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Marco Lucchesi defende “República dos Livros” como espaço de diálogo, diversidade e cultura da paz

Em palestra na Academia Piauiense de Letras, membro da ABL e presidente da Biblioteca Nacional refletiu sobre literatura, língua, memória e o papel das academias na construção do diálogo…
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Por: Assessoria

Data: 16/08/2026

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Marco Lucchesi
Marco Lucchesi

A Academia Piauiense de Letras (APL) recebeu, na manhã deste sábado (15), o poeta, escritor e professor Marco Lucchesi, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e presidente da Fundação Biblioteca Nacional, para a palestra “A República dos Livros”. O encontro, realizado no auditório da instituição, em Teresina, reuniu acadêmicos, escritores, intelectuais e representantes de diferentes áreas do conhecimento.

Em uma exposição que transitou pela literatura, história, língua portuguesa, memória, diversidade cultural e relações humanas, Lucchesi apresentou a ideia da “República dos Livros” como um ambiente no qual as diferenças não impedem o diálogo. Para ele, uma academia pode e deve abrigar divergências, desde que preserve a capacidade de seus integrantes conversarem entre si.

“A República dos Livros se constitui numa academia tão bonita como essa”, afirmou Lucchesi ao se referir à APL. O escritor destacou como exemplo a convivência entre diferentes gerações e dirigentes da instituição e observou que uma academia “pode ter, e precisa ter inclusive, todas as divergências necessárias”, mas deve nascer de uma perspectiva mais ampla, “em que todos conversam”.

Um dos pontos abordados pelo acadêmico foi a própria língua portuguesa. Lucchesi defendeu uma compreensão da língua como patrimônio compartilhado entre diferentes povos, marcado pelas contribuições brasileiras, africanas e de outras culturas. Em uma das imagens utilizadas durante a palestra, afirmou que nenhum país pode reivindicar para si a propriedade exclusiva do idioma: “não somos donos da língua”, mas participantes de uma construção coletiva.

Acadêmicos que compareceram ao evento – Foto: Assessoria

A diversidade linguística existente dentro do próprio Brasil também ganhou espaço. Ao recordar uma discussão sobre o idioma, Lucchesi citou a necessidade de reconhecer as diferentes formas de expressão existentes no território brasileiro, incluindo as “línguas dos sertões”, das comunidades quilombolas e outras manifestações linguísticas que compõem o país.

Piauí e Serra da Capivara entram na reflexão

A passagem pelo Piauí também permitiu a Marco Lucchesi relacionar sua reflexão à riqueza histórica do estado. Durante a palestra, ele recordou que já havia destacado a Serra da Capivara em trabalhos anteriores, classificando-a como elemento fundamental para uma mudança de paradigma na compreensão da presença humana no continente americano.

Segundo Lucchesi, a Serra da Capivara representou uma “verdadeira revolução de paradigma” em relação à temporalidade do homem americano. A referência surgiu enquanto o escritor discutia a profundidade histórica do território e a diversidade cultural brasileira.

O escritor também relacionou literatura e memória ao cuidado com a própria terra. Ao tratar da exploração ambiental e daquilo que chamou de uma terra que “sangra”, abordou a necessidade de preservar a memória do solo e das árvores, inserindo a questão ambiental dentro de uma reflexão cultural mais ampla.

Cultura da paz

Outro eixo da palestra foi a defesa de uma cultura da paz. Lucchesi relacionou o papel das instituições culturais à necessidade de criar espaços de encontro em uma sociedade atravessada por conflitos e divergências.

Ao falar sobre sua experiência em debates públicos, defendeu princípios republicanos, o respeito à democracia, à legislação e a realização de debates nos quais posições diferentes possam coexistir.

Nesse contexto, a “República dos Livros” apresentada por Lucchesi ultrapassa a ideia de uma comunidade formada simplesmente por leitores e escritores. Ela aparece como uma metáfora para uma sociedade em que conhecimento, literatura e cultura ajudam a estabelecer pontes entre pessoas diferentes.

Homenagens e memória

Logo no início de sua participação, Marco Lucchesi demonstrou emoção pela recepção no Piauí e dedicou suas palavras a dois nomes de destaque da cultura e da vida intelectual brasileira: Alberto da Costa e Silva e Evandro Lins e Silva.

Ao recordar Alberto da Costa e Silva, ressaltou não apenas a trajetória intelectual do escritor e diplomata, mas também sua dimensão humana. Para Lucchesi, afeto e inteligência não devem caminhar separados, porque “o afeto é absolutamente imprescindível na inteligência”.

Momento para autógrafos – Foto: Assessoria

Encontro terminou com autógrafos

Ao final da programação na Academia Piauiense de Letras, o encontro entre Marco Lucchesi e o público ganhou mais um momento dedicado à literatura. O palestrante autografou exemplares do livro Poesia Mundi: Novos poemas reunidos, de sua autoria, aproximando-se dos leitores e participantes que acompanharam a palestra.

A sessão de autógrafos encerrou uma manhã dedicada aos livros, à poesia e à reflexão sobre o papel das instituições culturais. Depois de apresentar a “República dos Livros” como um espaço de convivência entre diferentes ideias, Lucchesi concluiu sua passagem pela APL justamente por meio do contato direto com os leitores de sua própria produção literária.

A palestra deste sábado transformou, assim, o auditório da Academia Piauiense de Letras em uma representação concreta da ideia defendida pelo escritor: um ambiente no qual literatura, memória, história, cultura e diferentes pensamentos encontram espaço para conversar.

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