica com a história mas permanece sempre fiel a certos elementos originais”.

Evidentemente, no crescimento, os fatores climáticos e os recursos naturais têm importância, no sentido de que podem facilitar ou dificultar a expansão econômica, abrir ou limitar oportunidades de investimento.

Não é à toa que os países de clima temperado se têm desenvolvido com facilidade relativamente maior, e não há forma mais simples de desenvolver uma economia primitiva do que pela exploração de seus recursos naturais.

Mas mesmo esse fato óbvio deve ser qualificado.

Um estudo do Banco Mundial sobre Os Trópicos e o Desenvolvimento Econômico chegou a duas conclusões principais.

Primeiro, é inegável que as condições vigentes nos trópicos colocam limitações ao crescimento agrícola, pecuário e mineral dos países ali situados. Tais dificuldades não podem ser superadas por uma simples transferência da tecnologia existente nos países ricos, de zonas temperadas. Faz-se mister, por isso, adaptar e desenvolver tecnologia, para atender às condições especiais dos trópicos, naqueles setores.

Segundo, é possível que quando, eventualmente, as limitações dos trópicos forem superadas, tais países subdesenvolvidos passem a contar com vantagens na sua agropecuária, representadas pela luz solar, o calor e a quase infinita variedade da vida tropical.

No processo de crescimento, também são relevantes os fatores nitidamente econômicos, como a dimensão do mercado e a acumulação de capital físico, resultante da taxa de investimento.

Sem embargo, os fatores humanos são capazes de superar os demais condicionantes do processo.

O Japão mostrou ser possível construir uma potência econômica praticamente sem recursos naturais, e quase sem espaço geográfico. A dimensão do mercado e a acumulação de capital, em grande medida, podem ser condicionadas pelos fatores humanos.

E quais são esses fatores humanos?

Talvez a melhor análise do problema ainda seja a de Arthur Lewis, quando considera que as causas próximas do crescimento econômico são o engajamento na atividade econômica (ou seja, em fazer coisas com mais eficiência, obtendo maior resultado com certo uso de fatores produtivos, ou o mesmo resultado com menor uso dos fatores), a aplicação do conhecimento à solução de problemas econômicos (a inovação tecnológica), e o aumento do estoque de capital físico (investimento). Indo às causas das causas, ou seja, indagando quais os elementos que determinam o maior ou menor engajamento dos grupos sociais na atividade econômica, na exploração de oportunidades econômicas, Lewis destaca as atitudes sociais, originárias de crenças e escalas de valores, e as instituições sociais.

Como observa: “O crescimento econômico depende de atitudes em relação ao trabalho, à riqueza, à poupança, a ter filhos, à inovação, a coisas novas, à aventura, e assim por diante; e todas essas atitudes provêm de fontes profundas da mente humana”.

Entre as atitudes sociais que condicionam o comportamento econômico estão o desejo de possuir bens, ou seja, a atitude em relação ao bem-estar material; e o custo psicológico e físico do esforço para obter tal aumento de renda real.

Entre as instituições sociais benéficas à atividade econômica incluem-se: a recompensa pelo esforço feito, em termos pecuniários e sociais; a existência de estruturas favorecendo a especialização de atividades e a comercialização; e o grau de liberdade econômica, para a empresa e o indivíduo.

São, pois, fatores desse tipo que devem ser analisados, se desejamos entender as experiências de maior ou menor sucesso de diferentes nações, em diferentes épocas.

Note-se que tais tendências, favoráveis ou desfavoráveis, em maior ou menor escala, existem em todos os países, consoante a sua cultura. E estão sujeitas a evolução movida por fatores políticos, econômicos, sociais, históricos, espirituais – internos e internacionais. Da relativa preponderância de uns e outros fatores vai depender a aceleração ou desaceleração do processo de crescimento, em cada País, a médio e a longo prazo”.

Fonte: REIS VELLOSO, João Paulo. A Solidão do Corredor de Longa Distância: Brasil – Novo Modelo de Desenvolvimento. 2ª ed. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2018, Coleção Centenário nº 95.

OTON Mário José LUSTOSA Torres

(1957). Terceiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 5 da APL. 

(Parnaguá-PI, 1957). Magistrado e escritor. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Piauí, 1983. O Magistrado. Juiz de Direito nas comarcas Itautíra, Regeneração, Simplícío Mendes e Oeiras. Atualmente, é Juiz de Direito de 4ª Entrância da Comarca de Parnaíba. Bibliografia. Meia-Vida, 1999; Petições e Sentenças, 1989; Ações Possessórías, 1990; e Da Propriedade imóvel, 1996. Pertence à Academia Piauiense de Letras.

Excerto do seu discurso pronunciado por ocasião de sua posse na Academia Piauiense de Letras cadeira nº 5.

Um grande piauiense, político de grande valor, que serviu abnegadamente ao seu Estado e ao seu povo, renomado profissional da ciência de Hipócrates, dá nome à cadeira número 05. Areolino Antônio de Abreu! Nome de rua movimentada desta capital; nome do maior hospital psiquiátrico de nossa querida Teresina. É o nome que figura na viva lembrança do povo e que está presente nos compêndios da História do Piauí. Teresinense de nascimento, aqui viveu, aqui dedicou toda a sua vida de trabalho.

Médico písíquiatra do mais refinado zelo e de fulgurante visão do futuro. Valeu-se da política partidária para laborar em prol do povo, da saúde do povo. Fez-se deputado, vice-governador e governador do Estado. Fundou o Asilo dos Alienados de Teresina que anos mais tarde veio a se transformar no atual Hospital Psiquiátrico “Areolino de Abreu”. Jornalista e escritor. Enfim, um grande piauiense! Por isso, com muita justiça e com muita honra, regozija-se a Academia Piauiense de Letras em ter Areolino Antônio de Abreu como patrono de uma de suas cadeiras, a de númer cinco.

Fonte: LUSTOSA, Oton. Meia-Vida – Romance. 2ª ed. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2016, Coleção Centenário nº 70.

Atuais Acadêmicos da APL

Cadeira nº 01 – Antônio FONSECA dos Santos NETO

(1953). Sexto e Atual Ocupante da Cadeira nº 1 da APL –Professor. Advogado. Nasceu no dia 16 de fevereiro de 1953, na cidade de Passagem Franca, Estado do Maranhão.(VEJA O PERFIL COMPLETO)

Cadeira nº 02 –  JONATHAS de Barros NUNES

(1934). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 2 da APL – (Jerumenha-PI, 05-06-1934). Militar. Professor e político. Bacharel em Física pela Universidade Federal de Brasília, em 1968. PhD em Física pela Universidade de Londres, em 1973. (VEJA O PERFIL COMPLETO)

Cadeira nº 03PLÍNIO da Silva MACEDO

(1957). Quinto e Atual Ocupante da Cadeira nº 3 da APL – Nasceu em 21 de outubro de 1957, no município de São Raimundo Nonato, Piauí. É cirurgião-dentista e professor titular da Universidade Federal do Piauí, onde ingressou como o primeiro professor admitido na instituição com o título de doutor.

Cadeira nº 04 – WILSON Nunes BRANDÃO

(1960). Quinto e Atual Ocupante da Cadeira nº 4 da APL – É natural do Rio de Janeiro. Nasceu em 14 de agosto de 1960, filho de Wilson de Andrade Brandão e Maria de Lourdes Leal Nunes de Andrade Brandão. É formado em Direito, Engenharia Elétrica e Licenciatura Plena em História, com especializações em línguas – Francês e Inglês

Cadeira nº 05 – OTON Mário José LUSTOSA Torres

(1957). Terceiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 5 da APL- (Parnaguá-PI, 1957). Magistrado e escritor. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Piauí, 1983. O Magistrado. Juiz de Direito nas comarcas Itautíra, Regeneração, Simplícío Mendes e Oeiras. Atualmente…

Cadeira nº 06 – Maria do SOCORRO Rios MAGALHÃES

(1954). Quinta e Atual Ocupante da Cadeira nº 6 da APL – Nasceu em Teresina – Piauí, em 1 de junho de 1954. Doutora em Letras pela PUC-RS, professora do mestrado em Letras da UFPI e Professora adjunta de letras da UESPI .Entre outras obras, Maria do Socorro Rios Magalhãe é autora de diversos estudos sobre a literatura piauiense…

Cadeira nº 07 – HUMBERTO Soares GUIMARÃES

(1945). Terceiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 7 da APL – Médico psiquiatra, professor, historiador, romancista e ensaísta. Nasceu em Ribeiro Gonçalves, em 29 de maio de 1945. Foi coordenador geral do Programa de Saúde Mental da Secretaria Estadual de Saúde e dirigiu o Hospital Psiquiátrico Areolino de Abreu. Membro do Conselho Diretor da Universidade Federal do Piauí, representando a Presidência da República.

