O escritor Nelson Nery Costa apresentou, durante solenidade realizada no Auditório da Academia Piauiense de Letras (APL), detalhes do processo de pesquisa e construção do livro “Um Homem Chamado Ezequias”, obra dedicada à trajetória de Ezequias Gonçalves Costa.
Em sua fala durante o lançamento, o autor revelou que o projeto não surgiu inicialmente com a dimensão de um livro. A pesquisa começou em 2019, a partir de um artigo de aproximadamente 30 páginas publicado na revista do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.
Com o avanço das investigações, novos documentos, fotografias e informações familiares começaram a aparecer, ampliando gradativamente o trabalho.
“O homem chamado Ezequias é uma obra que nasceu aos poucos. Começou com um artigo de mais ou menos 30 páginas, em 2019, na revista do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí. E ela foi ganhando fôlego”, contou Nelson Nery Costa.
Segundo o escritor, a pesquisa o levou a aprofundar conhecimentos sobre cidades, raízes familiares e diferentes gerações ligadas às famílias Costa e Nery, além de outras ascendências.
O processo também permitiu que Nelson Nery Costa conhecesse aspectos até então pouco explorados da trajetória de seu pai, Ezequias, e de seu avô, Gervásio Costa, que igualmente ocupa espaço significativo na publicação.

Documentos familiares que atravessaram gerações
Um dos aspectos destacados pelo autor é a quantidade de documentos históricos e pessoais incorporados à pesquisa. Entre os materiais encontrados estão registros relacionados ao período em que Gervásio Costa foi prefeito de Barras, além de documentos pertencentes a Ezequias.
Nelson comparou o processo de descoberta desse acervo à abertura de antigos baús familiares, dos quais gradualmente surgiam novas peças capazes de ajudar na reconstrução da história.
“Eu fui conhecendo várias coisas do meu pai, recebendo documentos, fotografias, especialmente também do meu avô, Gervásio Costa. Grande parte desse livro é sobre ele também”, relatou.
Entre os documentos preservados na publicação estão convites de batismo e casamento de Gervásio Costa e uma carta comunicando a Ezequias o falecimento da própria mãe.
São registros de caráter íntimo que, reunidos a documentos públicos e fotografias, ajudam a construir o retrato familiar e histórico apresentado no livro.
Para Nelson, parte da experiência da pesquisa esteve justamente na descoberta de informações que pareciam ter permanecido reservadas durante décadas.
“Coisas que pareciam secretas e que foram surgindo, como se a gente estivesse abrindo os baús e as informações, as fotografias fossem aparecendo”, afirmou.
Um “álbum de lembranças”
A fotografia ocupa papel relevante na construção da obra. Segundo o autor, o livro possui um amplo conjunto de imagens, organizadas em projeto gráfico desenvolvido por Paulo Moura.
A intenção, entretanto, não foi produzir simplesmente um álbum fotográfico. Para Nelson Nery Costa, as imagens funcionam como parte da narrativa e dialogam com documentos e recordações acumulados durante a pesquisa.
“É um livro com muita fotografia, com a diagramação muito bonita do Paulo Moura, que permitiu que a gente contasse isso, não como um álbum de fotografias, mas certamente um álbum de lembranças, de todas essas recordações.”
A definição de “álbum de lembranças” ajuda a explicar a natureza da publicação: uma obra construída a partir da combinação de pesquisa, memória familiar, documentos e registros visuais.
Um retrato de Ezequias no século XX
Ao explicar a proposta do livro, Nelson Nery Costa também fez uma distinção sobre o gênero da obra. Apesar de percorrer a trajetória de Ezequias Gonçalves Costa, o autor não a define como uma biografia convencional.
Para ele, “Um Homem Chamado Ezequias” é um ensaio biográfico.
“É uma forma de mostrar o retrato de um homem que viveu ao longo do século XX, teve o seu apogeu na segunda metade, e que contribuiu com os seus escritos, com a sua mensagem, com as ideias que ele tinha e a participação na sua vida. Não é uma biografia, mas é um ensaio biográfico sobre Ezequias Gonçalves Costa.”
A obra procura, assim, recuperar diferentes dimensões de Ezequias por meio dos registros que permaneceram: seus escritos, ideias, documentos, fotografias e as memórias preservadas pela própria família.
O relato apresentado por Nelson Nery Costa durante o lançamento evidencia também como o processo de produção do livro ultrapassou a pesquisa sobre uma única pessoa. Ao percorrer as origens familiares e reunir documentos de diferentes épocas, o autor acabou reconstruindo parte da história de gerações dos Costa e dos Nery, tendo Ezequias como personagem central.
O lançamento ocorreu no Auditório Acadêmico Wilson de Andrade Brandão, na sede da Academia Piauiense de Letras, em Teresina.