Assombro e silêncio marcam o livro ‘A Visão das Plantas’

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Djaimilia Pereira de Almeida conheceu Celestino, o personagem de A Visão das Plantas (Todavia), 15 anos atrás, num livro de Raul Brandão. Ele estava ali, em Os Pescadores, com toda sua contradição. Um capitão de navio negreiro que volta para casa, em Portugal, depois de cometer inimagináveis atrocidades. Ele, então, passa a se ocupar do jardim de sua casa abandonada – abandonada porque sua mãe e as tias morreram enquanto ele cruzava o Atlântico levando africanos para serem escravizados no Brasil, enquanto ele trancava o porão do navio depois de um companheiro jogar cal sobre todos os cativos durante uma revolta e eles morrerem asfixiados e serem jogados ao mar.

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A Visão das Plantas é o terceiro livro publicado no Brasil desta portuguesa nascida em Angola em 1982. Ele ficou em segundo lugar no Prêmio Oceanos no ano passado (perdeu para Torto Arado). Em 2019, a autora ficou em primeiro, com Luanda, Lisboa, Paraíso (Companhia das Letras), sobre um pai e seu filho que nasceu com uma deformidade no pé. Eles partem para Portugal em busca de tratamento e nunca mais conseguem voltar para Angola. Sua estreia, Esse Cabelo (Leya; em 2022 ele ganha nova edição pela Todavia), a trouxe à Flip em 2017. Djaimilia conversou com o Estadão por e-mail. Leia trechos da entrevista.

Da Exame