Congresso presta homenagem ao centenário da Academia Piauiense de Letras

O centenário da Academia Piauiense de Letras será celebrado na segunda-feira (21), às 11 horas, em sessão solene do Congresso Nacional, no Plenário do Senado Federal. A proposta foi do senador Elmano Férrer (Podemos-PI) e do deputado federal Paes Landim (PTB-PI). Na solenidade, será realizada uma homenagem ao acadêmico Herculano Moraes, que faleceu na última quinta-feira, dia 17.

A Academia Piauiense de Letras (APL) foi fundada no dia 30 de dezembro de 1917, em Teresina, por um grupo de intelectuais, tendo à frente Lucídio Freitas. “A sessão solene do Congresso é para lembrarmos que maior patrimônio de uma sociedade é a cultura do seu povo. A APL tem uma grande história, que merece ser celebrada”, afirmou o senador Elmano Férrer.

A instituição é atualmente presidida pelo escritor e advogado Nelson Nery Costa. Hoje conta com 40 cadeiras, ocupadas por nomes importantes da cultura e literatura local.

Herculano Moraes

Durante a sessão solene, será realizada uma homenagem ao acadêmico, escritor, poeta, jornalista, analista literário, romancista e historiógrafo Herculano Moraes, que faleceu nesta quinta-feira, dia 17. Ele era o terceiro ocupante da cadeira n. 18 da Academia Piauiense de Letras e um dos pioneiros no processo de interiorização e democratização da cultura.

Morre aos 73 anos acadêmico e jornalista Herculano Moraes

Morreu nesta quinta-feira (17), aos 73 anos, o escritor Herculano Moraes. A morte foi confirmada pela Academia Piauiense de Letras (APL) no começo da noite. A APL informou ainda que a família não divulgou o local do velório e do sepultamento do escritor.

Herculano Moraes foi vereador de Teresina, secretário estadual de comunicação, diretor do Theatro 4 de Setembro, Casa Anísio Brito e do Museu Histórico do Piauí. O escritor também teve citações em inúmeras coletâneas nacionais.

OBRAS PUBLICADAS:
“Murmúrios ao Vento” (1965); “Vozes Sem Eco” (1967); “Meus Poemas Teus” (1969); “Território Bendito” (1973); “Cantigas do Amor Fundamental” ( 1974); “Seca, Enchente, Solidão” (1977); “Pregão” (1978); “Amor” (1987 e 1989); “Chão de Poetas” (1974); “A Nova Literatura Piauiense” (1976); “Visão Histórica da Literatura Piauiense”, 3 edições (1976, 1982 e 1991); “Fronteiras da Liberdade” (1981), romance; “Legendas” e outros. Foi incluído no livro “A Poesia Piauiense no Século XX” (1995), organizada por Assis Brasil e na coletânea “Piauí: Terra, História e Literatura” (1980), organizada por Francisco Miguel de Moura.
Herculano Moraes presidiu a Academia de Letras do Vale do Longá. É diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Piauí; do Sindicato dos Escritores do Piauí, da Associação Piauiense de Imprensa, do Clube do Repórter do Piauí e sócio efetivo e perpétuo-fundador da Academia de Letras da Região de Sete Cidades (ALRESC), com sede em Piracuruca/PI,  onde é diretor e exerce o cargo de 1º Secretario. É verbete do “Dicionário Biobibliográfico de Escritores Brasileiros Contemporâneos” (1988), do escritor, historiógrafo, poeta, romancista, cronista e dicionarista Adrião José Neto, nascido no município de Luiz Correia, no litoral piauiense.

Leia a nota da APL

É com profundo pesar que a Academia Piauiense de Letras, consternada com o falecimento do acadêmico Herculano Moraes, solidariza-se com os familiares e diversos amigos que nosso confrade deixa nesse plano.

Informa ainda que a família está decidindo onde ocorrerão o velório e o sepultamento.