Cadeira nº 08 – FRANCISCO MIGUEL de Moura

(1933). Quinto e Atual Ocupante da Cadeira nº 8 da APL – Poeta, ensaísta, cronista, cronista, romancista, jornalista e crítico literário. Nasceu no lugar Jenipapeiro, Picos, Estado do Piauí, hoje Francisco Santos, em 1933. Bacharel em Literatura Plena e Letras. Pós-graduação em Crítica de Arte pela Universidade Federal da Bahia.

Cadeira nº 09 –  HUGO NAPOLEÃO do Rego Neto

(1943). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 9 da APL – Ministro de Estado. Parlamentar. Governador do Piauí, nascido em 1943, em Portland, Oregon, Estados Unidos, onde o pai era vice-cônsul do Brasil. Em 1967, bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro…

Cadeira nº 10 – José ELMAR de Melo CARVALHO

(1956). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 10 da APL – Poeta e magistrado. Nasceu em Campo Maior, em 9 de abril de 1956. É graduado em Direito e Administração de Empresas. Exerceu os cargos de monitor postal (ECT) e de fiscal da Sunab. Tem intensa atividade cultural. Presidiu a União Brasileira de Escritores (UBE), seção do Piauí e o Conselho Editorial da Fundação Cultural Monsenhor Chaves.

Cadeira nº 11 –  José RIBAMAR GARCIA

(1946). Quinto e Atual Ocupante da Cadeira nº 11 da APL – (Teresina-PI, 10-04-1946). Romancista, cronista, contista e jornalista. Os pais: Francisco de Assis Garcia e Bernarda F. de Sousa Bacharel em Direito pela Faculdade Nacional de Niterói. Conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB-RJ, em quatro mandatos.

Cadeira nº 12 – WILSON Carvalho GONÇALVES

(1923). Quinto e Atual Ocupante da Cadeira nº 12 da APL – Professor e escritor. Nasceu a 21 de abril de 1923. Estudo primário no Grupo Escolar “Matias Olímpio”, de Barras do Marataoan. Curso secundário no Liceu Piauiense. Formado pela Faculdade de Farmácia do Rio de Janeiro.

Cadeira nº 13 –  Pedro da Silva Ribeiro

(1930). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 13 da APL – Nasceu em Guadalupe, 14-02-1930. Professor, romancista, contista e historiador. Lecionou nos mais importantes colégios de Teresina: Escola Normal Oficial “Antonino Freire e Colégio “Sagrado Coração de Jesus”. Foi diretor do colégio “Eurípides de Aguiar” (1960).

Cadeira nº 14 – ALTEVIR Soares de ALENCAR

(1934). Quinto e Atual Ocupante da Cadeira nº 14 da APL – (Alto Longá-PI, 26-3-1934). Professor, advogado, jornalista, poeta, cronista e improvisador. Teve participação muito intensa na imprensa dos Estados do Ceará, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Piauí. Curso Superior de Filosofia pura (5 anos) na Universidade do Brasil (RJ)

Cadeira nº 15 – CID DE CASTRO Dias

(1942). Sexto e Atual Ocupante da Cadeira nº 15 da APL – Filho de Manoel da Silva Dias e Ester de Castro Dias, nasceu em 25-01-1942, na cidade de S. Raimundo Nonato (Piauí), tendo alí cursado o 1º grau no Ginásio Dom Inocêncio. Em Salvador (BA), cursou  o  2º  grau  escolar (antigo  científico). Engenheiro Civil, formado pela Universidade Federal do Ceará (1968).

Cadeira nº 16 – EUSTÁCHIO PORTELLA Nunes Filho

(1929). Sétimo e Atual Ocupante da Cadeira nº 16 da APL – Médico, professor, conferencista e escritor, nascido em Valença do Piauí (1929). Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil (1953). Médico efetivo do Serviço Nacional de Doenças Mentais, aprovado em concurso público em 1º lugar. Diretor do Instituto de Psiquiatria da UFRJ.

Cadeira nº 17 Francisco VALDECI de Sousa CAVALCANTE

(1962). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 17 da APL – É advogado e empresário. Professor da Universidade Federal do Piauí. Presidente do Sistema FECOMÉRCIO SESC/SENAC no Piauí e 1º vice-presidente do Sistema CNC/SESC/SENAC. Fundador e dirigente do Lions Clube Teresina “Cidade Verde”. Membro e atual presidente da Academia Maçônica de Letras do Piauí.

 Cadeira nº 18 José ITAMAR Abreu COSTA

Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 18 da APL –Nasceu em Alto Longá, Piauí. É médico cardiologista. Ao lado do exercício de sua profissão, no qual se destaca o papel de fundador e diretor do Hospital ITACOR, em Teresina, tem intensa atuação na área cultural no Piauí, integrando várias entidades literárias, entre elas a Academia de Letras do Vale do Longá (ALVAL)

 Cadeira nº 19 – ALCENOR Rodrigues CANDEIRA FILHO

(1947). Terceiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 19 da APL – Poeta, cronista, ensaísta e professor, nascido em Parnaíba (1947). Bacharel em Direito. Procurador do INSS em Parnaíba. Professor da Universidade Federal do Piauí – Campus Ministro Reis Veloso. Bibliografia. Literatura: Sombra entre ruínas (1975);

Cadeira nº 20 – RAIMUNDO JOSÉ Airemoraes Soares

(1933). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 20 da APL – (São Pedro do Piauí-PI, 30-03-1933). Sacerdote e professor emérito. Curso de Filosofia no Seminário Maior de Olinda, Pernambuco. Diplomado em Filosofia pela Academia Romana de Santo Tomás em Roma, Itália. Bacharel e licenciado (mestrado) em Sagrada Escritura, pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, Itália.

Cadeira nº 21 – DILSON LAGES Monteiro

(1973). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 21 da APL – Dílson Lages Monteiro. Professor. Poeta. Romancista. Ensaísta. Nasceu em Barras do Marataoã em 1973. Filho de Gonçalo Soares Monteiro e Rosa Maria Pires Lages. Viveu a infância e a pré- adolescência na cidade natal, cuja paisagem física e humana deixou fortes marcas em sua literatura…

 Cadeira nº 22 – NILDOMAR da Silveira SOARES

(1937). Quinto e Atual Ocupante da Cadeira nº 22 da APL – (Teresina-PI, 1937). Professor, jurista e escritor. Bacharel em Direito pela Universidade do Brasil. Ex- Presidente da Ordem dos Advogados-PI. Ex-assessor Jurídico do Banco do Brasil, no Piauí. Assistente Jurídico da Prefeitura de Teresina. Professor da Escola Superior da Magistratura, no Piauí. Juiz Eleitoral substituto do TRE/PI…

Cadeira nº 23 – TERESINHA de Jesus Mesquita QUEIROZ

(1955). Ocupante da Cadeira nº 23 da APL – Teresinha Queiroz é professora e escritora. Nasceu em Esperantina, Piauí, onde fez seus estudos primários e secundários. Os pais: Félix Cardoso de Queiroz e Joaquina Mesquita de Queiroz. Licenciada em História pela Universidade Federal do Piauí (1977) e Bacharelada em Ciências Econômicas pela mesma IES (1983)

Cadeira nº 24 Niède Guidon

(1933). Ocupante da Cadeira nº 24 da APL –Formada em História Natural pela USP, com doutorado em pré-história pela Sorbonne e especialização na Université de Paris.

