De Clodoaldo Freitas ao atual ocupante, Antônio Fonseca dos Santos Neto, trajetória da cadeira atravessa diferentes gerações de intelectuais e preserva a memória literária do Piauí.
A história da Cadeira nº 1 da Academia Piauiense de Letras (APL) é marcada pela contribuição de escritores, religiosos, educadores e intelectuais que ajudaram a construir a vida cultural do estado. Desde a fundação da instituição, em 30 de dezembro de 1917, seis acadêmicos ocuparam a cadeira, cujo patrono é o desembargador José Manuel de Freitas. O atual titular é o historiador Antônio Fonseca dos Santos Neto.
Com sede em Teresina, a Academia Piauiense de Letras foi criada com o objetivo de valorizar a língua portuguesa, incentivar a produção literária e preservar a memória intelectual piauiense. Ao longo de sua história, a instituição reuniu personalidades que contribuíram para a literatura, a história, a educação e o pensamento no estado.
O patrono da Cadeira nº 1, José Manuel de Freitas, conhecido como Desembargador Freitas, nasceu em 1832 e morreu em 1887. Magistrado e político, exerceu funções públicas em diferentes províncias brasileiras. Sua trajetória está relacionada à história política e jurídica do século XIX, e sua memória foi escolhida para representar simbolicamente a cadeira na Academia.
O primeiro acadêmico a ocupar a Cadeira nº 1 foi Clodoaldo Severo Conrado de Freitas, nascido em Oeiras, no Piauí, em 1855. Escritor, jornalista, advogado, magistrado, poeta, historiador e cronista, Clodoaldo teve papel importante na formação da vida intelectual piauiense. Foi um dos fundadores da Academia Piauiense de Letras e seu primeiro presidente, cargo que exerceu de 1917 a 1919. Sua produção literária e histórica contribuiu para registrar acontecimentos, personagens e aspectos da sociedade de sua época.
Entre suas obras estão História do Piauí, Vultos Piauienses e Em Roda dos Fatos. Sua atuação também ultrapassou as fronteiras do estado, tendo participado da fundação da Academia Maranhense de Letras, em 1908. Clodoaldo Freitas morreu em Teresina, em 1924, deixando uma contribuição significativa para a memória histórica e literária brasileira.

O segundo ocupante foi Cirilo Chaves Soares Carneviva, conhecido como Padre Cirilo Chaves, nascido em 1894 e falecido em 1936. Sacerdote e intelectual, integrou uma geração de personalidades que associaram a formação cultural à atuação religiosa e à vida pública. Sua presença na Academia representa a participação de integrantes do clero na construção do pensamento e da produção intelectual do Piauí nas primeiras décadas do século XX. Padre Cirilo permaneceu na cadeira até sua morte, em 1936, quando a sucessão acadêmica abriu espaço para outro representante da intelectualidade piauiense.

O terceiro ocupante foi Esmaragdo de Freitas e Sousa, nascido em 1887 e falecido em 1946. Sua trajetória está vinculada à tradição intelectual piauiense e à história da família Freitas, que teve representantes importantes na vida cultural do estado. Ao assumir a cadeira após a morte de Padre Cirilo, Esmaragdo deu continuidade à representação de nomes ligados à formação histórica e literária do Piauí. Permaneceu como titular até 1946, ano de seu falecimento.

O quarto nome a ocupar a Cadeira nº 1 foi Avelar Brandão Vilela, conhecido como Dom Avelar, nascido em 1912 e falecido em 1986. Natural de Viçosa, em Alagoas, destacou-se como sacerdote, bispo, arcebispo e cardeal da Igreja Católica. Dom Avelar foi arcebispo de Teresina a partir de 1955 e, durante sua atuação no Piauí, participou de iniciativas importantes nas áreas da educação, da comunicação e da assistência social. Entre suas contribuições estão a criação da Faculdade Católica de Filosofia do Piauí e a fundação da Rádio Pioneira de Teresina.
Em 1971, foi transferido para a Arquidiocese de Salvador. Dois anos depois, em 1973, foi nomeado cardeal pelo papa Paulo VI. Também presidiu o Conselho Episcopal Latino-Americano, instituição que reúne conferências episcopais da América Latina e do Caribe. Sua trajetória demonstra como a atuação religiosa pode alcançar outros campos da vida pública, especialmente a educação e a comunicação. Dom Avelar morreu em Salvador, em 1986.

O quinto ocupante foi Alberto Tavares e Silva, nascido em 1918 e falecido em 2000. Sua trajetória integra a sucessão de intelectuais que mantiveram a Cadeira nº 1 vinculada à vida cultural piauiense durante a segunda metade do século XX. Ele assumiu a vaga após a morte de Dom Avelar Brandão Vilela e permaneceu como titular até 2000, ano de seu falecimento. Com sua saída, a cadeira passou por nova sucessão, preservando a continuidade institucional característica da Academia Piauiense de Letras.

O sexto e atual ocupante da Cadeira nº 1 é Antônio Fonseca dos Santos Neto, nascido em 16 de fevereiro de 1953, em Passagem Franca, no Maranhão. Professor, advogado e historiador, mudou-se para Teresina no final da década de 1960 e construiu sua trajetória acadêmica e profissional no Piauí. Graduado em História e Direito pela Universidade Federal do Piauí, desenvolveu carreira no ensino superior, na pesquisa histórica e na produção intelectual.
Na universidade, exerceu funções administrativas e acadêmicas, entre elas a direção do Centro de Ciências Humanas e Letras. Sua atuação está relacionada aos estudos sobre a história do Brasil e do Piauí, a memória social e a preservação do patrimônio histórico. Ao ocupar a Cadeira nº 1, dá continuidade a uma linhagem acadêmica iniciada por Clodoaldo Freitas e mantida por diferentes gerações de intelectuais. Antônio Fonseca dos Santos Neto também exerce a presidência da Academia Piauiense de Letras.

A trajetória da Cadeira nº 1 evidencia a diversidade de experiências profissionais e intelectuais que contribuíram para a história da Academia Piauiense de Letras. Ao longo de mais de um século de existência da instituição, a cadeira foi ocupada por escritores, religiosos, educadores e pesquisadores, cada um inserido em seu próprio contexto histórico.
Da atuação de Clodoaldo Freitas, um dos fundadores e primeiro presidente da Academia, ao trabalho de pesquisa histórica desenvolvido por Antônio Fonseca dos Santos Neto, a sucessão dos titulares representa a continuidade de um projeto institucional dedicado à literatura, à cultura e à preservação da memória do Piauí. Mais do que uma numeração no quadro acadêmico, a Cadeira nº 1 simboliza a permanência de uma tradição intelectual que atravessa gerações e contribui para a valorização da história cultural piauiense.

Por: Sol Castelo Branco