Fonte: G1 Piauí

Felipe Mendes e Itamar Abreu disputam vaga de imortal da Academia Piauiense de Letras

A Academia Piauiense de Letras se reunirá no próximo dia 19 para eleger o novo imortal ocupante da cadeira número 24. Os dois inscritos que concorrerão à vaga deixada pelo desembargador Paulo Freitas são o ex-vice-governador Felipe Mendes de Oliveira e o médico cardiologista José Itamar Abreu.

Os candidatos serão votados pelos 39 imortais. Os acadêmicos que moram em Teresina deverão ir até a sede da APL preencher a cédula de votação. Aqueles que moram fora solicitampreviamente o envio da cédula e mandam o voto pelos Correios. Logo após o fim do horário limite, a urna é aberta e a comissão eleitoral procede a contagem dos votos. Em seguida o eleito é anunciado. O primeiro colocado deverá obter 21 votos, maioria absoluta. Caso contrário, a disputa segue para segundo turno.

O estatuto da Academia estabelece que podem se candidatar à vaga de imortal os escritores nascidos no Piauí ou comprovadamente residentes no Estado há mais de 10 anos e quem tenham ao menos uma obra literária publicada.

O desembargador Paulo Freitas, ocupante da cadeira 24, faleceu no dia 23 de janeiro do ano passado. O patrono da cadeira era Jonas de Moraes Correia. Esta é a segunda eleição destinada a ocupação da vaga. No primeiro pleito, o resultado foi empate tanto no primeiro quanto em segundo turno. Segundo o regimento interno da Academia, em caso de empate, os imortais devem se reunir novamente para uma nova eleição.

Os dois candidatos inscritos, José Itamar Abreu e Felipe Mendes de Oliveira, estão agora no processo de campanha, sensibilizando os imortais em busca do voto de cada um. O pleito é conduzido pela comissão eleitoral, que é presidida pelo imortal desembargador Nildomar da Silveira Soares. A votação acontecerá no dia 19, das 09h até as 11h30, na sede da APL.

Veja breve perfil dos candidatos

José Itamar Abreu

Formado em medicina pela Universidade Federal do Pará, tem vasta experiência na área cardíaca, tendo passado por hospitais do Pará e São Paulo. Idealizou e instalou a Academia Longaense de Letras, Cultura, História e Ecologia (IALLCHE), com sede na invicta Alto Longá, quando resgatou à posteridade a importância dos valores culturais que constituem a história vitoriosa da cidade de Nossa Senhora dos Humildes. Os seus colegas de médicos também reconheceram o valor do cardiologista José Itamar Abreu Costa quando consagraram seu nome para a vice-presidência da Academia de Medicina do Piauí, biênio 2013/14. Entre suas obras estão Um Hospital de Excelência no Céu e Coronárias do Tempo.

Felipe Mendes de Oliveira

Formado em Economia pela Universidade Federal do Ceará com pós-graduação em Consultoria Industrial junto à Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste. Sua estreia na vida pública aconteceu no governo Dirceu Arcoverde como secretário de Fazenda e depois secretário de Planejamento, mantendo este último cargo durante o governo Lucídio Portela. Pró-reitor de Planejamento da Universidade Federal do Piauí e assessor da Sudene a partir de 1983, foi eleito deputado federal e reeleito pelo PPR em 1994, foi candidato a vice-governador. Candidato a deputado estadual em 2002, obteve uma suplência. Foi secretário municipal de Planejamento e depois secretário municipal de Finanças nos dois mandatos do prefeito Sílvio Mendes em Teresina. Durante os três primeiros meses do governo Moraes Souza Filho retornou ao cargo de secretário de Planejamento e esteve à frente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Publicou as obras “A indústria de couros e peles do Nordeste”, “Estado do Piauí: metas físicas do curto prazo” e “A implantação dos sistemas de Conta Única e programação financeira no estado do Piauí – primeiros resultados”.

Acadêmico Herculano Moraes completa 73 anos e é homenageado pela academia

O jornalista, escritor e Acadêmico Herculano Moraes completou nesta quarta, 2 de maio, setenta e três anos de vida. Muitos destes anos, dedicados à literatura e à comunicação.

