Foi ao ar na sexta-feira, 30 de janeiro, mais uma edição do programa Palavra Aberta, fruto da parceria entre a TV Assembleia e a Academia Piauiense de Letras. O episódio ofereceu ao público um encontro raro entre rigor intelectual e delicadeza memorial.
Conduzida pelo jornalista Thiago Moraes, a entrevista teve como convidado o professor, cientista, homem público e imortal Jônathas de Barros Nunes, quarto e atual ocupante da Cadeira nº 2 da Academia Piauiense de Letras.
Ao longo do programa, Jônathas Nunes percorreu uma trajetória marcada pela transversalidade do saber: da ciência à vida pública, da educação universitária à memória afetiva. Um dos momentos mais sensíveis da entrevista foi a recitação de poesias que remontam à sua infância, versos aprendidos e declamados pela mãe, numa evocação que devolveu à palavra seu caráter de origem, herança e escuta.
Nascido em Jerumenha, em 5 de junho de 1934, o acadêmico construiu um percurso intelectual de projeção nacional e internacional. Bacharel em Física pela Universidade de Brasília, doutor em Física Relativística pela University of London – King’s College, teve como orientador Clive Kilmister e conviveu academicamente com nomes centrais da ciência do século XX, como Abdus Salam, Roger Penrose, David Bohm e Stephen Hawking. Sua tese de doutorado foi considerada, em 1973, digna de publicação pelo Senado da Universidade de Londres.
Paralelamente à carreira científica, exerceu intensa atividade docente e administrativa, tendo sido professor titular da Universidade Federal do Piauí, além de reitor da Universidade Estadual do Piauí, secretário de Estado da Educação, secretário de Ciência e Tecnologia e deputado federal pelo Piauí. Sua atuação esteve sempre voltada à consolidação do ensino superior, à interiorização do conhecimento e ao fortalecimento das políticas públicas em educação, ciência e tecnologia.
No campo acadêmico-literário, Jônathas Nunes é titular vitalício da Academia Piauiense de Letras, da Academia de Ciências do Piauí e da Academia Luso-Brasileira de Letras. Autor de vasta produção bibliográfica, transita com naturalidade entre o rigor científico e a escrita memorialística, entre o cálculo e a reflexão humanística.
A entrevista exibida no Palavra Aberta reafirma que, mesmo diante de uma trajetória marcada por fórmulas, cargos e instituições, é a palavra primeira – aquela aprendida na infância e guardada na memória – que permanece como eixo formador do homem e do intelectual.
Confira a entrevista completa: