APL promove 3ª. edição do Círculo de Leituras do Autor Piauiense

A obra do poeta simbolista Celso Pinheiro é o tema da 3ª. Edição do Círculo de Leituras do Autor Piauiense, promovido pela Academia Piauiense de Letras, que é presidida por Nelson Nery Costa. O evento acontece sábado, 28, de 8:30 às 9:50, no Auditório da Academia Piauiense de Letras, sendo em seguida sucedido de sessão de lançamento de livros das Coleções Centenário e Século XXI.

O livro alvo de leituras a ser retomado no círculo de setembro é “Poesias” de Celso Pinheiro, cuja primeira edição de 537 páginas é de 1939, editada pela APL, e agora reeditada pela instituição, constituindo o título 10 da Coleção Centenário. O volume reúne as poesias completas de Pinheiro, que produziu número significativo de obras de valor e, ao lado do poeta amarantino Da Costa e Silva, situa-se como um dos consagrados nomes do simbolismo na literatura piauiense.

Celso Pinheiro nasceu em Barras -PI, a 24 nov. 1887, e faleceu em Teresina – PI, a 29 jun. 1950, com 62 anos. Pertence ao grupo que fundou a Academia Piauiense de Letras em 1917. Produziu obra parnasiano-simbolista, focalizando como tema principal “a dor existencial”. Sua produção é associada por alguns críticos à poesia de Antero de Quental e Cruz e Sousa. A estreia literária de Celso se deu em 1907 com Almas Irmãs, coletânea de poemas, em parceria com os poetas Zito Batista e Antônio Chaves. Em 1912, publicou “Flor Incógnita” (poemas). Informa Bugyja Brito que, em 1925, Celso Pinheiro reuniu seus poemas no livro “Poesias”, mas a edição não circulou por erros tipográficos e de revisão, somente voltando a ser editada em 1939 pela APL.

Em ensaio sobre a obra de Celso Pinheiro, cognominado como Poeta da Dor, diz o poeta Hardi Filho, falecido em 2015, que “ninguém melhor do que ele soube externar, poeticamente, a sensação dolorosa em todas as suas nuanças e expressões de vivência; ninguém como ele, no Brasil, fez o panegírico da dor, parecendo que tinha como companheira inseparável a estuar-lhe no sangue, na alma, no destino de sua própria vida”. Hardi acrescenta que a expressão artística de Pinheiro origina-se “da percepção profunda do transitório da vida em confronto com o eterno, com o transcendental adivinhado e sentido…”

Celso Pinheiro é autor de sonetos como Barreiras:

Barreiras de impossíveis, ai, barreiras
sem a brecha falaz de uma janela,
por onde eu possa ver a Imagem dela
na moldura das tardes brasileiras.

Nem meus gemidos monstros de cachoeiras
nem meus soluços roucos de procela
vos moverão dessa mudez de cela,
torvas, fatais, sinistras, agoireiras!…

Embalde, para a ver, alongo os olhos,
fico em bico de pés, e, alucinado,
piso os cardos, as urzes, os abrolhos…

Ai de quem, entre lágrimas e poeiras
só distingue entre si e o bem-amado
barreiras e barreiras e barreiras!

O Círculo de Leituras do Autor Piauiense, sob coordenação dos acadêmicos Socorro Rios Magalhães e Dílson Lages Monteiro, tematizará ainda em 2019, em outubro, Modernismo e Vanguarda, do crítico literário M. Paulo Nunes, luminar da crítica da Casa de Lucídio Freitas, e em novembro, Meia-vida, romance do desembargador Oton Lustosa.

APL prepara o lançamento de 7 novas obras

A Academia Piauiense de Letras (APL) promove no próximo sábado, 28 de setembro, o lançamento de 7 novas obras literárias, que valorizam a cultura e a história do Piauí. O evento será realizado a partir das 10 horas na sede da instituição, localizada na Avenida Miguel Rosa, em Teresina.