Homenagem da APL

Herculano Moraes recebeu homenagem ontem da Academia Piauiense de Letras, pela passagem de seu aniversário. O discurso de felicitações foi feito pelo professor e acadêmico Jônathas Nunes. O aniversariante fez o corte do bolo ao lado da esposa Nilza e das filhas. Herculano é secretário-geral da APL.

Quem é Herculano Moraes

Nasceu na cidade de São Raimundo Nonato em 1945, filho do Delegado de Polícia do Município,o sargento da PM, Herculano Moraes, e da dona de casa Olindina Carlos da Silva, ambos falecidos. Com a morte do pai quando tinha apenas seis meses de nascido, coube à família de Manoel Soares Gondim a educação do menino.

Abraçou cedo a profissão de jornalista, exercendo durante sua carreira, a função de repórter, redator e editor dos principais jornais do Piauí. Começou como repórter de polícia no Jornal A Voz do Piauí, dirigido por Turenne Ribeiro. Atuou no Jornal do Piauí, de José Vieira Chaves, e no O Liberal, de D’Anunciação Carvalho. Foi Secretário de Redação e Editorialista dos jornais O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi ainda Repórter, redator, editorialista e editor do Jornal O Dia. Atuou no Rádio, como produtor do Grande Jornal Falado A Voz da Notícia, noticioso da Rádio Clube de Teresina.

Desportista, foi Presidente do Metropol, time de futebol da juventude, e da Liga Esportiva da região sul; foi vice-Presidente do Auto Esporte e Presidente do River Atlético Clube.

Na juventude, foi Presidente do Grêmio Nilo Peçanha, da Escola Industrial de Teresina (hoje IFPI) e do Diretório Estudantil Maurício Silveira, do Colégio Paulo Ferraz. Exerceu ainda o cargo de Secretário- Geral da UPES. Autor do projeto da unificação das entidades estudantis UPES e CEP, de que resultou o Centro Colegial dos Estudantes Piauienses – CCEP, cujo nome foi de sua inspiração.

Com jornalistas e intelectuais, fundou a UBE-PI e o Círculo Literário Piauiense – CLIP, que revelaria para a literatura nomes como Hardi Filho, Francisco Miguel de Moura, José Magalhães da Costa, Osvaldo Lemos e Geraldo Borges.

Na política, foi vereador de Teresina, Secretário de Estado de Comunicação Social no Governo Lucídio Portella e Assessor Especial no Governo Mão Santa. Foi Diretor do Teatro 4 de Setembro, da Casa Anísio Brito e do Museu Histórico do Piauí. E em reconhecimento pelos relevantes serviços prestados, recebeu título de cidadania nos municípios de Barras, Campo Maior e Teresina.

Escritor, é poeta citado em inúmeras antologias nacionais. Historiador da literatura, cronista, articulista, autor de várias obras, em que se destacam Murmúrios ao Vento, Território Bendito, Meus Poemas Teus, Legendas (Poesias) Ethos (crônicas e artigos), Fronteiras da Liberdade (romance) e ainda Visão Histórica da Literatura Piauiense, livro referencial da historiografia literária, em sua 8ª edição.

Intelectual, pertence á Academia Piauiense de Letras, de que é o atual Secretário Geral, à Academia de Letras do Vale do Longá, Academia de Letras do Médio Parnaíba, Academia de Ciências do Piauí, de que foi Presidente, Academia de Letras, História e Ecologia da Região Integrada de Pastos Bons (Maranhão), Academia do Leste Maranhense, entre outras instituições no Estado e no país.

É Presidente Honorário da Academia Piauiense de Jornalismo e Presidente de Honra da Academia Piauiense de História. Padrinho da Academia Juvenil de Letras do Pro Campus, da Academia de Letras da Unidade Escolar Nossa Senhora da Paz e da Academia Campomaiorense de Letras.

