FRANCISCO MIGUEL de Moura

(1933). Quinto e Atual Ocupante da Cadeira nº 8 da APL.

Poeta, ensaísta, cronista, cronista, romancista, jornalista e crítico literário. Nasceu no lugar Jenipapeiro, Picos, Estado do Piauí, hoje Francisco Santos, em 1933. Bacharel em Literatura Plena e Letras. Pós-graduação em Crítica de Arte pela Universidade Federal da Bahia.

Bibliografia. No campo da poesia: Areias, 1966; Pedra em Sobressalto, 1974; Universo das Águas, 1979; Bar Carnaúba, 1983; Quinteto em Mi(m), 1886; Sonetos da Paixão, 1988; Poemas Ou/tonais, 1991; ensaios: Linguagem e Comunicação em O. G. Rego de Carvalho, 1972; APoesia Social de Castro Alves, 1979. Romances: Os Estigmas, 1984; Laços do Poder, 1991; Ternura, 1993; contos: Eu e o Meu Amigo Charles Brown, 1986, e E a Vida se Fez Crônica, 1996. Francisco Miguel organizou a antologia de contos e autores piauienses – Piauí, Terra, História e Literatura (1980). Pertence à Academia Piauiense de Letras ocupando a cadeira nº 8, cujo patrono é José Coriolano de Sousa Lima, e ao Conselho Estadual de Cultura.

MILITÂNCIA

semente que tentou florir no rocha impossível, aqui. por trás da farda
de brim cáqui floriano preso na hierarquia.
por trás do capacete duro uma cabeça ágil, fervente,
por trás da violência de escravo (no dever?)
há um homem ferido e acorrentado (seja paz, seja guerra)
por trás dos olhos ligeiros de lince, de lança
há o homem-fome,
o homem-faz-medo-a-criança por trás, os olhos feridos
de distância
e o comum dia a dia.
tu vês (por profissão)
o campo de batalha no inimigo-irmão.
sabes ser leal ao dono e diferes do cão.
embora tudo isto
a cachaça e a sífilis
(e a gota de sangue do coração).

Comentários 

[…] Assim é que, depois de profundo mergulho no passado, sem qualquer interferência onírica, imbuído da pura realidade que lhe oferece a vida de indormidas noites na perseguição do crescente ideal de produzir, oferece-nos esta bela coletânea de crônicas de sua lavra. Trabalho elaborado na oficina de sua inteligência, enfeixa fragmentos de sua vida. Suas crônicas se assemelham ao esforço de um mestre em ourivesaria que recolheu, para seu trabalho, acendalhas auríferas, e as transformou em filigranas para montagem das peças, objeto de sua criação. Evidencia-se, por outro lado, que Chico Miguel não planejou o livro. Montou-o de pedaços como se estivesse arrancando partículas armazenadas do íntimo de sua alma, quando diz; sem se aperceber: “É isto que quero mostrar […]” quando fala de “Um Menino Perdido”. Sabe, em verdade, que não foi um menino perdido como tantos outros de seu tempo. Suas criações; quase todas; estão voltadas para dentro de si mesmo. São, pois, fragmentos de sua vida. Da vida sofrida de um menino do interior, porém, provido de muita inteligência, determinação e capacidade para apreender tudo que a vida sofrida lhe impusera. Desta maneira, tudo armazenou no seu íntimo para, em crônicas, amadurecidas, devolver aos seus pares, aos seus leitores, em forma de lições de vida que tanto dá alegria quanto comove a quem tenha o prazer de lê-las. O grande cronista, em verdade, não precisou criar a história de João Grilo e nem a de Canção de Fogo, nem mesmo de outro trancoso qualquer. A odisséia de menino do interior, vivida e observada pelo autor de E a vida se fez crônica, sem o querer, fê-lo personagem viva. Na produção literária, o difícil não é ser autor, difícil é ser autor e personagem ao mesmo tempo. Isto Chico Miguel conseguiu, e bem. (William Palha Dias, renomado romancista, contista, cronista e membro da Academia Piauiense de Letras)

O escritor Herculano de Moraes assim se expressou:

[…] Chico Miguel dá a sua contribuição, exercendo o domínio de uma dicção poética segura, exemplar, onde os valores cotidianos e existenciais valorizam a sua inventiva linguagem.

Fonte: MOURA, Francisco Miguel. Poesia (In)Completa. 2º ed. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2016, Coleção Centenário nº 56.
MOURA, Francisco Miguel. Posfácio à Literatura Piauiense de João Pinheiro. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2014, Coleção Centenário nº 11/B.