A maioria das produções integra a Coleção Século XXI: Sonetos Infames, de Dário P. Castro; Contos Poéticos, de Rosângela Sousa; Coisas do Amor, de Lisete Napoleão Medeiros; e Brimos, de Marta Tajra. Já pela Coleção Centenário serão lançados os livros: Roteiro do Maranhão ao Goiás pela Capitania do Piauí, de João Pereira Caldas; Descrição dos Rios Parnaíba e Gurupi, de Gustavo Dodt; A Vela e o Temporal, de Alvina Gameiro

A coleção traz para os piauienses obras que reúnem informações, histórias, fatos, relatos e imagens que retratem a história da Academia. “Estamos realizando uma série de eventos em homenagem aos 100 anos da APL; a Coleção Centenário é um desafio editorial e não tem nada similar no Brasil”, indicou o presidente da APL, Nelson Nery Costa.

A instituição está desenvolvendo uma programação desde dezembro de 2017 em que comemora os seus 100 anos. Entre os eventos, já ocorreu a entrega da Medalha do Centenário a mais de 50 personalidades que contribuíram ou tem contribuído para a literatura piauiense. Também já ocorreu a inauguração do Museu da Cultura Literária Piauiense, instalado na Casa de Lucídio Freitas, sede da Academia.

Além disso, a Coleção Centenário vem, desde 2016, fazendo um resgate de obras antigas, importantes, escritas por intelectuais renomados, que tratam sobre o Piauí e sobre tudo que se relaciona com o Estado.

Centenário do ex-deputado federal Ezequias Gonçalves Costa

No próximo sábado, dia 14 de setembro às 8h, a família do advogado, professor e presidente da Academia Piauiense de Letras Nelson Nery Costa realizam uma Missa em Ação de Graças pelo centenário de nascimento de seu pai, Ezequias Gonçalves Costa. A celebração acontecerá na Igreja Nossa Senhora de Fátima, em Teresina.

História

Ezequias Gonçalves Costa nasceu em Barras, em 14 de setembro de 1919, e faleceu, em Teresina, em 22 de abril de 2005.  Era filho de industrial “Coronel” Gervásio Raulino da Silva Costa e de Eduwiges Cordeiro Gonçalves.  Bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Piauí, em 1955, logo se inscrevendo na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).  Foi Vice-Presidente da Associação Industrial do Piauí.

Elegeu-se Vereador, em Miguel Alves, de 1948 a 1950, Deputado Estadual, por dois mandatos, eleito, em 1950 e em 1954, desta vez como o mais votado.

Chegou a Primeiro Suplente de Deputado Federal, em 1958, e foi o primeiro Secretário de Estado da Educação e Cultura, em 1959, passando depois a exercer o cargo federal em vários momentos, inclusive quando da mudança da Capital Federal para Brasília, em 1960.

Foi eleito Deputado Federal, em 1962 e em 1966.  Na eleição de 1970, houve a fraude eleitoral do Mapismo, realizada com o preenchimento de votos em branco e em alteração dos mapas eleitorais, o que ele acabou provando, sem que lhe tenham devolvido o mandato, o que fez encerrar sua atuação eleitoral.  Foi, ainda, Secretário de Estado da Indústria e Comércio, em 1986, e Presidente da Junta Comercial do Estado do Piauí, de 1995 a 1999.

Foi Diretor Superintendente da empresa Indústrias Integradas Gervásio Costa S/A (GECOSA), com grande parque industrial para o aproveitamento integral do óleo de coco babaçu, além do comércio por meio da Casa São João, em Novo Nilo, Município de União.

Foi casado com Maria da Glória Nery Costa e o casal teve por filhos o engenheiro com mestrado Ezequias Gonçalves Costa Filho, o médico com doutorado em Harvard e professor da UFPI Carlos Henrique Nery Costa, o médico especializado em nefrologia Rubens Nery Costa, o advogado, defensor público e professor da UFPI Nelson Nery Costa e o advogado e economista Guilherme Nery Costa.

APL faz homenagem a Manfredi Mendes de Cerqueira

Os imortais da Academia Piauiense de Lestras fizeram uma homenagem ao desembargador Manfredi Mendes de Cerqueira, ocupante da cadeira número 28, falecido no dia 03 de junho. O panegírico, que aconteceu no último sábado (14), sendo conduzido pelo imortal Celso Barros Coelho. O evento foi realizado na sede da APL, localizada na Avenida Miguel Rosa.

Manfredi Mendes de Cerqueira foi desembargador e escritor. Sua atuação na literatura foi especializada na área do Direito. Entre as principais obras escritas por Manfredi Mendes de Cerqueira estão: Como o Direito É, 1989; Teoria e Prática FalimentarJustiça CriminalMatéria Eleitoral, 1989, e Estudos da Organização Judiciária, 1989.

Com o falecimento do acadêmico, regimentalmente a Academia faz o panegírico, que é um momento de homenagem ao acadêmico falecido. “O panegírico é um evento em se faz uma elegia à memória de um falecido e é uma tradição da Academia fazer essa saudação sempre que um acadêmico falece. Nesse caso, é uma cerimônia singela “, explica Nelson Nery Costa, presidente da APL.

BIOGRAFIA

Magistrado, jurista, professor e conferencista, nascido em Piracuruca, Estado do Piauí, a 25-11- 1925. Pais: Francisco Paulo de Cerqueira e Judith Mendes Andrade Rocha. Bacharel em Direito pela Universidade de Minas Gerais.

O Magistrado. Ex-promotor público das comarcas de Alto Longá, Buriti dos Lopes, Piracuruca e Teresina; advogado-geral do Estado; procurador da Justiça junto ao Tribunal de Contas. Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado (1978); presidiu o Tribunal Regional Eleitoral e o Egrégio Tribunal de Justiça. Na qualidade de presidente do Tribunal de Justiça do Estado, assumiu interinamente em setembro de 1990, as funções de Governador do Estado. Foi diretor da Escola da Magistratura Piauiense. Secretário de Interior e de Justiça do Estado.

O Professor. Dirigiu o Ginásio Municipal de Piracuruca; chefe do Departamento de Ciências Jurídicas do Centro de Ciências Humanas e Letras da Universidade Federal do Piauí; membro da Comissão Permanente do Concurso de Vestibular.

O Jornalista. Um dos mais atuantes da imprensa teresinense, destacando a sua colaboração com preciosos trabalhos no campo social e jurídico entre os quais destacamos: A Pobreza em Face de Dois CódigosAbandono Voluntário do LarDa Representação no CrimeDano ou Incêndio.

BibliografiaComo o Direito É, 1989; Teoria e Prática FalimentarJustiça CriminalMatéria Eleitoral, 1989, e Estudos da Organização Judiciária, 1989. Pertence à Academia Piauiense de Letras, ocupando a cadeira nº 28.

José Murilo de Carvalho lança título em Teresina e recebe Medalha da APL

Na última segunda-feira, 02 de setembro, o escritor José Murilo de Carvalho esteve em Teresina e recebeu da Academia Piauiense de Letras a Medalha do Centenário, honraria em homenagem a sua contribuição com a literatura.

O autor também lançou seu mais recente livro “Jovita Alves Feitosa: Voluntária da Pátria, Voluntária da Morte”, no qual reproduz e analisa preciosos documentos de época, que compõem um quadro rico e complexo da trajetória da jovem cearense de 17 anos que decidiu alistar-se, vestindo-se de homem, para atender ao chamado do Governo brasileiro que recrutava voluntários para lutar na Guerra do Paraguai.

Além de receber a Medalha do Centenário da APL, José Murilo de Carvalho também participou de uma série de ações no Theatro 4 de Setembro.

José Murilo de Carvalho é professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Publicou e organizou 19 livros e mais de cem artigos em revistas. É membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Brasileira de Letras.

Sobre o livro: Em Jovita Alves Feitosa: Voluntária da Pátria, Voluntária da Morte

Em 1865, chegou a Jaicós, no interior do Piauí, a notícia de que o Governo brasileiro recrutava voluntários para lutar na Guerra do Paraguai. Ali, a cearense Jovita Alves Feitosa, de dezessete anos, decidiu alistar-se, vestindo-se de homem. Seu desejo era ir a campo vingar as mulheres brasileiras maltratadas pelos paraguaios no Mato Grosso.