Patrono da Biblioteca da Unidade Premem, de Parnaíba; e da Biblioteca do SENAC de São Raimundo Nonato. Exerce atualmente o cargo de Secretário Geral da Academia Piauiense de Letras e da Academia de Letras, História e Ecologia da Região Integrada de Pastos Bons, Maranhão.

APL lança site com ferramentas para pesquisa e loja virtual de livros piauienses

A Academia Piauiense de Letras lançará, neste sábado (28), seu novo site, com uma quantidade maior de informações e disponibilizará uma loja virtual, um espaço para a comercialização das obras literárias que a Academia vem editando ao longo do tempo. Na solenidade também serão lançadas quatro obras literárias: Memorial de um lutador obstinado, de William Palha Dias; Tarot de Marselha, de Socorro Cabral; Maria da Inglaterra em Quadrinhos, de Wilson Seraine; e Lições de Vida, de João José Bastos Lapa.

A nova versão do site da instituição (www.academiapiauiensedeletras.org.br) traz uma quantidade maior de informações e maior facilidade de navegação. Nele estão contidos a história da Academia e seus fundadores e patronos, um acervo de fotografias e vídeos de entrevistas e outros produzidos pelos próprios acadêmicos. Também serão disponibilizadas algumas obras gratuitamente, além de artigos e textos escritos pelos imortais periodicamente.

A novidade é a loja virtual. Segundo o presidente da APL, Nelson Nery Costa, a instituição vem produzindo uma grande quantidade de obras, principalmente em decorrência das comemorações do seu aniversário de 100 anos, e a loja virtual é uma alternativa para dar oportunidade de acesso ao público. “Apenas da Coleção Centenário temos mais de 100 livros publicados. É um volume grande de obras que, aos poucos, disponibilizaremos para que o público adquira através do site da Academia, de forma fácil e ágil”, explica.

O site, agora repaginado, permite ao internauta uma navegação fácil. Ele será atualizado periodicamente, tanto com conteúdo de notícias sobre as atividades da instituição quanto com conteúdo produzido pelos acadêmicos. “A internet é uma ferramenta que pode estreitar os nossos laços com o público leitor e também com quem deseja pesquisar sobre os 100 anos de história da academia. É uma ferramenta que nos mostra que temos muito do passado, mas também nos coloca no futuro”, analisa Nelson Nery Costa.

Obras

No sábado (28) também haverá o lançamento das obras Memorial de um lutador obstinado, de William Palha Dias, pela Coleção Centenário; Tarot de Marselha, de Socorro Cabral, pela Coleção Nada em Ordem; Maria da Inglaterra em Quadrinhos, de Wilson Seraine; e Lições de Vida, de João José Bastos Lapa.

A solenidade, que acontecerá às 10h no auditório localizado na sede da Academia Piauiense de Letras, contará com a presença de autores e convidados.

Dr. Nelson Nery Costa e os 100 anos da APL

Uma das mais antigas academias de letras do país faz 100 anos. Fundada em 1917, por uma  ativa geração de escritores,  a Academia Piauiense de Letras chega ao seu centenário com muito a comemorar, com destaque para a Coleção Centenário, conjunto de 135 livros (parte significativa editada), com possibilidades de edição de mais títulos, organizada em torno de obras piauienses de história, geografia, sociologia e, principalmente, literárias no sentido específico do termo. A maioria dos livros compõe-se de obras de domínio público já sem edição na atualidade; muitas, embora de relevância para se entender o Piauí, sequer eram conhecidas das gerações de hoje.

À frente da Casa de Lucídio Freitas, o escritor, professor universitário e defensor público Dr. Nelson Nery Costa, que promoveu uma revolução na instituição (a história e o tempo cuidarão de registrar isso) e que foi recentemente reeleito para gerir os destinos da entidade por mais dois anos (2018-2019), fala sobre os projetos, obstáculos e desafios da instituição, renovando as esperanças em uma literatura que, de olho no sagrado papel de preservar a memória, renova-se.

