Natural de Oeiras, o escritor e ex-governador do Piauí ocupa a Cadeira 12 da instituição e reúne uma trajetória marcada pela produção literária e pela atuação política
Antes de ocupar cargos de destaque na política brasileira, José Wellington Barroso de Araújo Dias já construía uma trajetória no universo das letras. Natural de Oeiras, no Piauí, o escritor, contista e cronista é membro da Academia Piauiense de Letras (APL), onde ocupa a Cadeira 12, que tem como patrono Antônio Coelho Rodrigues. Sua produção literária inclui contos premiados, peças teatrais e livros de crônicas que dialogam com a cultura regional e o cotidiano político.
Nascido em 5 de março de 1962, Wellington Dias é filho do caminhoneiro Joaquim Antônio Neto e da professora Teresinha Araújo Dias. Embora tenha nascido em Oeiras, passou parte de sua infância e juventude no município de Paes Landim, localizado no Vale do Fidalgo. Sua formação inclui estudos em Letras pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), em 1982, além de estudos em Políticas Públicas e Governo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1998.
Ao longo de sua trajetória profissional, atuou como bancário no Banco do Nordeste do Brasil, no Banco do Estado do Piauí e na Caixa Econômica Federal, instituição da qual é funcionário aposentado de carreira. Também teve passagem pela comunicação, trabalhando na Rádio Difusora de Teresina.
Produção literária e reconhecimento acadêmico
A relação de Wellington Dias com a literatura ganhou destaque ainda no início da década de 1980. Em 1980, seu livro de contos Macambira recebeu premiação no Concurso de Contos João Pinheiro, promovido pela Secretaria Estadual de Cultura. A obra seria publicada em 1995, consolidando parte de sua produção como contista.
Outros trabalhos também receberam reconhecimento, como o conto Maria Valei-me, que conquistou menção honrosa no mesmo concurso, em 1984. O escritor participou ainda das coletâneas O Conto na Literatura Piauiense, publicada em 1981, e Novos Contos Piauienses, de 1984.
Sua produção se estendeu ao teatro, com as peças Reisados da Minha Terra e Estamos Todos Inocentes. No campo das crônicas, lançou As Tiradas de Tio Sinhô, em 2007, e A Melancia do Presidente, em 2018, obras que exploram o humor político como elemento narrativo.
O reconhecimento dessa trajetória literária ganhou um novo capítulo em 12 de fevereiro de 2022, quando Wellington Dias foi eleito para a Academia Piauiense de Letras, sucedendo Wilson Carvalho Gonçalves na Cadeira 12. A posse ocorreu em 19 de março do mesmo ano, em solenidade na qual foi recebido pelo acadêmico Zózimo Tavares Mendes.
Como sexto ocupante da cadeira, Wellington passou a integrar uma instituição dedicada à preservação, valorização e difusão da literatura e da memória cultural piauiense.
Da atuação sindical à política
Paralelamente à atividade literária, Wellington Dias construiu uma carreira ligada ao movimento sindical e à política. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) em 1985 e participou da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Entre 1986 e 1989, presidiu a Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal (Apcef), assumindo posteriormente a presidência do Sindicato dos Bancários do Estado do Piauí, entre 1989 e 1992.
Sua trajetória eleitoral começou em 1992, quando foi eleito vereador de Teresina. Dois anos depois, conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa do Piauí. Em 1998, tornou-se o primeiro deputado federal eleito pelo PT no estado.
Em 2002, foi eleito governador do Piauí, cargo para o qual conquistou a reeleição em 2006. Posteriormente, foi eleito senador em 2010 e retornou ao governo estadual após vencer as eleições de 2014 e 2018, completando quatro mandatos à frente do Executivo piauiense.
Durante sua atuação como governador, participou da articulação do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste, conhecido como Consórcio Nordeste, cuja presidência assumiu em setembro de 2020. A iniciativa reúne estados da região em ações de cooperação e desenvolvimento de políticas públicas.
Em 2022, foi novamente eleito senador pelo Piauí. No ano seguinte, licenciou-se do mandato para assumir o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Uma trajetória entre as letras e a vida pública
A presença de Wellington Dias na Academia Piauiense de Letras reúne duas dimensões de sua trajetória: a produção literária iniciada na juventude e a participação na vida pública do estado. Enquanto sua carreira política ganhou projeção nacional, sua atuação como escritor permanece registrada em contos, crônicas, peças teatrais e coletâneas da literatura piauiense.
Ao ocupar a Cadeira 12 da APL, o escritor passou a integrar a sucessão acadêmica de Antônio Coelho Rodrigues, patrono da cadeira, e de Wilson Carvalho Gonçalves, seu antecessor, acrescentando sua produção literária à história da instituição.
Por: Pâmela Chaves