Cadeira nº 25 – DAGOBERTO Ferreira de CARVALHO JÚNIOR

(1948). Terceiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 25 da APL – Médico. Pesquisador (Arquivo Histórico Ultramarino/Instituto de Cultura e Língua Portuguesa-Lisboa). Historiador (Mestrado em História pela Universidade Federal de Pernambuco). Natural  de  Oeiras,  Estado  do  Piauí  (1948).

Cadeira nº 26 – MAGNO PIRES Alves Filho

(1942). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 26 da APL – Advogado, jornalista e escritor, nascido no município de Batalha (PI), no dia 27-12-1942. Filho de Magno Pires Alves e Maria do Rego Lajes Alves. Bacharel em Direito pela tradicional Faculdade da Universidade de Pernambuco e em Administração de Empresas pela Faculdade de Olinda. Foi membro do Serviço Jurídico da União…

 Cadeira nº 27 – REGINALDO MIRANDA da Silva

(1964). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 27 da APL. Presidente da APL – Historiador, contista e cronista. Nasceu em 17 de agosto de  1964,  graduou-se em Direito  pela Universidade Federald o Piauí (1988). O Político. Foi vice-prefeito em sua terra natal. Bibliografia. Bertolínea: história, meio e homens (1983); Cronologia histórica do município de Regenaração (2002); Aldeamento de Acoroás (2003);

Cadeira nº 28 MOISÉS Ângelo de Moura REIS

(1946). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 28 da APL –Nasceu em 13 de fevereiro de 1946, na cidade de Oeiras. Filho de Hipólito Constâncio da Silva Reis e de Maria de Jesus Moura Reis. Formado em direito pela Universidade Federal do Piauí. Mestre em Direito Internacional Econômico e Tributário pela Universidade Católica de Brasília. É advogado e escritor.

Cadeira nº 29 – AFONSO LIGÓRIO Pires de Carvalho

(1928). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 29 da APL – (Porto Alegre, Piauí, hoje Luzilândia, 20.10.1928). Jornalista, cronista, contista e professor. Descendente de uma das mais tradicionais famílias piauienses – Pires de Carvalho. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Jornalista dos mais conceituados e dinâmicos da imprensa brasileira Teve merecido destaque a sua atuação nos jornais Última Hora, de São Paulo…

Cadeira nº 30 – ÁLVARO dos Santos PACHECO

(1933). Terceiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 30 da APL – Poeta, jornalista e político, nascido em Jaicós, Estado do Piauí (1933). Bacharel em Direito pela Universidade do Rio de Janeiro (1958). O jornalista. No Piauí, manteve durante muitos anos uma coluna diária no jornal Folha da Manhã. Tem uma intensa atividade na imprensa carioca e paulista…

 Cadeira nº 31 – HOMERO Ferreira CASTELO BRANCO Neto

(1943). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 31 da APL – Homero Castelo Branco, ou Homero Ferreira Castelo Branco Neto, nasceu na cidade de Amarante, Piauí, em 3 de abril de 1943, filho do Des. Herbert de Marathaoan Castelo Branco e de Hosana Pontes Castelo Branco. O que sabe de saber, seu pai lhe ensinou.

Cadeira nº 32 FELIPE MENDES de Oliveira

(1949). Segundo e Atual Ocupante da Cadeira nº 32 da APL. Nasceu em 19 de abril de 1949, no município de Simplício Mendes, Piauí. É economista e professor aposentado da Universidade Federal do Piauí. Tem uma longa experiência na vida pública, iniciada aos 26 anos, quando exerceu o cargo de secretário estadual de Fazenda, no Governo Dirceu Arcoverde. Deputado Federal Constituinte. Exerceu ainda dois mandatos parlamentares na Câmara Federal.

Cadeira nº 33 – NELSON NERY Costa

(1959). Segundo Ocupante da Cadeira nº 33 da APL. Presidente da APL – (Teresina-PI, 21-03-1959). Pais: Ezequias Gonçalves Costa (1919-2005), que foi deputado federal, secretário de estado, advogado e empresário, por sua vez filho do empresário e político Gervásio Raulino da Silva Costa (1895-1986), e Maria da Glória Nery Costa(1927). Professor, jurista, historiador e contista.

Cadeira nº 34 – ZÓZIMO TAVARES Mendes

(1962). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 34 da APL – Nasceu em Novo Oriente-CE, em 4 de abril de 1962. Viveu a sua infância e parte da adolescência em Água Branca, Piauí. É formado em Letras e em Jornalismo. Foi editor-chefe do jornal O Dia, da TV Clube e do jornal Diário do Povo, além de correspondente do Correio Braziliense no Piauí. É o atual presidente da Academia.

 Cadeira nº 35 – Maria NERINA Pessoa CASTELO BRANCO

(1935). Primeira e Atual Ocupante da Cadeira nº 35 da APL – Poetisa, contista, cronista e professora, nascida em Teresina (1935). Bacharela em Direito. Tem licenciatura em Filosofia. Professora titular na Universidade Federal do Piauí. Membro do Conselho Estadual de Cultura.

Cadeira nº 36 – Francisco de ASSIS Almeida BRASIL

(1932). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 36 da APL – Romancista, cronista, crítico literário e jornalista, nascido na cidade de Parnaíba, Estado do Piauí, em 1932. Teve e tem uma intensa participação na imprensa nacional. Crítico Literário do Jornal do Brasil, 1956-1961; Colunista Literário do Caderno B do Jornal do Brasil 1963-64;

Cadeira nº 37 – HEITOR CASTELO BRANCO Filho

(1929). Terceiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 37 da APL – Engenheiro, escritor e jornalista, nascido em Teresina, Estado do Piauí, a 20-06-1929. Descende de uma família de escritores. Filho de Heitor Castelo Branco e de Emília Leite Castelo Branco. O pai, Heitor Castelo Branco, é patrono da cadeira nº 37 da Academia Piauiense de Letras…

Cadeira nº 38 – Manoel PAULO NUNES

(1925). Primeiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 38 da APL – Professor, conferencista, escritor, crítico literário e jorna lisa. Nasceu em Regeneração, Estado do Piauí, a 14-10-1925. Bacharel em Direito pela Faculdade do Piauí. Exerceu na área da educação e cultura os mais Importantes cargos e funções: professor de Português nos colégios “Demóstenes Avelino” e “São Francisco de Sales”.

Cadeira nº 39 – CELSO BARROS Coelho

(1922). Primeiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 39 da APL – Professor, jurista, político e escritor, nascido em Pastos Bons, Estado do Maranhão, a 11-05-1922. Pais: Francisco Coelho de Sousa e Alcina Coelho. Fez humanidades no Seminário Menor de Teresina. Bacharelou-se em 1952 pela Faculdade de Direito do Piauí. Ingressou no corpo docente dessa Faculdade Federal como professor de Direito Civil.

Cadeira nº 40 – FIDES ANGÉLICA de Castro Veloso Mendes Ommati

(1945). Terceira e Atual Ocupante da Cadeira nº 40 da APL – Professora, advogada, jurista, conferencista e escritora. Nasceu em Floriano, Estado do Piauí (1945). Formada em Direito pela Universidade Federal do Piauí (1969). Licenciatura em Letras (1963). Curso de Especialização e Metodologia do Ensino Superior (1975). Mestrado em Direito Público pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1978).

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Fonte: Antologia da Academia Piauiense de Letras./ Wilson Carvalho Gonçalves. – Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2018.-470 p. (Coleção 100 ANOS)

CELSO BARROS Coelho

(1922). Primeiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 39 da APL. 

