APL recebe imagens inéditas de Alcides Freitas

Poeta Alcides Freitas, no Rio de Janeiro, em foto de 1911.
Poeta Alcides Freitas, no Rio de Janeiro, em foto de 1911.
Poeta Alcides Freitas, em foto de 1911, no Rio de Janeiro.

A Academia Piauiense de Letras recebeu esta semana um presente inusitado e precioso: um álbum digital com imagens até então desconhecidas do poeta Alcides Freitas, patrono da Cadeira 9.

As imagens foram feitas no início do século 20, no Rio de Janeiro. Várias delas são de 1911, ou seja, de dois anos antes do falecimento do poeta.

Elas foram encontradas casualmente pelo poeta Alexei Bueno, ex-diretor do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro.

Ele se comunicou com o cineasta Douglas Machado, seu amigo no Piauí, oferecendo o achado à Academia Piauiense de Letras.

Douglas Machado repassou a informação ao presidente da APL, Zózimo Tavares, que imediatamente entrou em contato com o poeta e recebeu as imagens, precedidas do seguinte e-mail:

Prezado Zózimo,

 Encontrei essa meia centena de cartões postais, ou fotos impressas sobre papel de cartões postais, como era comum na época, no chão, em frente da minha casa. Quase metade deles tem relação direta com o Alcides Freitas, parentes, contraparentes, amigos, etc. Os outros eram cartões do início do século, muitos de escritores, uns tantos sobre a Família Imperial Brasileira. Escaneei todos eles, e lhe mandarei agora aqueles onde há algo escrito, inclusive uma bela foto da Amélia de Freitas Beviláqua e do Clóvis Beviláqua, autografada pelos dois.

Surpresa e agradecimento

O presidente da Academia Piauiense de Letras agradeceu a contribuição do poeta Alexei Bueno à memória histórica da APL, ao repassar gentilmente as imagens à Academia.

A historiadora e acadêmica Teresinha Queiroz, estudiosa há mais de 30 anos da vida e da obra de Clodoaldo Freitas, Alcides Freitas e Lucídio Freitas, recebeu com entusiasmo a notícia que lhe foi repassada pelo presidente da APL: “Fiquei muito surpreendida e feliz com esse achado”.

Alcides Freitas na história 
“O poeta Alcides Freitas foi uma chama votiva e passageira da poesia piauiense”, como assim o definiu Assis Brasil. Vítima de tuberculose, morreu aos 23 anos, mal acabara de se formar em medicina. O poeta quase não teve tempo de ver publicado o seu primeiro livro, Alexandrinos, editado em 1912. Morreu no ano seguinte. A implacável doença mataria, algum tempo depois, o seu irmão Lucídio Freitas, que também estreou na literatura com Alexandrinos.

 Alcides Freitas nasceu em Teresina, em 4 de julho de 1890. Era filho do escritor Clodoaldo Freitas, um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Piauiense de Letras.

 É o patrono da Cadeira 9 da APL, que teve como primeiro ocupante o poeta Lucídio Freitas (1894-1921). A cadeira foi ocupada sucessivamente por Pedro Borges da Silva (1890-1861) e Fontes Ibiapina (1921-1986).

Seu ocupante atual é o acadêmico Hugo Napoleão.

Fonte: ‘Sociedade dos Poetas Trágicos’, 2ª. ed (Teresina, 2006), de Zózimo Tavares.