Descoberto o disfarce, Jovita foi, ainda assim, aceita como voluntária pelo presidente da província, no posto de segundo-sargento. Transformada em celebridade do dia para a noite, fez um percurso triunfal de Teresina ao Rio de Janeiro. Mas, por fim, a Secretaria da Guerra recusou sua incorporação como combatente: às mulheres cabia somente o trabalho voluntário como enfermeiras.

Academia Piauiense de Letras lança concurso literário

A Academia Piauiense de Letras lança no próximo sábado, 10 de agosto, o ‘Concurso Literário Herculano Moraes’, direcionado a alunos integrantes do ensino médio da rede pública ou privada no Piauí, abrangendo as categorias de poesia, conto e crônica, com tema livre.

As inscrições terão início 10 de agosto, finalizando no dia 30 de setembro. Cada participante poderá inscrever apenas um texto por categoria. A obra inscrita deve ser inédita; portanto, não publicada total ou parcialmente em livros, jornais, sites ou revistas.

O autor deverá enviar o texto, assinado sob a forma de pseudônimo, em envelope lacrado. No interior do envelope, deve constar, em sobrecarta à parte, o título da obra, a identificação do pseudônimo (nome completo do participante, o endereço e o telefone).

A inscrição será efetuada na Secretaria ou Diretoria da escola do participante, em ficha disponível no site da APL, (www.academiapiauiensedeletras.org.br). Essa ficha e a respectiva obra devem ser encaminhadas, pela escola ou pelo(a) professor(a) da turma do candidato, à sede da Academia, localizada na Av. Miguel Rosa, n° 3300/Sul, Teresina, Piauí, CEP:64001-490.

Para cada vencedor na categoria em que concorrer, será oferecido o prêmio de R$ 1.500,00 para o 1° colocado; R$ 1.000,00 para o 2° colocado e R$ 500,00 para o 3° colocado.

A escola do 1° colocado em cada categoria será premiada com uma Coleção Centenário do APL.

O resultado dos vencedores será divulgado no final de outubro.

Clique aqui e Baixe a Ficha de Inscrição do Concurso

APL abre inscrições para eleger três novos imortais

A Academia Piauiense de Letras lançou edital de inscrições para candidatos e fará a eleição para preenchimento de três cadeiras. As vagas surgiram após o falecimento dos imortais Jesualdo Cavalcanti Barros, João Paulo dos Reis Velloso e Paulo de Tarso Mello e Freitas. Com o novo pleito, serão ocupadas as cadeiras 03, 17 e 24.

 

Os interessados terão 30 dias, segundo o edital, para efetuarem suas inscrições. O documento estipula que os candidatos devem ser piauienses ou residirem no Estado há mais de 10 anos. Além disso, devem ter ao menos um livro publicado. As inscrições devem ser feitas na sede da Academia, localizada na avenida Miguel Rosa, 3300, centro/sul no horário de 8h às 13h.

 

Falecido no dia 22 de fevereiro deste ano, Jesualdo Cavalcanti Barros ocupava a cadeira de número 03. Recentemente a APL lançou o livro ‘Tenho Dito, Artigos, Discursos e Ideias’, de sua autoria, em uma homenagem póstuma ao Acadêmico.

 

Já o economista João Paulo Reis Velloso ocupava a cadeira de nº 17 na Academia, preparava o livro “A Solidão do Corredor de Longa Distância” sobre economia mundial e brasileira até 2012 quando faleceu, em fevereiro deste ano. Em junho a APL homenageou Reis Velloso num panegírico prestigiado por seu filho, João Marcos Velloso, pelo Governador do Estado Wellington Dias, escritores e autoridades locais.

 

O desembargador Paulo de Tarso Mello e Freitas faleceu no dia 23 de janeiro deste ano. Além de renomado professor das disciplinas de as disciplinas de Direito Judiciário, Civil, Penal, Penitenciário, Eleitoral e de Organização Judiciária da Universidade Federal do Piauí – UFPI, foi o primeiro juiz auditor da Justiça Militar do Piauí; jornalista; diretor da revista Piauí Judiciário; membro do Conselho Penitenciário; presidente da Associação dos Magistrados Piauienses e escritor ocupante da cadeira 24 da APL.