Professor, jurista, político e escritor, nascido em Pastos Bons, Estado do Maranhão, a 11-05-1922. Pais: Francisco Coelho de Sousa e Alcina Coelho. Fez humanidades no Seminário Menor de Teresina. Bacharelou-se em 1952 pela Faculdade de Direito do Piauí. Ingressou no corpo docente dessa Faculdade Federal como professor de Direito Civil. Em seguida, passou a professor titular dessa matéria na Universidade Federal do Piauí. Deputado estadual na legislatura de 1963-1967. Em 1964, teve seu mandato cassado pela Assembleia Legislativa, por imposição do regime militar implantado no País. Afastado da atividade política por dez anos, a ela retornou, em 1974, elegendo-se deputado federal (1975-1979). No pleito seguinte, 1978, foi ainda o candidato a deputado federal mais votado, mas não foi diplomado. Ocupou, novamente, a Câmara Federal no período de 1983-1987. Respaldado pela exuberante cultura jurídica e privilegiada inteligência, teve no parlamento nacional, uma atuação das mais significativas e marcantes, apresentando projetos de magnos interesses nacionais. O deputado Celso Barros era uma figura sempre em evidência, participando dos grandes debates de temas nacionais. No Congresso Nacional destacou-se como relator do Projeto do Código Civil Brasileiro, na parte do Direito das Sucessões. Relatou também o projeto da Lei do Inquilinato. Fez parte da Comissão de Constituição e Justiça e da Comissão do Polígono da Seca. Foi professor visitante da Universidade de Brasília (1984-1986). Procurador autárquico Federal. Pertence às seguintes instituições: Instituto Luso-Brasíletro de Direito Comparado; Instituto dos Advogados Brasileiros; Instituto dos Advogados Piauienses; Academia Piauiense de Letras Jurídicas; Academia de Letras e Artes do Nordeste e da União Brasileira de Escritores (Secção do Piauí). Ex-Presidente da Academia Piauiense de Letras. Ocupa a cadeira nº 39, cujo patrono é José Newton de Freitas. A solenidade de posse ocorreu no dia 29-05-1967, na Casa Anísio Brito. Tem grande número de trabalhos publicados, entre os quais, citamos: Da Poesia Latina na Época de Augusto (tese) 1958; O Estado Brasileiro – do conteúdo político ao social, 1961; Diretrizes para uma ação política, 1963; Imunidades parlamentares, 1964; O Direito como razão e como história, 1964; A Reforma do Código Civil, Revista Forense, nº 224; Universidade em causa, 1973; Jurisprudência como norma jurídica in Estudos em homenagem ao Prof. Washington de Barros Monteiro, São Paulo, Ed. Saraiva, 1982); Eles e os talentos, Câmara dos Deputados (1985); Homens de Ideias e de Ação (1991); Academia Piauiense de Letras – 75 anos

– 1994; Coelho Rodrigues e o Código Civil (Organizador e co-autor), 1998; Darcy Ribeiro – Educador e Antropólogo, 1997, e Rui Barbosa – Estadista do Progresso do Brasil, 1998.

PETRÔNIO PORTELA
vocação para o poder

Em comemoração ao 58º aniversário do Senador Petrônio Portella, vem de ser publicado, sob o patrocínio do Governo do Estado do Piauí, através da Secretaria de Cultura, o livro Petrônio – Depoimentos à História, no qual seu autor, Osvaldo Lemos, reúne depoimentos, ou, como ele próprio diz na introdução, “opiniões de gente ilustre, uma menção gentil e carinhosa de pessoas gradas” sobre o notável político do Piauí.

Nada menos de 32 colaborações estão aí reunidas, todas focalizando, em ângulos e estilos diferentes, a personalidade de Petrônio Portella, que se distinguiu, na política brasileira, pelo senso de oportunidade, pela sua inteligência, pelo seu equilíbrio, pela profunda visão dos fatos políticos, nele realçando-se ao lado de tudo isso o dom profético de ver as coisas com a necessária antecipação e com isso se preparando para os impactos que elas por vezes acarretam.

Inicialmente ligados aos mesmos ideais políticos, fruto de uma coligação partidária que levou ao Governo do Piauí, como primeiro passo de sua ascensão política no âmbito nacional, Petrônio Portella e eu conservamos estreitos laços de amizades pessoal, mesmo depois que as contingências políticas, com o advento da revolução de 1964, nos colocaram em trincheiras opostas, ele como Senador da ARENA e eu como Deputado Federal pelo MDB e após dez anos afastado das lides políticas em consequência da cassação do meu mandato de Deputado Estadual (PDC) pela Assembleia Legislativa de Estado Do Piauí.

No Congresso Nacional os nossos encontros eram frequentes e atravessamos momentos difíceis que o Senador, seja na condição de Líder do Governo, de Presidente do Senado ou de Presidente da ARENA, soube tão bem superar, no âmbito do Congresso, pois colocava acima de tudo o interesse comum da nacionalidade e dos partidos, alheio às questões pessoais pouco construtivas, principalmente em épocas de crise.

O seu esforço para o entendimento, a cooperação, a sua persistente procura do diálogo colocaram no ápice das decisões políticas, sobretudo na fase que precedeu a escolha e eleição do General João Baptista de Figueiredo à Presidência da República.

Assumindo o poder, o atual Presidente confiou a Petrônio Portella o Ministério da Justiça, onde desempenhou papel importante na coordenação da política nacional, vencendo crises, associando Interesses e fortalecendo o poder político.

Aí a morte o colheu de surpresa, enlutando o país, que lamentou, em uníssono, sua perda, exaltando a sua personalidade e glorificando o seu passado de lutas.

Os depoimentos prestados a seu respeito, no livro em apreço, revelam aspectos os mais relevantes do seu caráter, de sua vida e de sua vocação para o poder, não o poder que abastarda ou aniquila a serviço de interesses mesquinhos ou transitórios, mas o poder que é capaz de identificar nos grandes homens o seu espírito Público, o seu ideal, a sua vocação de servir à causa pública, como um dos atributos mais significativos do estadista e do líder.

Líder Petrônio Portella o foi, naquela mesma dimensão com que definiu a personalidade de Bernardo Pereira de Vasconcelos, quando, dele falando em Ouro Preto, assim o exaltou: “Distinga-se, Senhores, no homenageado, uma característica de sua personalidade: a coragem, afirmada nos momentos mais tensos, difíceis e perigosos: quando os homens olvidam os princípios subjugados ao interesse; quando olhando as sugestões gratificantes do momento esquecem o dever de consciência; quando as ovações ensurdecem os auditórios e a consciência popular mistificada pelas paixões aponta como salvadores os descaminhos, nestes momentos o líder se revela, na afirmação contra todos, no perigo do opróbrio injusto, no esquecimento das ambições menores para a grande decisão que fica, marca e eterniza o homem, em sua autenticidade, o líder em toda a fraqueza, certeza para dúvida, esperança para as legiões na luta pelo destino político.

Assim, também, era Petrônio Portella. Vivendo uma época de turbulência política de adaptações difíceis entre o sistema revolucionário a que servia e as exigências da sociedade impaciente por soluções democráticas, soube abrir caminhos, aplainar terrenos e convencer pessoas, ao mesmo tempo que colhia, na sua luta diária os frutos do seu obstinado trabalho em prol da normalidade democrática.

Por isso, pode-se dizer dele o mesmo que ele dissera, ainda na mesma oportunidade, de Bernardo Pereira de Vasconcelos: “Quando os fatos mudaram ele mudou para servir ao País. Fê-lo com o desassombro de que se fundará em reflexões profundas e sobranceiro enfrentava o julgamento superficial dos críticos em plantão, profissionais que só viam o fato em si em exame criterioso de suas causas e seu fundamento.”

A pouca distância que nos separa, no tempo, de sua morte, não nos pode dar a exata medida da sua projeção política, porque a perspectiva histórica se enriquece à medida que os homens e os fatos se distanciam de nós. Enquanto os conservamos em nossa subjetividade nem sempre é possível medi-los com toda justiça, pois muitas vezes o louvor se mistura com a simpatia pessoal e sofre as deformações próprias das afinidades espirituais ou da comunhão de propósitos no convívio de longos anos.

E necessário que o tempo decorrido nos situe no ângulo da estrita objetividade para que a exaltação e o louvor se apresentem como resultado da avaliação de méritos reais que as obras revelam e o espírito assimila.

Quando chegarmos a esse ponto, que só as gerações que o sucederam podem alcançar, o nome de Petrônio Portella terá maior realce de grandeza e se colocará, entre os grandes do passado, como modelo exemplar das gerações presentes.

