Raimundo Nonato MONTEIRO DE SANTANA

(1926). Primeiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 32 da APL. Presidente da APL. 

Político, professor e escritor, nascido em Campo Maior, Estado do Piauí (1926). Bacharel em Direito pela Faculdade do Ceará (1949). É diplomado,

também, pelo Institudo Superior de Estudos Brasileiros, em Economia Política e Sociologia. Ex-professor catedrático de Economia da Universidade Federal do Piauí. Lecionou, também, na Universidade Federal de Brasília e na Escola Superior de Guerra. Foi Prefeito Municipal de sua terra natal no período de 1951-1955. Na sua área de especialização profissional e cultural exerceu os mais importantes cargos e funções em nosso Estado, entre os quais destacamos: vice-diretor do escritório regional da SUDENE e secretário de Planejamento do Estado. O Escritor. Fundou o Movimento de Renovação Cultural do Piauí (1960) e o Centro de Estudos Piauienses (1957). Trabalha atualmente com o objetivo de fundar a Fundação de Apoio Cultural do Piauí. O professor Raimundo Santana desde jovem é inegavelmente um batalhador incansável em prol do desenvolvimento de nossa cultura. Pertence à Academia Piauiense de Letras cadeira nº 32, da qual foi seu Presidente. Membro do Conselho Estadual de Educação e do Instituto Histórico e Geográfico Piauiense. Bibliografia. O Desenvolvimento Econômico Nacional na Teoria Econômica Geral, tese, 1959; Aspectos de Uma Ideologia para o Desenvolvimento; Introdução à Problemática da Economia Piauiense, 1957; A História da Obra de José de Alencar; A Evolução Histórica da Economia do Piauí, 1964; Vale do Longá e Perspectiva Histórica do Piauí, 1965, e Piauí: Formação – Desenvolvimento – Perspectivas, 1995.

O SALTO DO MILÊNIO

Este é o título do artigo de Joel de Rosnay, doutor em ciência e Diretor do desenvolvimento e das relações internacionais da “Cité des Sciences et de l’Industrie’’, em França, escrito em 1996, mas recentemente atualizado, no qual, trata, segundo pensa, dos choques enfrentados pelas sociedades industrializadas, em número de dois: a manifestação do universo imaterial e a emergência das pessoas. A exemplo da maioria dos pensadores atuais, ele faz sua leitura do mundo   limitada à contemporaneidade, marcada pela transição entre as sociedade industrial e “informacional”. Na zona de turbulência entre as duas, enfatiza a manifestação do poder dos grupos face ao poder centralizado e a das redes informáticas favorecendo a afirmação dos indivíduos face ao anonimato dos “usuários”.

A primeira dessas sociedades ele a caracteriza pela centralização dos meios de produção, pela distribuição em massa de objetos padronizados, pela especialização das tarefas e pelo controle hierárquico destas. Enumera em seguida os pilares que sustentam o contrato de trabalho na empresa: a unidade de local, de tempo e de função, que ora se despedaçam, tendo em vista a ocorrência da descentralização das tarefas, a dessincronização das atividades e a desmaterialização dasjrocas, que ora ocorrem, com o advento do chamado ciberespaço.”

A emergência das pessoas, ele a vê através do aparecimento de produtores/ consumidores de novos instrumentos interativos que multiplicam os poderes e a eficácia de cada um. Introduz, tendo em vista os novos instrumentos interativos, principalmente o computador pessoal, multimídia e comunicante, e os novos espaços de comunicação em que aparece a Internet, a idéia, em decorrência dessa lógica situacional, do que ele denota como “empresa unipessoal multinacional”, ou seja, uma pessoa dominando os instrumentos próprios das novas tecnologias comunicacionais e informacionais capaz de  concorrer com empresas já implantadas.

Trata, por fim, de dois aspectos realmente importantes: a impotência dos políticos diante da nova situação e das características do novo espaço econômico, social e cultural chamado de “ciberespaço”, para os quais as análises dos que vivem e racionam conforme o antigo modelo, tomado de empréstimo à geometria ou à mecânica, não bastam. São inservíveis.

A diferença cultural é exemplificada por ele com base no desenvolvimento da nova economia de redes. O esquema que regia a sociedade “industrialista” e a economia de mercado não pode mais ser aplicado. A economia mercantil não garante mais ao Estado os meios de que precisa, os quais, aliás, se tornam insuportáveis. Os “motores” do crescimento, por sua vez, deixaram de funcionar. Daí a manifestação de três graves fenômenos: a redução do crescimento econômico, o aumento do desemprego e a contestação do papel tradicional das elites políticas e econômicas.

Uma nova dimensão cultural emerge, cujo estudo se faz necessário a fim de que se possa construir com lucidez o mundo de amanhã. Em seus próprios termos, Joel de Rosnay arremata: o pensamento cartesiano, analítico, linear, sequencial e proporcional partilhado por tantos homens de decisão pertence ao passado. E conclui: a cultura da complexidade, integrante do novo paradigma, refere-se ao pensamento sistêmico, ao não-linear, ao multidimen- sional e integra a dinâmica dos efeitos de amplificação (In Jornal Meio Norte de 19-9-1999).

Fonte: MONTEIRO DE SANTANA, R. N. Evolução Histórica da Economia Piauiense e Outros Estados. 2ª ed. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2018, Coleção Centenário nº 78.