ÁLVARO dos Santos PACHECO

(1933). Terceiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 30 da APL. 

Poeta, jornalista e político, nascido em Jaicós, Estado do Piauí (1933). Bacharel em Direito pela Universidade do Rio de Janeiro (1958). O jornalista. No Piauí, manteve durante muitos anos uma coluna diária no jornal Folha da Manhã. Tem uma intensa atividade na imprensa carioca e paulista. Foi redator e crítico literário do Jornal do Brasil e do O Jornal. Colaborou com as revistas O Cruzeiro e Manchete. Fundou e dirigiu a Revista Arquitetura. Editor e empresário. Proprietário e fundador da Editora Artenova Ltda. (1962), um dos maiores parques gráficos do País. Proprietário da Empresa Artenova Filmes Ltda., produtora e distribuidora de filmes. Bibliografia. Suas poesias o situaram como um dos poetas mais expressivos de sua geração. Álvaro Pacheco estreou na literatura nacional em 1958, com o livro de poesias Os Instantes e os Gestos (1958), seguindo-se com Pasto da Solidão (1965); Margem do Rio Mundo (1966), poesias; O Sonho dos Cavalos Selvagens (1967); A Força Humana (1970); A Matéria do Sonho (1971); Tempo Integral (1973); O Homem de Pedra (1975); Balada do Nadador do Infinito (1984), obra premiada com o Prêmio Nacional de Literatura do Pen Clube do Brasil, 1985; Itinerários (1984); Seleção de Poemas, e por último lançou a Geometria dos Ventos (1992). Suas obras literárias alcançaram dimensão internacional, muitas delas estão inseridas um enciclopédias nacionais e internacionais. Num trabalho organizado pela União Brasileira do Escritores foi incluído entre os poetas mais importantes da atualidade, ao lado do Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes. Pertence à Academia Piauiense de Letras. Membro doConselho Federal de Cultura. O político. Suplente de senador pelo Piauí na legislatura 1987 a 1995. Esteve no exercício do mandato nos períodos de 03- 11-1987 a 16-11-1989 e retorna a 26-10-1992. Signatário da Constituição Federal promulgada no ano de 1988.

SÍNTESE

Tua alma é uma província estrangeira
como este corpo que se entrega ao teu
orgasmo
e nele entorpecido
se mantém no limite da loucura.
Teu corpo é uma estação desesperada
em que esta alma se embebeda e se sufoca
na terrível busca das visões – e da sua origem.

E neste leito onde assim se despedaçam
se realizam em síntese única e imponderável
a flor, a pedra, o caule, a chuva e as raízes.

SONETO LÍRICO

Escuta, ó minha amada, o tempo nunca para
e o sorriso mais puro definha e emurchece.
Quer seja alma generosa ou seja alma avara
quer seja anjo ou demônio, seja choro ou prece.

seja o dia escuro, seja a noite mais clara
quer seja o ódio que mata ou o amor que enlouquece
o destino insensato pra tudo prepara
o seu sopro fatal que aniquila e emudece.

Escuta, pois, ó amada, meu apelo enorme
acorda em tua alma teu desejo que dorme
e dissolve em meus braços teus sonhos fatais.

Vivamos com avidez o minuto que passa
amemo-nos por hoje, que tudo é fumaça
e nós dois amanhã não existiremos mais

(Os Instantes e os Gestos, 1958)

Comentários 

Encontro em O Sonho dos Cavalos Selvagens a confirmação de uma poesia que eu sentira viva e em desenvolvimento, e que agora se realiza em várias direções e experiências. O resultado é um impressão forte e duradoura. Poemas como “Mulher” encerram uma funda meditação lírico-existencial,em que o verso serve ao conhecimento, iluminando-o. (Carlos Drummond de Andrade)

Li os originais do seu novo livro, Balada do Nadador do Infinito, e quero louvar a originalidade do tema, o alto nível poético da forma, alcançado em clima de tensão que não decai ao longo dos numerosos poemas. Partindo do suicídio de um homem desconhecido, você como que teatralizou a angústia existencial em face do desconcerto do mundo. Saiu-se bem, sem resvalar nos lugares-comuns e no óbvio das coisas, ao entrecruzar vivências e ideias. Em resumo, não sacrificou a poesia com a abordagem fatual.

Esta Balada enriquece a sua obra literária, já valiosa. Mas não a subverte. Ajusta-se ao seu sentido geral, de alguma maneira clarificando-a. Parabéns. As inovações artesanais, as incursões no ministério demonstram que a sua poesia está em fase de plena vitalidade. (Vitto Raphael dos Santos)