Fonte: Discurso proferido na Sessão do Congresso Nacional de 13-10-83 / DCN de 14-10-83. COELHO, Celso Barros. Diálogo e Circunstâncias: ideias filosóficas. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2014, Coleção Centenário nº 15.
COELHO, Celso Barros. História da Academia Piauiense de Letras. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2018, Coleção 100ANOS nº 4.
COELHO, Celso Barros. Perfis Paralelos Juristas. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2017, Coleção Século XXI nº 5.

Manoel PAULO NUNES

(1925). Primeiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 38 da APL. 

Professor, conferencista, escritor, crítico literário e jorna lisa. Nasceu em Regeneração, Estado do Piauí, a 14-10-1925. Bacharel em Direito pela Faculdade

do Piauí. Pais: Francisco de Paulo Teixeira Nunes e Raimunda da Silva Nunes. Exerceu na área da educação e cultura os mais Importantes cargos e funções: professor de Português nos colégios “Demóstenes Avelino” e “São Francisco de Sales”. Lecionou Literatura na Faculdade Católica de Filosofia de Teresina e na Universidade Federal do Piauí, onde era professor titular. Presidiu a Fundação do Ensino Superior do Estado e a Fundação Cultural do Piauí. Foi membro do Conselho Estadual de Cultura e da Comissão de Especialistas na Área de Educação (MEC). Exerceu, também, os seguintes cargos e funções: técnico em Assuntos Educacionais (MEC), Juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí e chefe da Representação da Universidade Federal do Piauí, em Brasília. Pertence à Academia Piauiense de Letras, ocupando a cadeira de nº 38, cujo patrono é João Francisco Ferry. A solenidade de sua posse ocorreu em 28-8-1967. Ex-presidente da Casa Lucídio Freitas. Ex- secretário de Cultura do Piauí. Colaborador assíduo e atuante da Imprensa piauiense. Tem trabalhos publicados nos jornais O Dia, Jornal do Piauí, Folha da Manhã, Correio Braziliense e no Jornal de Brasília. Publicou, também, trabalhos nas revistas Clube dos Advogados do Brasil, secção do Piauí, e na Panóplia. Bibliografia. A Geração Perdida, ensaios e notas críticas, 1979; A província Restituída, ensaios e estudos, 1985; O Discurso imperfeito, notas para a história da educação brasileira (1988), e Tradição e Invenção, discursos acadêmicos, 1992.

Manoel Paulo Nunes escreve sobre uma das maiores figuras de nossa cultura: um homem de expressão.

O EXEMPLO QUE FICA

Li há algum tempo interessante comentário de Josué Montello a propósito do desaparecimento de Antonio Lopes, mestre acatado da crítica histórica maranhense e espécie de guia espiritual das novas gerações daquele Estado.

O tema comporta uma larga meditação a propósito da contribuição que tem prestado à vida intelectual dos Estados, onde não existe grande imprensa e as ideias circulam geralmente pela oralidade, através da cátedra ou das bancas de cafés, o apostolado de figuras que se alteiam como verdadeiros luminares no panorama asfixiante da vida intelectual da província.

Tornaram-se eles perfeitos criadores de símbolos e responsáveis por uma salutar renovação de valores, no clima de desencanto em que muitas vezes mergulham, à falta de maiores estímulos, as mais afoitas inteligências.

O fato que me trouxe à lembrança a contribuição do saudoso professor Clemente Fortes à cultura piauiense. Embora não tenha deixado obra escrita através da qual pudesse ser julgado e admirado pelos pósteres, constitui-se, entretanto, em figura realmente de exceção na vida cultural do Estado.

O que sobretudo impressionava aos que de perto conviveram com Clemente Fortes não era apenas a figura do professor, e grande e brilhante expositor que se foi, dono de palavra fácil, rica de emoções e possuindo o invejável  dom  da comunicabilidade, fosse na explanação de sistemática jurídica, de teorias literárias, de linguística ou de doutrinas filosóficas.

O que nele nos causava admiração era, antes de tudo, a capacidade permanente de atualização, em quem, convivendo com os clássicos, bebendo-lhes aos jorros a elegância de estilo e sabedoria, não perdia nunca o contato com os temas atuais.

Recordo-me a propósito, de observação lida a respeito de Azorin, o mestre da novelística espanhola, de quem se disse que se ama o passado emocionante, e porque o ama emocionalmente pode e sabe trazê-lo ao presente, porém não mumificado, como restos anquilosados, com técnica de arqueólogo, senão vivo e palpitante, suculento, atual. E ainda nas contradições em que às vezes incorre ao julgar em duas épocas distantes uma mesma obra, mostra o renovado de suas vivências, o permanente atualiza-se.

Esta a exata perspectiva em que poderemos situar no meio piauiense a atuação profunda e renovadora de Clemente Fortes. Professor, humanista, educador, homem de seu tempo, nele se sentia uma inteligência permanente, inquieta e perquiridora, sempre inclinada a uma nova atitude intelectual de que pudesse resultar a descoberta de caminhos novos, na deslumbrante aventura do espírito.

Isto lhe trouxe a facilidade no convívio com as novas gerações, descobrindo, em contato com os jovens, as mais diferenciadas tendências, procurado encaminhar- nos, dentro daquele clima de exigências que tanto o caracterizam como educador, ora para os estudos de história, de economia ou direito, ora para os de linguística ou literatura, forcejando por transformar cada um de nós em especialista, no campo do magistério, que todos os que de perto privamos de sua inestimável companhia fomos feitos professores.

Vale lembrar ainda em Clemente Fortes o gosto da análise, o impressionante dom de racionalizações, procurando extrair dos acontecimentos, sobretudo os de ordem política e social, nos quais repercute mais de perto a crise de nosso tempo, a exata perspectiva que eles nos possam oferecer, a fim de que nos situemos com objetividade e lucidez.

Daí porque mantinha sempre inalterável a capacidade de ver claro, lúcido o raciocínio, sereno o julgamento, livre de emoções de capacidade de sentir, quando a violência dos fatos e a mesquinharia das paixões imediatas nos tiram a isenção de ânimo e a frieza do julgamento.

Este estilo de vida de Clemente Fortes, mestre de uma geração, aquela que mais de perto sentiu o influxo de sua personalidade multifária, exuberante e comunicativa  e auferiu os benefícios prodigalizados pela sua riqueza intelectual.

Mas não poderia deixar de consignar aqui uma breve referência ao seu velado ceticismo, palpável quando a si próprio se propunha a angústia do temporal e meditava sobre a fugacidade das coisas terrenas, atitude que o faria aproximar-se do quietismo dos clássicos portugueses, com nítidas repercussões no seu culto a Montaigne e Machado de Assis.

Era esse seu ceticismo também uma defesa com que se amava para o julgamento dos fatos contemporâneos, sobretudo quando neles estão envolvidos os donos da verdade, os que procuram impor a todo o custo seus mitos de ocasião, que possuam quando mito aquela durabilidade do sol de um dia, invocada no soneto célebre de D. Francisco Manuel de Melo.

Durante toda sua breve existência, manteve-se ele fiel a este ideário, através de todas as vicissitudes de uma vida sempre alterada pelo mais constante exemplo de dignidade pessoal, quando o arrebatou a morte escura da trágica imagem do verso camoniano, neste último natal de dor e amargura para os que com ele conviveram e lhe sentiram a grandeza espiritual, deixando um pouco mais empobrecida a terra piauiense.

Em sua homenagem desejaria acrescentar as palavras finais do In Memoriam de Jorge Luís Borges dedicadas ao grande Alfonso Reys.

“No profenen las lagrimas el verso
Que nuestro amor inscribe a su memória.” 

Teresina, janeiro de 1975.

Comentários 

Educador na mais legítima acepção do vocábulo. Dedicou o melhor de seu esforço e inteligência à causa da educação brasileira| da qual é emérito estudioso e incentivador. Crítico literário percuciente e perspicaz, mercê de sua vasta erudição e acuidade intelectual que lhe permitem dissecar com proficiência e precisão a obra objeto de sua investigação e análise literária (Elmar Carvalho).

Fonte: NUNES, M. Paulo. Modernismo e Vanguarda – 3ª Série. 3ª ed. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2014, Coleção Centenário nº 22.
NUNES, M. Paulo. Modernismo e Vanguarda – 4ª Série. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2015, Coleção Centenário nº 54.
NUNES, M. Paulo. Modernismo e Vanguarda – 2ª Série. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2017, Coleção Centenário nº 98.

