APL homenageia o Teatro 4 de Setembro

A Academia Piauiense de Letras realiza neste sábado, às 10h30, Sessão Especial em homenagem ao Theatro 4 de Setembro, que aniversaria hoje.

Durante a sessão, o dramaturgo e escritor Ací Campelo vai proferir a palestra “Theatro 4 de Setembro: 127 anos de história”.

Aci Campelo é escritor, dramaturgo, diretor de Teatro e produtor cultural. Tem formação superior em Educação Artística- Artes Cênicas e pós- graduação em História Sociocultural, pela UFPI.

Tem curso de gestão cultural pela Fundação Getúlio Vargas/Ministério da Cultura-Rio de Janeiro, e pela Escola Nacional de Aprendizagem Pública, Brasília.

Também tem curso de encenação teatral pela Fundação Nacional de Arte, Rio de Janeiro.

Dirigiu o Theatro 4 de Setembro e a Escola de Teatro Gomes Campos.

Foi diretor da Fundação Monsenhor Chaves.

Pertenceu ao Conselho Estadual de Cultura e foi presidente do Conselho Municipal de Política Cultural de Teresina.

Ganhou duas vezes o prêmio de dramaturgia Jonatas Batista da Secul-Pi.

Autor dos textos teatrais “A Batalha do Jenipapo”, Os Salvados”, “A Menina e o Boizinho”, entre outros.

Com o livro História do Teatro Piauiense, ganhou o prêmio Clio de História, da Academia Paulistana de História.

O evento será transmitido pela TV APL, Canal da Academia no YouTube, no LINK:

  Crônica para Nildomar

                                                                                                                                                                                                Humberto Guimarães (*)

Foi por volta de um pouco mais de duas décadas, o que significa no século passado, que eu o conheci – sem saber da sua identidade, do seu perfil físico, do seu semblante, da sua sombra; sabia apenas isto: que era um ente humano no sentido maior da raridade do que deveria ser frequente nos indivíduos do reino animália que falam, que pensam e que odeiam ser chamados de primatas, embora sendo; era o benfeitor invisível de alguém que necessitava de tratamento especializado para o estado combalido da saúde. A consulta era paga, a medicação era cara, tinha que ser mesmo a melhor, e o que é melhor é caro. Foi um tratamento demorado e custoso.

Um certo dia, anos à frente, começo de século novo, o já ex-cliente procurou-me, disse que queria fazer-me um pedido: queria meu voto. Eu ri, perguntei-lhe se ele iria candidatar-se a vereador, respondeu que não era para ele, era para o Dr. Nildomar da Silveira Soares, que se inscrevera na vaga do Dr. Gerardo Vasconcelos. Era o ano dois mil. Eu fui à APL conferir, tomei conhecimento, não tive dúvida, votei.

Eleito, Nildomar tomou posse da titularidade da cadeira 22 no dia 27 de setembro do ano 2000, tornamo-nos amigos, conversamos bastante quando das reuniões aos sábados, falamos um pouco das nossas biografias, eu lhe disse ter estudado no Ginásio Leão XIII, turma de 1960 a 1964, ele disse ah, então foste colega do meu cunhado Pedro. Sim, fui, ele era um cara engraçado, contador de piadas e gostava muito de rir; uma companhia agradabilíssima, ninguém ficava de cara fechada em sua presença. O que é feito dele? Ele já morreu, coitado, ainda muito novo – e disse da enfermidade e onde foi que o Pedro morreu.

E foi assim que conheci o desembargador Nildomar da Silveira Soares, um homem de estatura brevilínea, cabeça braquicéfala, semblante aberto pela satisfação de viver; simples, jamais simplório; humilde na aparência, econômico nas palavras, emitindo mensagens com boa síntese do pensamento; não recuava de tarefas que requeriam minuciosas pesquisas em alfarrábios. Jamais o vi antepor uma dificuldade, mesmo tendo seus quefazeres no tribunal – e surpreendia pela perfeição do trabalho, fosse um parecer jurídico, fosse uma realização enciclopédica, o que fosse; fazia-o com a mesma singela grandeza. Nunca lhe vislumbrei ares de vaidade ou lordóticas poses – nem no discurso, nem no gesto; e o seu silêncio à mesa das reuniões, entretanto, surpreendia pela tenacidade da atenção de começo a fim, sem o pestanejo do famoso cochilo acadêmico, sendo ele um verdadeiro acadêmico. Conviveu conosco desde o dia da posse até… 22 de agosto de 2021, e deixou a lembrança e os sinais de sua passagem na história desta casa.

Do que mais gostei no seu discurso de posse, foi da defesa da língua portuguesa, que está a cada dia sendo estuprada por uma enxurrada de palavras-clichês, locuções, lugares-comuns, estereótipos, maneirismos, corruptelas ou gírias estrangeiras. Não se trata de xenofobia; o problema é que chegam, assumem o lugar da nossa e permanecem absolutas com a maior cara-de-pau: aí estão as lives que escorraçaram as palestras, aulas ou conferências; as deliverys ou deliveres (que lembram a délivrace francesa dirigida à expulsão da placenta e anexos após o parto propriamente dito, e a livrança portuguesa do livrar-se ou ver-se livre) que expulsaram as entregas em domicílio; os drive thrus americanos (corruptela ou malformação da palavra throug)ou drive-ins aplicada na Europa estendendo o sentido para outros serviços além das comidas recebidas através do carro e por aí vai, enquanto as nossas se atrofiam e desaparecem por falta de uso. Estas coisas lembram-me as abelhas italianas e as africanas que invadiram a nossa flora, mataram as nossas abelhas nativas e se impuseram com rainha, zangão e tudo.