 

A eleição para a ocupação das três vagas está marcada para outubro deste ano. Os eleitos deverão atingir maioria absoluta de votos entre os imortais.

APL lança quatro novas obras e Revista do Centenário

A Academia Piauiense de Letras lançou no último sábado, 24 de agosto, a Revista do Centenário da instituição e duas obras da Coleção Século XXI: Gêneros Textuais no Mundo do Trabalho, de Francisco Alves Filho, Láfity dos Santos Alves, Mery Ruty Lustosa Torres e Valfrido da Silva Nunes (org.); tal como 40 anos do Ginásio Verdão – história e fatos, de Celso Carvalho.

Segundo o presidente da Academia Piauiense de Letras, Nelson Nery Costa, a Revista do Centenário é um orgulho. “É extremamente significativo a Academia Piauiense de Letras ter uma revista que está chegando ao Ano 101. Pouquíssimas revistas no Brasil são tão longínquas e meninas ainda aqui no Piauí”, disse. A Revista foi lançada em 1918 e a edição lançada no sábado faz um apanhado do ano de 2018.

Também foram lançados mais dois livros da Coleção Centenário: O Piauí na Confederação do Equador, de Abdias Neves; Os Revolucionários do Sul: através dos sertões nordestinos do Brasil, de Higino Cunha.

A coleção traz para os piauienses as obras que reúnem informações, histórias, fatos, relatos e imagens que retratem a história da Academia. “Estamos realizando uma série de eventos em homenagem aos 100 anos da APL; a Coleção Centenário é um desafio editorial e não tem nada similar no Brasil”, indicou o presidente da APL, Nelson Nery Costa.
A instituição está desenvolvendo uma programação desde dezembro de 2017 em que comemora os seus 100 anos. Entre os eventos, já ocorreu a entrega da Medalha do Centenário a mais de 50 personalidades que contribuíram ou tem contribuído para a literatura piauiense. Também já ocorreu a inauguração do Museu da Cultura Literária Piauiense, instalado na Casa de Lucídio Freitas, sede da Academia.

Além disso, a Coleção Centenário vem, desde 2016, fazendo um resgate de obras antigas, importantes, escritas por intelectuais renomados, que tratam sobre o Piauí e sobre tudo que se relaciona com o Estado.

Academia Piauiense de Letras promove Círculo de Leituras do Autor Piauiense

No sábado 29 de junho, a Academia Piauiense de Letras realizou no auditório da entidade o primeiro encontro do Círculo de Leituras do Autor Piauiense. Segundo o presidente da entidade, o escritor e professor da UFPI Nelson Nery Costa, o projeto, aberto a toda a comunidade, é oportunidade para diálogo mais próximo com autores clássicos da literatura piauiense, a partir das experiências dos leitores.

“A literatura é uma possibilidade concreta de interação  mais  significativa com o mundo e com a linguagem”, diz Nery Costa. O presidente da APL destaca que” o círculo abre espaços para que sentimentos, associações e descobertas do próprio leitor criem oportunidades para a imaginação e para a descoberta do sentido da linguagem literária; de sua fluição mais simples ao seu sentido filosófico-existencial, a razão final do senso estético da arte da palavra”.

Os livros alvos dos diálogos entre leitores, em cada encontro, foram selecionados da Coleção Centenário, da APL, formada por 150 obras fundamentais da história cultural do Estado. A cada último sábado do mês, sob a coordenação dos acadêmicos Socorro Rio Magalhães e Dílson Lages Monteiro, naturalmente após a leitura de obra selecionada pela Academia, os interessados em participar do projeto reúnem-se em torno do diálogo sobre um livro da Coleção, entre 8h e 9h30min., no auditório da APL. A interlocução inicialmente focalizará Teodoro Bicanca, de Renato Pires Castello Branco (junho de 2019); O prestígio do diabo, de Assis Brasil (agosto de 2019); Poesias, de Celso Pinheiro (setembro de 2019); Modernismo e Vanguarda – 1ª. Série, de M. Paulo Nunes (outubro de 2019); Meia-Vida, de Othon Lustosa (novembro de 2019).