HEITOR CASTELO BRANCO Filho

(1929). Terceiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 37 da APL. 

Engenheiro, escritor e jornalista, nascido em Teresina, Estado do Piauí, a 20-06-1929. Descende de uma família de escritores. Filho de Heitor Castelo Branco e de Emília Leite Castelo Branco. O pai, Heitor Castelo Branco, é patrono da cadeira nº 37 da Academia Piauiense de Letras. A mãe, Lili Castelo Branco, também foi ocupante da referida cadeira, que anteriormente foi ocupada por sua irmã, a escritora Lilizinha Castelo Branco de Carvalho. Obras publicadas: Rio Parnaíba Providências Suplementares à Construção do Porto de Luís Correia, trabalho técnico; Heitor Castelo Branco, Perfil de Um Republicano, biografia; O Sócio da Onça, aventuras; Paz e Guerra na Terra dos Carnaubais, romance histórico, 2ª edição em editoração; Vis Cômica, crônicas; O Pinto Calçudo e Outras Estórias Infantis, contos infantis; Crônicas Marajoaras, crônicas; Petrônio, uma Vocação, biografia; Coronel Pedro Freitas, uma Lição de Vida, biografia; Afinal, quem é Clidenor de Freitas Santos, biografia; O Marisqueiro da Amazônia, romance de aventuras; Piauí para Principiantes, crônicas; Amor de Uma Vida, Vida de Um Amor, romance publicado em capítulos no jornal O Estado; Porque Estava Escrito, romance publicado em capítulos no jornal O Estado; Antônio Gayoso, um Cidadão de Elite; Genu, a Musa de uma Geração; Crônicas da Vida, crônicas publicadas no jornal O Estado; As Academias: História e Importância, tese Acadêmica, no discurso de posse; Arrematei um Zumbi, romance; O Micro paro Principiantes, técnico-educativo. Membro da Academia Piauiense de Letras. Vice-presidente da Academia de Letras e Belas Artes, Vale do Parnaíba – ALBEARTES. Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Estado do Piauí.

A NOIVA DO BOTO

Rosilda era trigueira, olhos grandes e sonhadores, cabelos pretos como a seiva do jenipapo. Busto pequeno, ereto, cintura de pilão e com pernas muito bem torneadas. Pele que fugia da mulata para a cor dos apetitosos jambos, frutinha lasciva como a própria Rosilda.

Moravam em Marajó, na Fazenda Gavinho, dos Engelhard. Fazendo robusta de muitas mil cabeças de gado. Seu pai, o Bernardo, era um dos feitores da propriedade. Caboclo forte, exímio laçador de bois nas pradarias, era respeitado pelos vaqueiros da região, pela sua habilidade com o laço. Tinha meia dúzia de filhotes, duas moças.

– Rosa, já casada, Rosilda, e quatro rapazes, – quatro latagões, afeitos às lides do traquejo do gado.

A Fazenda Gavinho ficava à margem de um largo rio, no município de Soure, com trapiche de embarque para acostagem de grandes barcos que conduziam os bois produzidos, para Belém, onde eram abatidos no CURRO do MAGUARI, moderno abatedouro do Estado.

Rosilda, de uns tempos para cá, ao entardecer, deu de ir para a “fonte” na margem do grande rio. Batia alguma roupa e tomava seu banho vespertino. Voltava já quase escuro, após o pôr do sol.

A mãe sempre a advertia dos perigos das águas guajarinas, prenhes de grandes peixes e de botos, que volta e meia faziam das suas. Contavam-se muitos acontecidos com o boto Tucuxi, que encantava donzelas e as fecundavam. Rosilda sorria dessas abusões de sua ingênua mãe. Dizia:

– Mãe, num vê que isso tudo é pabulice do povo. Boto num mexe cum ninguém. Boto é bicho, cuma iria fazê amô cum moça? Inté tem um bando deles muito mansinho que vive perto da beira; tem um, intão, que todo dia eu jogo cumida pra ele!

Essas perorações, contudo, não modificavam o ponto de vista da mãe de Rosilda.

Ultimamente Rosilda andava mais sonhadora que o trivial Cantava modinhas dolentes, de amor, do folclore marajoara. Mas não tinha namorado, pelo menos à vista.

Certo dia Rosilda começou a ter vômitos, calores súbitos e mal-estares. Atribuiu-se ao consumo excessivo de bacuris, frutas que Rosilda consumia muito, mas que eram um tanto ácidas e indigestas.

O tempo foi passando e um belo dia a mãe desconfiou que a barriguinha de Rosilda estava crescendo além do normal.

Conversa vai, conversa vem, Rosilda admitiu que de fato o boto tinha se afeiçoado muito a ela. Quase todos os dias ela dava-lhe comida na boca, e certo dia confessara que tivera uma “dormição” repentina, e que quando acordara sentira um certo ardor em seu órgão mais íntimo.

O caso causou sensação. Todos admitiram que Rosilda engravidara do boto Tucuxi, já que ninguém vira, uma vez sequer, algum rapaz aproximar-se de Rosilda. Havia unanimidade nesse ponto.

Admitiu-se o fato consumado, como um dos tantos acontecidos.

Um mês decorrido do incidente, houve a novena de S. Sebastião, que é santo muito prestigiado na Ilha.

Apareceu um rapaz que morava às margens do grande rio, distante, porém, quase uma hora de canoa, – que é como os marajoaras medem as distâncias. O jovem chamou Bernardo para um particular, e sem maiores rodeios pediu a mão de Rosilda. Bernardo ficou perturbado com o inusitado da proposta. Pediu ao rapaz tempo para pensar um pouco e consultar a família. Dentro de algumas horas, mais precisamente, depois da novena, daria a resposta.

Reunida a família ficou acorde que teriam de esclarecer a gravidez de Rosilda. Não poderiam, hipótese alguma, enganar o pretendente. Também consultou-se Rosilda sobre se aceitaria o rapaz no caso em que fosse suplantada a dificuldade. Rosilda disse que o rapaz lhe era simpático. Faria gosto.

Após a novena, José, o pretendente, foi convidado para a casa de Tomaz. Reunidos os interessados, isto é, o pai, a mãe, Rosilda e José, foi esclarecido o problema de Rosilda, que estava grávida de dois meses de um boto.

  • Num queremo Já sabe do acunticido. Num causa disgosto rejeitar u pidido, – falou com franqueza Bernardo.
  • Eu arripito u pidido, seu Eu sou o boto que imprenhou a Rosilda.

(In Crônicos Marajoaras)

Comentários 

A convivência de nove anos com a natureza amazônica e as paisagens humanas e sociais que encantaram seus pais terminou inoculando no escritor o desejo de pincelar essas paisagens. […] O Marisqueiro da Amazônia e Crônicas Marajoaras, em que o estilo de um narrador seguro e consciente se projeta na fabulação bem concebida de histórias ricas de ensinamentos de vida. (Herculano de Moraes, in: Jornal Meio Norte, abril- 1998.

Francisco de ASSIS Almeida BRASIL

(1932). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 36 da APL. 

Romancista, cronista, crítico literário e jornalista, nascido na cidade de Parnaíba, Estado do Piauí, em 1932. Teve e tem uma intensa participação na imprensa nacional. Crítico Literário do Jornal do Brasil, 1956-1961; Colunista Literário do Caderno B do Jornal do Brasil 1963-64; Crítico Literário do Diário de Notícias, Rio, 1962- 63; Crítico Literário do Correio da Manhã (Revista Singra e Suplemento Literário), Rio, 1962 e 1972; Crítico Literário de O Globo (Arte e Crítica), 1969-1970; Colunista Literário da Revista O Cruzeiro, Rio, 1965-1976; Crítico Literário do Jornal de Letras, 1964-1989; artigos e ensaios nos seguintes órgãos culturais: Senhor, Mundo Nuevo, Revista do Livro, Leitura, Enciclopédia Bloch, Usina, suplemento de O Estado de São Paulo, Diário Carioca, Tribuna de Imprensa, Jornal do Comércio, Minas Gerais, Correio do Povo, O Povo. Atualmente (1994) faz crítica literária no Tribuna de Imprensa. Bibliografia. Tem 106 obras publicadas. Romances: Tetralogia Piauiense: Beira Rio, Beira Vida, 1965; A Filha do Meio Quilo, 1966; O Salto do Cavalo Cobridor e Pacamão; Ciclo do Terror: Os que Bebem como os Cães e outros. Romances Históricos: Nassau, Sangue e Amor nos Trópicos e Bandeirantes os comandos da morte, etc. Contos: Contos do Cotidiano Triste, História do Rio Encantado e outros. Ensaios: Faulkner e a Técnica do Romance. Assis Brasil é considerado hoje uma das mais cintilantes culturas do país. O Jornal de Letras do Rio de Janeiro, em sua edição de dezembro de 1998, traz o romance Beira Rio, Beira Vida, entre os cem melhores do gênero já publicados no país. Pertence à Academia Piauiense de Letras.

Excerto extraído do livro Bandeirantes: os comandos da morte.

VESPÚCIO OU CABRAL?

Acreditamos, em contrapartida, que foi Américo Vespúcio quem
descobriu, com plena consciência e absoluta lucidez intelectual,
um novo continente autônomo, demonstrando sua existência.

Riccardo Fontana

O historiador italiano acha, “em contrapartida”, que Colombo e Cabral apenas se “depararam” com as terras novas e pensaram que se tratava de parte da Ásia, “isto é, da Índia, a ponto de chamarem de índios seus estranhos, imprevistos e imprevisíveis habitante”. Vespúcio, por via de interesses políticos e econômicos da Espanha Portugal, teria sofrido toda sorte de “calúnias e traição”, passando para o lado obscuro da história oficial daqueles países. Salva-o, no entanto, as inúmeras cartas que deixou, algumas “apócrifas”.

Os eruditos têm trabalhado sobre elas, não para desmoralizar Pedro Álvares Cabral, mas para repor a história nos seus devidos lugares, destacando Américo Vespúcio, entre outros italianos, como o cartógrafo e o geógrafo que oficializou, cientificamente, a existência do Brasil. Ele corrigiu mapas, influenciou outros, viajou incansavelmente naquele ocaso e alvorecer dos séculos XV e XVI.

Embora haja referência gráfica nos mapas revisados por Américo Vespúcio, do nome Brasil – “Rio do Brasil” ou “Terra do Brasil”, atribuído o nome, na tradição acadêmica, à madeira cor de brasa das florestas tropicais, foi o cosmógrafo alemão Martin Waldseemuller, em 1507, que, “reconhecendo a extraordinária descoberta da quarta parte do mundo pelo florentino”, quis chamá-la de América. Os historiadores têm engolido os dois termos pacificamente, embora saibamos que as origens toponímicas sejam outras.

Entre as novas descobertas dos historiadores, destaca-se a amizade de Colombo e Vespúcio, desde mesmo 1493, quando aquele navegador voltava da sua histórica viagem “às neodescobertas ilhas do Caribe, pensando ter tocado Catai ou Cipango, ou seja, a China e o Japão”. Colombo, em carta a seu filho Diego, dá conta dessa amizade com o florentino. “Não há dúvida de que os dois protagonistas da descoberta da América, Colombo em nome da Espanha e Vespúcio em nome de Portugal, continuam sendo vítimas de uma série de acusações de traição, espionagem”, “sendo Vespúcio o mais vilipendiado”, observa Riccardo Fontana.

Todo o importante livro de Riccardo Fontana, O Brasil de Américo Vespúcio (1994), gira em torno do restabelecimento da verdade acerca dos contatos do navegador em relação ao Brasil, desde mesmo aquele convite de D. Manuel I para ele capitanear uma frota de reconhecimento das novas terras. Vespúcio aceita o convite, mas logo surgiriam suspeitas de que aceitara tal trabalho a fim de fazer espionagem para a Espanha. “De fato, era da conveniência espanhola ter um informante ou talvez um espião estrangeiro precisamente como protagonista de uma expedição da potência rival”.

Vespúcio comanda frota de três caravelas e vai empreender “a mais prestigiosa de suas viagens”. Era a sua terceira viagem ao Novo Mundo, mas, entre 1499 e 1502, Vespúcio já tinha navegado por toda costa centro-sul americana e costas norte e nordeste do Brasil, “reconhecendo o rio das Amazonas, mas sem a possibilidade de desembarcar”. A data de 7 de agosto de 1501 é importante, pois é Vespúcio quem coloca o primeiro marco de posse dos portugueses nas novas terras. Local: Rio Grande do Norte.

Outros historiadores, que já admitem ter sido Vespúcio o verdadeiro descobridor do Brasil, apontam outro dado positivo em favor do italiano, ou seja, o de ter permanecido por longo tempo neste lado de cá, em contraposição “à forçada e inesperada parada de Cabral, por apenas dez dias, na atual costa sul da Bahia”.

Américo Vespúcio era de fato um aventureiro fanático, um piloto-navegador sem igual, pois até os degredados, abandonados por Cabral em Porto Seguro, ele recolheu, isso na viagem de 1503, quando aqueles homens passaram a lhe servir de intérpretes entre os índios. E que agora o italiano tinha a missão portuguesa de construir feitorias e fortes, e de assentar o marco de mármore, o Marco do Descobrimento, “legalizando” a posse da terra.

Depois da construção de outras feitorias e fortes – como a primeira base comercial em Cabo Frio para o embarque da madeira de tinta – Vespúcio planta o terceiro marco de posse portuguesa, ou seja, o de Cananeia – era o ponto extremo sul do domínio lusitano. Vasculhara, assim, Vespúcio regiões do Rio Grande do Norte a São Paulo, não indo mais adiante com receio de atingir “possessões” espanholas.

A curiosidade é que o nome de América, dado pelo frade e cartógrafo alemão Martin Waldseemuller, foi para a parte onde atuou e explorou Vespúcio, ou seja, o Brasil, em reconhecimento de sua obra, mas acabou identificando o continente ou o país do Norte.

“Uma vez posta em seu devido lugar a participação de Vespúcio e de outros navegadores na descoberta do Brasil” […] Riccardo Fontana cita carta do navegador, da época de sua missão de 1501, quando “faz referência ao desembarque de Cabral na Ilha de Vera Cruz”:

– “[…] desembarcaram numa terra onde encontraram gente branca e nua e é a mesma terra que descobri para o rei de Castela” – diz, referindo se à sua expedição espanhola de 1499 nas costas setentrionais do Brasil – com exceção de que está mais para o Oriente […]”

Comentários 

O processo renovador de Beira Rio, Beira Vida; ancorado na incronologia, revoluciona e simplifica a narrativa, sem prejuízo da essência do enredo. Os elementos tradicionais do romance sôo aqui substituídos por uma técnica que revitaliza a função da literatura. (Herculano Moraes)

Ao lado de Rubem Fonseca e de Ana Miranda, o piauiense Assis Brasil forma a trinca de escritores da atualidade voltados para o romance histórico. Após o sucesso de Nassau, sangue e amor nos trópicos, Assis Brasil lança Villegagnon, paixão e guerra na Guanabara. Autêntico romance de Capa- e-espada, permeado de passagens eruditas sobre política e religião, Villegagnon prende a atenção do leitor da primeira à última página, graças à sua força narrativa. (Mário Margutti-RJ)

Mal chegou nas livrarias e já causou polêmica o novo romance histórico do piauiense Assis Brasil, Tiradentes, poder oculto – o livrou da forca. Com base em depoimentos de historiadores e até mesmo de Machado de Assis, o romancista diz que o líder da Inconfidência Mineira não morreu na forca, como garante nossa História, tendo sido substituído no cadafalso por outra pessoa, graças a uma articulação da Maçonaria. (Danilo Ucha-RS)

Fonte: ASSIS BRASIL O Prestígio do Diabo. 2ª ed. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2017, Coleção Centenário nº 83.

Maria NERINA Pessoa CASTELO BRANCO

(1935). Primeira e Atual Ocupante da Cadeira nº 35 da APL.

