Muito antes de ocupar o tradicional prédio da Avenida Miguel Rosa, em Teresina, a Academia Piauiense de Letras (APL) não tinha uma sede própria. Fundada em 30 de dezembro de 1917, a instituição passou décadas realizando reuniões em diferentes espaços da capital, incluindo as casas dos próprios acadêmicos e prédios públicos.
A primeira reunião da Academia aconteceu no antigo Salão Nobre do Conselho Municipal de Teresina. O prédio ficava na região onde hoje está a Praça Marechal Deodoro, no Centro da capital. Foi nesse espaço que os dez intelectuais fundadores deram início oficialmente à instituição. Durante os primeiros anos, as reuniões ordinárias da APL eram realizadas nas residências dos acadêmicos. Já as sessões solenes e extraordinárias aconteciam em prédios públicos.
Sem um endereço permanente, a Academia passou por diferentes espaços ao longo de sua história. A situação permaneceu por décadas. Em registros históricos, a própria instituição descreve o período em que funcionou em “casas de empréstimos” e “sedes temporárias de favor”.
Academia chegou a funcionar na Casa Anísio Brito
Mesmo décadas depois de sua fundação, a APL ainda não tinha uma sede própria. Em 1978, por exemplo, a instituição funcionava na Casa Anísio Brito, outro importante espaço da memória cultural do Piauí. A busca por um endereço definitivo só terminou em 1986, quando a Academia recebeu do Governo do Piauí o imóvel localizado na Avenida Miguel Rosa, nº 3.300.

A doação ocorreu durante a gestão do governador Hugo Napoleão e contou com a atuação do então secretário de Cultura Jesualdo Cavalcanti Barros. O imóvel passou a ser a sede definitiva da Academia.
Prédio que hoje abriga a APL já era antigo
Apesar de ter se tornado sede da Academia apenas em 1986, o prédio da Avenida Miguel Rosa já fazia parte da história de Teresina. Segundo registros da instituição, o imóvel foi construído entre as décadas de 1930 e 1940 e originalmente tinha função residencial. A construção é considerada um exemplar da arquitetura eclética da capital piauiense.
Com a chegada da APL, o espaço passou a receber as atividades da instituição, incluindo reuniões dos acadêmicos, sessões solenes e ações voltadas à preservação da literatura e da memória cultural do estado.
De espaços emprestados a uma sede definitiva
A conquista do imóvel representou uma mudança importante para uma instituição que, durante quase sete décadas, não teve um endereço próprio. A história da sede da Academia Piauiense de Letras, portanto, começa muito antes do prédio da Avenida Miguel Rosa. Ela passa pelas casas dos acadêmicos, pelos prédios públicos e por espaços provisórios utilizados para manter em funcionamento uma das instituições culturais mais antigas do Piauí.
Hoje, o prédio que abriga a APL é também parte da memória da própria Academia. A chamada Casa de Lucídio Freitas reúne não apenas os acadêmicos, mas também parte da história literária e cultural construída pelo Piauí ao longo de mais de um século.
Por Lília Ferreira