(ASCOM APL) — Nos dois anos de mandato, qual dos projetos o senhor destaca como primordial?

Ninguém representa a si próprio, mas a seu grupo social ou a sua geração, assim nada mais sou do que a expressão dos escritores que hoje compõem a Academia Piauiense de Letras.  Tive a oportunidade de ingressar na instituição relativamente cedo, com pouco mais de quarenta anos e agora como seu presidente, inicialmente por dois mandatos.  Excepcionalmente, em razão das festividades do Centenário, em 30 de dezembro de 2017, que já começaram e vão se desenvolver no próximo ano, fui eleito para mais um mandato, o terceiro.  Nos próximos dois anos, então, vamos desenvolver várias atividades, em 2018, tanto pelo Centenário da Academia, como pelo Centenário da Revista da Academia Piauiense de Letras, com o primeiro número lançado em 1918, uma das mais longevas do país, publicada até hoje.  Em 2019, fazem trinta anos da doação da sede da Academia, também motivo para mais celebração.  Talvez, nos próximos dois anos, minha missão principal seja auxiliar no desenvolvimento da cultura local.

(ASCOM APL) — Da Coleção Centenário, quantas edições faltam ser publicadas?

A Coleção Centenário tem vida própria e está traçando seus próprios caminhos.  Iniciou sem uma fixação de número, ainda na gestão do Reginaldo Miranda, mas alusiva ao Centenário da Academia Piauiense de Letras.  Depois, foi planejada por mim a edição de cem números, divididos em duas partes.  A primeira parte, com 51 obras, já foi completada; da segunda, foram lançados 30, com 8 prontas, mas não lançadas e 24 em produção.  Porém, atualmente, planejo chegar até o número 140, mas foram lançados o nº 101, Zodíado, de Da Costa e Silva, bem como o nº 132, Argila da Memória, do Clóvis Moura, pois não dá para seguir a ordem numérica, vez que os livros têm tempos diversos de produção.

(ASCOM APL) — Como foram selecionadas as obras da Coleção Centenário, quais critérios adotados?

Acredito que no início a coleção não tivesse bem um caráter, assemelhado talvez a outra importante coleção, que foi os Grandes Textos, com noves exemplares, três dos quais foram também reciclados para Coleção Centenário. No entanto, eu vejo que desde o começo passou a ter um padrão, de expor as tessituras da literatura e da pesquisa feitas no Piauí ou sobre o Piauí, como um grande calendoscópio cultural.  Assim, em torno dos escritores da própria Academia Piauiense de Letras, mas não só eles, inclusive outros bens anteriores, como Leonardo Castelo Branco e Padre Antônio Vieira, que não tiveram nada com a instituição.  Foram selecionadas as formas literárias, como poesia, contos, romances e crônicas, e as obras técnicas de história, de geografia, de sociologia ou de economia, do século XVII ao século XXI.  Os autores mais significantes tiveram mais de uma obra, como Higino Cunha, Clodoaldo Freitas e outros.  Em alguns casos, aglutinaram-se dois livros, como na obra de Renato Castelo Branco, que tem seu romance Teodoro Bicanca junto com o clássico da sociologia local A Civilização do Couro.

(ASCOM APL) — À frente da APL, qual foi o seu grande desafio?

O financeiro, sem dúvida, pois a Academia Piauiense de Letras vive em meio a muita penúria e é surpreendente que tenha sobrevido cem anos, pois do ponto de vista econômico já devia ter perecido há muito tempo, como ocorreu com inúmeras outras instituições semelhantes.  A força interior da instituição, sim, mostra-se muito poderosa e capaz de resistir a tudo, seja pela perseverança, seja pela energia positiva que dela emana.  Desse modo, tal deve ser meu principal desafio para que ela possa ter recursos e mostrar toda sua pujança com a publicação de obras, com a realização de evento e com a produção dos acadêmicos nos principais jornais e revistas do Piauí.  Com a boa vontade do Governo do Estado e da Prefeitura de Teresina, foi possível a Academia continuar a realizar seus propósitos, auxiliada ainda pela Universidade Federal do Piauí, pela Gráfica do Senado Federal e pelos recursos do Siec, além da boa vontade de muita gente.