Citando as experiências teorizadas por um dos especialistas em letramento literário no País, Rildo Cosson, para os coordenadores do Projeto, os círculos de leituras geram respostas positivas na formação dos leitores ou ampliação do conhecimento de mundo deles, porque apresenta “o caráter social da interpretação dos textos”, facilita a apropriação e manipulação do repertório de linguagem “com um grau maior de consciência” e porque  “a leitura em grupo estreita os laços sociais, reforça identidades e a solidariedade entre as pessoas”.

“As mais encantadoras passagens da obra e personagens, com suas múltiplas relações com a experiência dos participantes, serão o ponto de partida das conversas do círculo de leituras”, explicam os coordenadores do projeto, os quais esperam a participação de público variado. No primeiro encontro, após a abertura oficial do projeto pelo presidente da APL Nelson Nery, serão especificadas as diretrizes dos encontros, que valorizarão a informalidade e, claro, a voz dos leitores.

A OBRA E O AUTOR DO ENCONTRO DE JUNHO – O primeiro encontro do Círculo de Leituras do Autor Piauiense na APL teve como tema a obra considerada por alguns críticos como a consolidadora da prosa de ficção moderna na literatura piauiense, o romance Teodoro Bicanca, de Renato Pires Castello Branco, editada pela primeira vez em 1948 e obra de número 81 da Coleção Centenário, em edição conjunto com A Civilização do Couro, do mesmo autor.

Teodoro Bicanca permite compreensão da identidade cultural do Piauí e pode ser lido em diálogo com outros livros escritos por Renato Pires, entre os quais, o estudo sociológico A Civilização do Couro e o livro de memórias Tomei um Ita no Noite. O romance favorece, entre muitos questionamentos sobre a realidade social e econômica do Piauí, uma reflexão sobre as condições do trabalhador rural da primeira metade do século XX.

Renato Pires Castello Branco (1914-1996), que ocupou a cadeira 19 da APL, é autor de 25 livros. Passeou por gêneros diversos: romance, poema, ensaio historiográfico, crônicas, memórias. Tornou-se um dos publicitários de grande sucesso no Brasil, chegando aos postos mais elevados, nos Estados Unidos e no Brasil, de uma das maiores agências de publicidade americana, a J.W. Thompson.

O escritor recebeu diversos prêmios e apreciações críticas de grandes nomes da cultura nacional, entre eles, Monteiro Lobato, que, recebendo o livro A Civilização do Couro de empréstimo de Cândido Fontoura, assim se manifestou sobre a obra: “Esse livrinho surpreendeu-me. Peguei-o apenas para apalpar e cheirar (que é o mais que podemos fazer com a maioria dos livros que aparecem) e quando dei acordo estava no fim. E você tenha paciência: o livrinho vai ficar aqui comigo! Ele não quer voltar. Sente-se bem numa estante onde só tenho coisas com grau 10!”.

Para o acadêmico Francisco Miguel de Moura, autor de Literatura do Piauí, Teodoro Bicanca “trata-se de um romance regionalista, mas não visceralmente regionalista, sendo saudado pela crítica quando apareceu” colocando o autor “ao lado de autores como Raquel de Queiroz, José Lins do Rego, Afonso Schmidt, Paulo Duarte e Ledo Ivo”.

APL homenageia economista João Paulo dos Reis Velloso

A Academia Piauiense de Letras (APL) promoveu no último dia 15 de junho o panegírico do acadêmico João Paulo dos Reis Velloso, falecido

em fevereiro deste ano. A homenagem aconteceu na sede da instituição centenária, localizada na Avenida Miguel Rosa, 3300, no Centro de Teresina.

 

Com a presença do Governador do Estado Wellington Dias, de escritores e autoridades, a oração da solenidade foi proferida pela acadêmica Fides Angélica de Castro Ommati.

