A noite desta quarta-feira (26) reuniu emoção, arte e solenidade no Centro Pastoral Paulo VI, onde o professor e escritor Marcelino Leal Barroso de Carvalho tomou posse como novo imortal da Academia Piauiense de Letras (APL), assumindo a Cadeira nº 13, cujo patrono é Joaquim Ribeiro Gonçalves. A cerimônia reafirmou a presença viva da instituição na vida intelectual do estado, reunindo acadêmicos, familiares e admiradores das letras que celebraram o ingresso de um nome de notória contribuição à cultura piauiense.
Após a entrada protocolar das acadêmicas e acadêmicos, sob a condução da presidente Fides Angélica de Castro Veloso Mendes Ommati, a solenidade abriu-se com a execução do Hino do Piauí, interpretado por um quarteto do Coral da UESPI — Carol Carvalho, Nancy Lima, Johnny Oliveira e Pedro Furtado. A interpretação solene imprimiu ao ambiente a atmosfera de reverência própria das grandes noites da Casa de Lucídio Freitas.
Antes do discurso de posse, os presentes foram agraciados com a apresentação da peça “Es Rauchet das Wasser (Goethe/Brahms)” — “Canto dos Espíritos sobre as Águas”, executada em dueto por Ana Carolina Nunes Carvalho, filha do novo imortal, e pelo barítono Johnny Oliveira. O momento, delicado e profundamente expressivo, estabeleceu o tom de beleza e sensibilidade que marcaria toda a solenidade.
A mesa de honra compôs-se com a presidente Fides Angélica Ommati, a acadêmica Maria do Socorro Rios Magalhães, o acadêmico José Elmar de Melo Carvalho, o acadêmico Nelson Nery Costa, presidente do Conselho Estadual de Cultura, a professora doutora Ana Lúcia Ribeiro Camelo da Silveira, representante da família do antecessor da cadeira, e Ana Carolina Nunes Carvalho, filha do novo acadêmico.
A Comissão de Introdução, formada pelos acadêmicos Cecília Mendes, Padre Tony Batista e Moisés Reis, conduziu Marcelino Barroso à mesa diretiva, reafirmando a tradição e o acolhimento característicos da APL. Em seguida, a acadêmica Maria do Socorro Rios Magalhães, secretária da instituição, fez a leitura do termo de posse, que foi assinado e declarado oficial pela presidente.
Um dos momentos de maior emoção ocorreu quando os filhos Ana Carolina e Sérgio Luís, acompanhados da neta Maria Liz, realizaram a colocação das vestes acadêmicas. O gesto uniu solenidade e afeto, simbolizando a continuidade de uma trajetória marcada por dedicação, estudo e amor pelas letras.
O discurso de Marcelino Barroso trouxe à noite uma dimensão profundamente humana. Entre pausas comovidas e recordações íntimas, o novo imortal falou das dificuldades que enfrentou ao longo da vida, dos desafios que moldaram sua formação e dos êxitos conquistados com persistência. Sua fala, sincera e emocionada, tocou o público ao revelar que a construção intelectual também se ergue sobre vivências de superação e trabalho incansável.
A saudação oficial ficou a cargo do acadêmico José Elmar de Melo Carvalho, que sublinhou a importância da chegada de Marcelino à APL e destacou sua contribuição à educação, ao pensamento jurídico e ao ambiente cultural do Piauí.
A presença de diversas autoridades judiciárias e culturais conferiu ainda mais peso institucional ao evento, entre elas os desembargadores Arnaldo Bozon e Francisco Meton (TRT), o desembargador Francisco Costa Neto (TJ-PI) e o juiz federal João Pedro Júnior, que prestigiaram a solenidade e celebraram o ingresso do novo imortal.
Ao final, a presidente Fides Angélica Ommati evidenciou, em suas intervenções, a estima e a admiração que nutre por Marcelino Barroso, ressaltando a relevância de sua trajetória e o significado de sua presença na Casa de Lucídio Freitas. Suas palavras reforçaram que a chegada de um novo imortal amplia o compromisso da instituição com a cultura e a memória do Piauí.
A cerimônia foi encerrada com a tradicional fotografia oficial e um coquetel de confraternização, reunindo familiares, amigos e autoridades em uma noite que ficará registrada na memória da APL.
Breve perfil do novo imortal
Marcelino Leal Barroso de Carvalho é graduado em Direito e Filosofia pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e mestre em Direito Público pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Especialista em Bioética e Direitos Humanos (ICF) e em Administração Universitária pela Organização Universitária Interamericana (OUI/Canadá), construiu carreira sólida no magistério superior. Foi Professor Adjunto da UFPI, onde exerceu cargos de gestão como Coordenador do Curso de Direito, Chefe do Departamento de Ciências Jurídicas, Diretor do Centro de Ciências Humanas e Letras, Pró-Reitor de Extensão e Assessor Especial do Reitor. É Professor Emérito do Instituto Camilo Filho, instituição da qual foi sócio-fundador e Diretor Geral.
Na advocacia e na vida pública, atuou como Procurador-Geral do Município de Teresina, Auditor Fiscal da Fazenda Estadual e Conselheiro Federal da OAB. No campo cultural, integra instituições como o Instituto Histórico e Geográfico do Piauí (IHGP), a Academia Piauiense de Cultura (APC), a Academia de Letras, Artes e Cultura de Amarante (ALEAMA) e a Comissão Piauiense de Folclore. Participa da Associação dos Amigos da Orquestra Sinfônica de Teresina e é instituidor e mantenedor do Museu do Divino, em Amarante. Possui vasta produção bibliográfica, incluindo livros técnicos, capítulos e artigos em periódicos científicos e culturais.
Sua posse na Cadeira nº 13 inscreve de modo definitivo sua trajetória na história da Academia Piauiense de Letras, reforçando a presença do pensamento humanista no cenário cultural do Piauí.

























