O desembargador Lirton Nogueira Santos é o mais novo integrante da Academia Piauiense de Letras (APL). Ele tomou posse na Cadeira nº 30 na quinta-feira (3), em solenidade que reuniu acadêmicos, convidados e preservou os ritos tradicionais que marcam o ingresso de novos membros na instituição, entre eles o uso do fardão acadêmico.
A chegada de Lirton à APL representa também a continuidade de uma linhagem intelectual construída por diferentes gerações. Ele sucede o poeta Álvaro dos Santos Pacheco, enquanto a Cadeira 30 guarda em sua história nomes como Cláudio Pacheco Brasil e tem como patrono Diolino Moura.
Embora a posse formalize agora sua entrada entre os acadêmicos, a relação de Lirton Nogueira Santos com a Academia Piauiense de Letras começou há mais de três décadas. Ao longo desse período, participou de reuniões, lançamentos de livros e outras atividades promovidas pela instituição.
Ao assumir a cadeira, o desembargador destacou justamente a possibilidade de transformar essa proximidade de muitos anos em uma participação efetiva nos trabalhos da APL.
“Para mim é motivo de enorme satisfação, de enorme alegria, poder integrar os quadros da Academia Piauiense de Letras. Essa instituição centenária reflete a sua grandiosidade, integrando o objetivo maior que é fortalecer a cultura do Estado, enaltecer as letras e a cultura piauiense. A partir de hoje eu me junto a esse quadro com esse mesmo objetivo de tentar contribuir para a cultura do meu estado, a cultura do Piauí, e participar dos trabalhos de forma ativa”, afirmou Lirton.
Entre o Direito, a História e o magistério

A chegada de Lirton Nogueira à Academia reúne em uma mesma trajetória diferentes campos do conhecimento. Desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí, ele é graduado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e em História pela Universidade Federal do Piauí (UFPI).
Possui ainda mestrado em Filosofia e Teoria Geral do Direito, além de especializações na área processual.
Sua formação humanística também está ligada ao ensino. Lirton acumula mais de duas décadas de atuação no magistério e é professor da Universidade Estadual do Piauí (Uespi).
É justamente essa combinação entre experiência jurídica, formação histórica, produção intelectual e atividade docente que passa agora a integrar formalmente o ambiente da Academia Piauiense de Letras.
O responsável por recepcionar oficialmente o novo acadêmico foi Wilson Nunes Brandão, que ressaltou a importância da formação de Lirton para uma instituição dedicada não somente às letras, mas também à preservação da memória cultural piauiense.
“A Academia Piauiense de Letras é uma instituição centenária que preserva a cultura, a língua portuguesa, a história e a arte do Piauí. Então, quando nós recebemos um novo acadêmico do quilate de Lirton Nogueira Santos, com várias formações e cursos de pós-graduação, principalmente na área humanística, isso fortalece e enriquece a nossa instituição”, afirmou Wilson Brandão.
Uma cadeira marcada pela história

A posse ganha significado particular quando observada a trajetória da Cadeira nº 30. Lirton Nogueira Santos sucede Álvaro dos Santos Pacheco, poeta que desenvolveu parte importante de sua vida intelectual no Rio de Janeiro e cuja produção é destacada dentro e fora do Piauí.
Antes de Álvaro Pacheco, a cadeira foi ocupada por Cláudio Pacheco Brasil, natural de Campo Maior e outro nome de destaque na história da APL.
Na origem dessa sucessão está o patrono Diolino Moura, apresentado pelo presidente da Academia, Fonseca Neto, como intelectual e político que contribuiu para a formação intelectual, política e jurídica do Piauí.
Ao falar sobre a sucessão, Fonseca Neto ressaltou que Lirton passa a ocupar uma cadeira carregada de memória.
“Ele está sucedendo ao poeta Álvaro Pacheco, um dos maiores poetas brasileiros e piauienses, um homem de letras que viveu boa parte da vida no Rio de Janeiro e lá faleceu. É um membro muito ilustre da Academia Piauiense de Letras. Álvaro Pacheco já sucedeu a Cláudio Pacheco Brasil, de Campo Maior, uma das maiores figuras que a Academia teve até hoje. E o patrono, Diolino Moura, foi um homem luminoso, um intelectual, um político de ideias que muito ajudou o Piauí a ter grandeza intelectual, política e jurídica. A cadeira é cheia de história, e o escritor Lirton vem para enriquecer essa trajetória”, afirmou.
A sucessão como continuidade da Academia

A solenidade também evidencia uma característica própria das academias de letras: a renovação de seus quadros ocorre a partir da ausência definitiva de um integrante, enquanto sua obra permanece incorporada à memória da instituição.
Para Fonseca Neto, é essa sucessão entre diferentes gerações que assegura a continuidade de uma Academia que atravessa mais de um século de história.
“O ingresso de um novo membro na Academia é a própria afirmação, vai selando a existência dela no tempo. Essa sucessão só se dá quando um de nós falta, definitivamente, e a obra fica. Outros vão preenchendo as cadeiras para prosseguirem a jornada. Então é um momento grandioso, não é todo dia que acontece e nem deve ser, porque só ocorre quando alguém parte para o outro lado do mistério”, declarou.
A fala sintetiza um dos significados da cerimônia: Lirton Nogueira Santos não ocupa apenas uma cadeira numerada, mas passa a integrar uma sequência de intelectuais cujas trajetórias permanecem vinculadas à memória da Academia.
Para o novo acadêmico, a posse também estabelece uma nova etapa de uma relação iniciada décadas atrás. Antes frequentador das atividades da instituição, Lirton passa agora a participar formalmente de seus trabalhos e das discussões relacionadas às letras, à história e à cultura do estado.
Com sua entrada, a APL acrescenta ao quadro de membros uma trajetória construída entre Direito, História, literatura, pensamento humanístico e educação, ao mesmo tempo em que dá continuidade à história da Cadeira nº 30.