Poetisa, contista, cronista e professora, nascida em Teresina (1935). Bacharela em Direito. Tem licenciatura em Filosofia. Professora titular na Universidade Federal do Piauí. Membro do Conselho Estadual de Cultura.

Pertence à Academia Piauiense de Letras, ocupando a cadeira nº 35, cujo patrono é Antônio Alves Noronha. Bibliografia. Poesias Modernas I e II, 1964-1965; Cruviana, 1979; Outros Poemas, 1981, e Além do Silêncio, 1994.

O ENCONTRO DO NADA

Porque procurei a vida toda
Aquilo que não pude encontrar
Hoje, sem esperanças – nenhuma luz verde em meus caminhos,
Estou farta desta interminável procura,

Que vai sempre de encontro ao nada!
É possível assim tanta doçura,
Extravasar-se ao léu das coisas,
Sem ritmo, sem objetivo, sem nada, enfim?

É possível entregar-se então ao extermínio,
Desmaterializar-se o corpo quando no final da vida,
Sem levar desta vida uma lembrança?

É possível, sim. É a verdade das coisas,
Uma profusa confusão.
E os complexos…?
Tudo assim, ânsias.
Ao encontro do nada…

DOIS POEMAS PARA DEPOIS…

Quero toda a sensibilidade do mundo,
Entre mim, você e o infinito…
Nada mais! Como exceção,
Os voos dos pássaros

Tão bom meu mundo de lembranças,
Sem amargores e maus presságios;
Feliz, inteiro, no conjugar do verbo amar…

Tão bom meu mundo pretérito,
Que me trouxe ao hoje,
No afago da luz metafísica,
De tudo quanto é bom…
FELIZ, inteiro, no conjugar
Do verbo amar…

(Do livro inédito O Mundo Pretérito)

Comentários 

Cruviana é uma coleção de contos de Nerina que tocam profundamente os nossos sentimentos telúricos. São estórias, fatos, passagens pitorescas, tipos populares, costumes, que nos levam ao passado, a reminiscências, entre os quais citamos: Maria Sapatão, 0 Frutuoso, cenas folclóricas e tradições religiosas; Clube dos Diários e a Vesperal das Seis: a Velha Salamanca. São contos e estórias de episódios bem sentidos, traduzidos com muita sensibilidade por uma escritora que além de ser uma primorosa poetisa, aparece em Cruviana como uma cronista que soube exteriorizar no seu livro todo sentimento que lhe ia n’aima, e o fez como só fazem os bons cronistas. (Wilson Gonçalves)

Fonte: CASTELO BRANCO, Nerina. Outras Poesias e Além do Silêncio. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2014, Coleção Centenário nº 51.

ZÓZIMO TAVARES Mendes

(1962). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 34 da APL. 

Nasceu em Novo Oriente-CE, em 4 de abril de 1962. Viveu a sua infância e parte da adolescência em Água Branca, Piauí. É formado em Letras e em Jornalismo. Foi editor-chefe do jornal O Dia, da TV Clube e do jornal Diário do Povo, além de correspondente do Correio Braziliense no Piauí. Presidiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Piauí. Foi secretário de Comunicação de Teresina e professor da Universidade Federal do Piauí. Integra a equipe de jornalismo do Grupo de Mídia Cidade Verde – TV, Rádio e Portal. Publicou livros de humor, literatura, jornalismo e biografias. Tomou posse na APL em 10 de dezembro de 2002. É o atual presidente da Academia.

Fragmentos do seu discurso de posse na Academia Piauiense de Letras, cadeira nº 34:

A LITERATURA DE CORDEL REPRESENTA A FISIONOMIA CULTURAL DO NORDESTE

Entre os membros desta Casa que se deleitam com o cordel cito os poetas Altevir Alencar, Francisco Miguel de Moura e Lima Cordão e o romancista William Palha Dias.

O cordel é literatura e é o jornalismo. Foi o primeiro jornal do nosso sertão esquecido, antes do aparecimento do jornal impresso, do rádio e da televisão, naquelas regiões abandonadas.

Fiz esta introdução para significar, solenemente, a importância da Literatura de Cordel não apenas em minha alfabetização, mas em minha formação cultural.

O cordel foi minha primeira experiência estética.

No jornalismo 

Nessa minha volta ao passado encontro-me, agora, na redação do jornal O DIA, em 1980, ainda Imberbe. Não havia no Piauí nossa Escola de Comunicação.

Pelas mãos dos jornalistas Francisco Leal e Herculano Moraes fraternos amigos e que à época chefiam a redação, fui lotado no setor de telex, para corrigir o material com as notícias do dia.

Desse noticiário fornecido pelas agências nacionais e internacionais de notícias tirei as matrizes de meus textos jornalísticos.

Entreguei-me de corpo e alma ao jornalismo, para a minha inebriante. Passei para a reportagem. Fiz uma carreira meteórica. Logo ascendi à Secretaria de Redação. Dez anos depois, já havia passado pelos principais postos em jornal, rádio e televisão.

No rádio e, depois, na TV, tive o prazer de trabalhar com dois de meus ídolos na juventude, os jornalistas Carlos Said, Dídimo de Castro, Joel Silva, Arimateia Azevedo, o próprio Herculano Moraes e outros talentosos jornalistas que já cumpriram a sua missão, entre os quais recordo, com saudade, Wilson Fernando, Paulo de Tarso Morais, José Eduardo Pereira e nosso inesquecível Arimateia Tito Filho.

Muito aprendi também com diretores de empresas de comunicação. Destaco, entre eles, o coronel Octávio Miranda, presidente do Jornal O DIA, e o jornalista Paulo Henrique de Araújo Lima, presidente da Rádio Difusora.

Literatura e humor 

Apesar da vida agitada como jornalista, em que me afirmava como analista político, eu sentia um vazio em meu espírito. Era um vazio que – não tardei a descobrir – me instigava a fazer também literatura.

Sem grandes pretensões, publiquei meu primeiro livro, Falem Mal, Mas Falem de Mim, em 1989. Foi um sucesso.

Eu dava aqui, no Piauí, uma versão local às peripécias dos nossos políticos, a exemplo do Barão de Itararé, Stanislaw Ponte Preta, Sebastião Nery e outros jornalistas que se dedicaram ao humor político.

Meu livro ganhou repercussão nacional. Suas histórias foram recontadas na Folha de S. Paulo. Logo ganhou segunda edição. Vieram outros volumes e outros virão, ainda, tratando do mesmo assunto.

E por que a opção pelo humor? Porque o humorista, como o poeta de Fernando Pessoa, também é um fingidor, embora dizer o que seja humor não se apresente como tarefa das demais fáceis.

Cada povo, cada época, coda cultura tem, do humor, uma visão particular, multas vezes intraduzível a outra linguagem que não seja a sua própria.

O humor pode aparentar-se ao cômico, se bem que, nem sempre, persiga o riso e, muitas vezes, mesmo ao fazê lo, ultrapasse esse objetivo e alcance a lágrima. Cervantes, em Dom Quixote de La Mancha, esplende como monumento universal do humorismo, com obra-prima ínsuperada e insuportável do gênero.

O humorista se dá o luxo de rir de si mesmo. Realça as mil e uma contradições humanas e, através da candura, da malícia, da observação rara, do cinismo levado à lucidez, revela as incongruências ou a tragicidade da vida.

Humor é coisa séria. Por isso, torna-se eficientíssima medida da infindável comédia humana.

Comentários 

Agora nos dá ele este livro sério, objetivo, em que a evolução histórica de nosso Piauí, em seus aspectos sociais, econômicos, culturais e políticos nos é mostrada, através de uma linguagem bem cuidada e aliciante; numa prosa elegante e sóbria que prende o leitor da primeira à última página. Tem ele tal poder de comunicação que fruímos as páginas desse roteiro sentimental, verdadeiro guia histórico de nossa terra, como se estivéssemos a ler um romance; tal o poder de empa tia que suas páginas parecem transmitir-nos. (M. Paulo Nunes, Ex-presidente da Academia Piauiense de Letras, sobre 100 Fatos do Piauí no Século 20.)