O filho de Reis Velloso, João Marcos Velloso também participou do evento em homenagem ao pai. “O meu pai tinha muito orgulho de fazer parte da Academia Piauiense de Letras então quando soube que teria essa homenagem eu fiquei muito feliz justamente por lembrar desse carinho e satisfação que ele tinha em participar da Academia. Ele sempre trocava ideias com o presidente Nelson Nery, houve a possibilidade da Academia relançar um livro que ele já tinha escrito há anos, e eu não poderia deixar de participar dessa homenagem”, disse João Marcos.

 

João Marcos Velloso cuida da parte administrativa do Fórum Nacional, evento criado por Reis Velloso em 1988 e que reúne, desde então, anualmente economistas, cientistas sociais e políticos, líderes sindicais e empresariais, para discutir temas sociais e econômicos da atualidade.

 

Histórico

Ocupante da cadeira número 17 da Academia, João Paulo Reis Velloso preparava o livro “A Solidão do Corredor de Longa Distância”, sobre economia mundial e brasileira até 2012.

 

Natural do Piauí e radicado no Rio, o economista serviu a diferentes governos desde o início da ditadura militar, em 1964, passando pelos governos Castelo Branco, Costa e Silva, Médici e Geisel. Como ministro do Planejamento, Reis Velloso era considerado um dos civis mais poderosos do governo Geisel.

 

O ex-ministro entrou para a política em 1951, aos 20 anos, segundo o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da FGV (CPDOC/FGV). Naquele ano, se mudou para o Rio, então capital, vindo de sua Parnaíba natal, para trabalhar como secretário do deputado federal Jorge Lacerda, da União Democrática Nacional (UDN).

 

Em seguida, Reis Velloso iniciaria sua carreira como escriturário do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários (Iapi), ainda no Rio. Em 1955, passou em concurso público para o Banco do Brasil, trabalhando inicialmente em São Paulo. Após ser assessor no BB, Reis Velloso trabalhou no gabinete do ministro da Fazenda Walter Moreira Sales, no fim de 1961, no governo João Goulart.

 

O ex-ministro não viveu a derrocada do governo João Goulart nos gabinetes ministeriais, já que, em 1962, foi estudar na Universidade Yale, em New Haven (EUA), onde obteve o mestrado em Economia, em maio de 1964. Quando voltou ao Brasil, em julho daquele ano, o governo militar do marechal Humberto Castelo Branco já estava instalado em Brasília.

 

Reis Velloso foi então trabalhar no Ministério do Planejamento, comandado pelo economista Roberto Campos, ícone do liberalismo econômico no País. Na nova função, Reis Velloso organizou e chefiou o Escritório de Pesquisa Econômica e Social Aplicada (Epea), hoje Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em abril de 1968, passou a ocupar o cargo de secretário-geral do Ministério do Planejamento.

Reis Velloso assumiu como ministro no fim de 1969, em seguida da posse do general Emílio Garrastazu Médici na Presidência. À frente do Planejamento, coordenou as duas edições do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND). O PND 1 foi lançado em 1972, e o PND 2, em 1974.

O ex-ministro deixou o Ministério do Planejamento em 1979. O novo presidente, o general João Batista de Figueiredo, indicaria o ex-ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen para a pasta.

 

A saída do Ministério do Planejamento marcou o fim da carreira política de Reis Velloso. Ainda segundo o CPDOC da FGV, seu nome seria aventado como candidato ao governo do Piauí, mas o ex-ministro optou por assumir a presidência, ainda em 1980, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), ligado à Bolsa de Valores do Rio.

 

De lá para cá, Reis Velloso integrou conselhos de administração de diversas estatais, mas atuou principalmente no setor privado. Em 1988, organizou o 1.º Fórum Nacional, com o tema “Ideias para a modernização do Brasil”. O evento reuniu economistas, cientistas sociais e políticos, líderes sindicais e empresariais, para discutir temas sociais e econômicos da atualidade. Com a criação do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), o Fórum Nacional se tornaria anual a partir dos anos 90.