Nildomar, naquele discurso, reavivou a batalha inacabada do professor A.Tito Filho, e foi depois dele que eu mandei fazer um quadro grande com o soneto de Olavo Bilac, Língua Portuguesa, que doei à nossa Academia.

Mas, voltando ao ex-paciente que me apareceu para pedir voto para Nildomar, na eleição acadêmica, citado no começo destas linhas: “Você é amigo dele?” – perguntei. “Sou, doutor, ele é que pagou meu tratamento”.

Era este o Nildomar da Silveira Soares que admirávamos e que acabamos de perder!

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(*) Psiquiatra e membro da Academia Piauiense de Letras, onde ocupa a Cadeira 7.

Academia relembra a história da FAFI

A FAFI funcionou neste prédio, na Praça Saraiva.

A história da Faculdade Católica de Filosofia do Piauí será lembrada neste sábado (21/08) em sessão especial da Academia Piauiense de Letras.

Durante o evento, o professor e acadêmico Pedro S. Ribeiro vai proferir a palestra “FAFI: Vivências e Memórias”.

O acadêmico foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia, criada pelo arcebispo metropolitano de Teresina, dom Avelar Brandão Vilela, e instalada oficialmente em 1958.

50 anos da UFPI

O presidente da APL, Zózimo Tavares, informou que a Academia vem realizando sessões especiais para homenagear as faculdades que contribuíram para a criação da Universidade Federal do Piauí.

“A FAFI foi um desses pilares, juntamente com a Faculdade de Direito, já homenageada pela APL. Vamos homenagear ainda as Faculdades de Odontologia, Medicina e Administração, que são as fundadoras da UFPI”, adiantou.

Com esses eventos, a Academia Piauiense de Letras está celebrando os 50 anos de criação da UFPI.

A sessão deste sábado está marcada para as 10h e será realizada no formato virtual, com transmissão pelo Canal da APL no YouTube.

Exposição sobre Reis Velloso vai até setembro

A exposição “Memória e desenvolvimento: 90 anos de João Paulo dos Reis Velloso”, aberta na última sexta-feira (30/07), segue até 30 de setembro no Centro Cultural do Sesc, em Parnaíba.

A homenagem foi idealizada pelo primeiro vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Valdeci Cavalcante, e conta a trajetória profissional e pública do ex-ministro.

“João Paulo foi, sem dúvidas, um dos homens mais importantes do Brasil e, principalmente, do nosso Estado. É uma alegria poder contar um pouco mais da sua história e da sua contribuição para o nosso país”, afirmou Valdeci Cavalcante.

O economista Raul Velloso, irmão do homenageado, fez a palestra de abertura do evento e agradeceu a homenagem:

“Me sinto honrado em participar desse momento de celebração em que posso relembrar a figura do meu irmão, sempre estudioso e comprometido com os rumos do país.  A exposição está muito bem montada e certamente será um sucesso”, disse.

Reis Velloso nasceu em Parnaíba em 1931 e faleceu no Rio de Janeiro em 2019. Era membro da Academia Piauiense de Letras, onde ocupava a Cadeira 17, na qual foi sucedido pelo advogado, empresário e professor Valdeci Cavalcante.

(Fonte: Ascom/Sesc Piauí)

Exposição sobre Reis Velloso no Sesc Caixeiral, em Parnaíba

Reis Velloso recebe homenagem em Parnaíba

A passagem dos 90 anos do nascimento do ex-ministro Reis Velloso será celebrada com uma exposição em sua terra natal, Parnaíba.

A “Exposição Memória e Desenvolvimento: 90 anos de João Paulo dos Reis Velloso”, será aberta nesta sexta-feira (30/07), às 19h, na sede da União Caixeiral, no Centro da cidade.

A homenagem é da Confederação Nacional do Comércio e Sesc Piauí, através do vice-presidente nacional da CNC, Valdeci Cavalcante, e do presidente regional do Serviço do Comércio no Piauí, Dênis Cavalcante.

Na abertura do evento, o economista Raul Velloso, irmão do homenageado, vai proferir a palestra “O legado de João Paulo à economia brasileira”.

Seguindo orientações dos órgãos de saúde, será obrigatório o uso de máscara. Haverá transmissão ao vivo pelo Canal do Sesc Piauí no YouTube.

Perfil

João Paulo dos Reis Velloso nasceu em 12 de julho de 1931. Economista e professor. Formado pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Rio de Janeiro; pós-graduado pelo Conselho Nacional de Economia (1961); Master em Economia pela Universidade de Yale (EUA), recebendo o diploma PhD e granjeando o primeiro lugar.

Na assessoria do ministro Roberto Campos, elaborou com o economista Mário Henrique Simonsen o projeto de criação do IPEA – Instituto de Planejamento Econômico, em 1969. Foi ministro do Planejamento por dez anos.

Faleceu em 19 de fevereiro de 2019. Era membro da Academia Piauiense de Letras, onde ocupava a Cadeira 17, que tem hoje como titular o advogado, professor, empresário e escritor Valdeci Cavalcante.