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Morre o poeta e editor Álvaro Pacheco, da Cadeira 30 da APL

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Por: Vanize Lemos

Data: 21/11/2025

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A Academia Piauiense de Letras comunica, com profundo pesar, a morte de Álvaro dos Santos Pacheco, aos 92 anos, poeta, jornalista, editor, empresário cultural e terceiro ocupante da Cadeira nº 30 da APL. O acadêmico faleceu no Rio de Janeiro, onde residia desde 1959, após enfrentar problemas de saúde decorrentes do Mal de Alzheimer. Sua morte encerra uma trajetória vasta e decisiva para a literatura, para a imprensa e para a memória cultural do país.

Nascido em Jaicós, em 1933, Álvaro Pacheco formou-se em Direito pela Universidade do Rio de Janeiro, mas foi nas letras que consolidou sua identidade intelectual. Atuou por muitos anos na Folha da Manhã, no Piauí, e integrou a equipe responsável pela reformulação do Jornal do Brasil (1956-1962). Também colaborou com O Cruzeiro, Manchete e O Jornal, além de coordenar, em 1958, o grupo que concluiu e lançou o Pavilhão Internacional do Campo de São Cristóvão, sede da primeira Exposição Internacional do Rio de Janeiro.

Como editor e empreendedor cultural, transformou a Editora Artenova em uma das estruturas gráficas mais modernas de sua época, montando em Benfica (RJ) um parque gráfico de referência e sendo um dos pioneiros na introdução da composição eletrônica na indústria gráfica brasileira (1969). Fundou ainda a Artenova Filmes e a Ariel Cinematográfica, atuando na produção e distribuição de filmes nacionais e internacionais.

Sua obra literária reúne 12 livros de poesia, entre eles Os Instantes e os Gestos, Pastos da Solidão, Margem do Rio Mundo, O Sonho dos Cavalos Selvagens, A Força Humana, A Matéria do Sonho, O Homem de Pedra, Tempo Integral, Itinerários, Seleção de Poemas e A Balada do Nadador no Infinito, vencedor do Prêmio Nacional de Literatura do Pen Clube do Brasil em 1985. Publicou ainda Geometria dos Ventos (1992), com parte de seus poemas traduzidos para inglês e italiano. Sua poesia, marcada por temas universais como amor, finitude e reflexão existencial, recebeu o reconhecimento de importantes nomes da literatura brasileira, entre eles Carlos Drummond de Andrade.

Era membro efetivo do P.E.N. Clube do Brasil e do Conselho Federal de Cultura. Na vida pública, exerceu o mandato de suplente de senador pelo Piauí (1987-1995), participando das discussões e votações finais da Assembleia Nacional Constituinte que resultaram na promulgação da Constituição Federal de 1988, da qual se tornou signatário.

Sua atuação intelectual ultrapassou fronteiras, com mais de dez anos de participação na Feira Internacional do Livro de Frankfurt, quinze anos consecutivos no Festival de Cinema de Cannes, presença no American Film Market em Los Angeles e em atividades da Assembleia das Nações Unidas.

Com sua morte, a Academia Piauiense de Letras perde um intelectual múltiplo – poeta rigoroso, jornalista de expressão nacional, editor inovador e empreendedor cultural que levou o nome do Piauí para além de suas fronteiras. A APL se solidariza com familiares, amigos e leitores, reverenciando sua vida e seu legado. Em um de seus versos mais lembrados, Álvaro Pacheco escreveu: “Vivamos com avidez o minuto que passa.” Hoje, é sua obra que continua a passar – viva, íntegra e necessária.

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