(ASCOM APL) — O que tinha planejado fazer e não houve tempo hábil?

Faltou ligar a Academia Piauiense de Letras ao século XXI e isto só vai ser possível quando melhorar muito seu site www.academiapiauiensedeletras.org.br e quando interagir mais nas redes sociais.  Por hora, por mais relevante que seja na vida social piauiense, a instituição está muito distante das novas gerações, dos secundaristas e dos universitários, assim como das pessoas mais pobres e dos que vivem fora de Teresina.  Não foi por falta de tempo, não, foi por pura incompetência, que nem eu, nem os outros acadêmicos que tentaram me ajudar, avançamos na questão na linguagem e da tecnologia.  Espero, agora, com muita coisa andando sozinha, ter mais tempo para me dedicar ao aperfeiçoamento do site, que possamos oferecer alguns livros digitalizados em pdf para acesso ao grande público, como o nome provisório de “Livros na Rede”, alguns da Coleção Centenário, em 2018.  Por outro lado, acho necessário que a Academia participe de outras mídias, como facebook, instagram, youtube e outros meios.  Ah, apesar de não ser da responsabilidade financeira da Academia, também não houve a premiação de cem mil reais do Enéas Barros, no Concurso H. Dobal, mas vamos tentar resolver o problema, em 2018.

(ASCOM APL) — Qual a sua meta para o biênio 2018/2019?

A Academia Piauiense de Letras vai ter o incremento de despesas com o funcionamento do Museu da Cultural Literária Piauiense e com as festividades previstas para os próximos dois anos, de modo que talvez meu maior objetivo seja dar sustentabilidade financeira para a instituição.  Tentei muito e consegui bons recursos, com base na imagem da Academia, nos meus relacionamentos pessoais e também com a boa vontade de muita gente das secretarias estaduais e municipais e da Fundação Monsenhor Chaves, enfim, dos simples servidores públicos aos principais gestores.  Sinto, porém, que não foi o bastante.  É preciso que tais recursos sejam permanentes e também que a instituição possa sobreviver bem depois de concluído meu terceiro mandato, hora então de ir embora, mas gostaria de deixar a casa arrumada para o próximo Presidente da Academia.  Junto com o Prof. Fonseca Neto, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico Piauiense, pretende a Academia assumir a gestão do prédio público estadual onde funcionou o Tribunal de Contas e depois o fórum de Teresina, para transformá-lo em um centro cultural, tudo com base na revitalização da área histórica da Capital.

(ASCOM APL) — Quais projetos pretende desenvolver?

Acima de tudo, a realização das festividades alusivas ao Centenário da Academia Piauiense de Letras, com uma longa programação em andamento, como a inauguração do Museu da Cultura Literária Piauiense e da reforma de sua sede, na Av. Miguel Rosa, sul, no começo do próximo ano, e a solenidade do Centenário, no dia 24 de janeiro, data da instalação da Academia, antigo Dia do Piauí. Vai ser a reunião mais relevante, inclusive com a entrega da Medalha do Centenário, em amplo auditório. No primeiro semestre do próximo ano, continua-se a lançar obras da Coleção Centenário e da Coleção Século XXI.  Deve ocorrer o lançamento também de série especial chamada Coleção 100ANOS, inclusive com a obra do Des. Nildomar Silveira, O Livro do Centenário da Academia Piauiense de Letras, e outras reedições, como Antologia da Academia Piauiense de Letras, de Wilson Gonçalves, Os Fundadores, e, inéditos,  História da APL, de Celso Barros, e, História Piauiense: aventura, sonho e cultura, de minha autoria, com quase mil páginas, em 17 de março de 2018.  Dra. Fides Angélica Ommati está me ajudando a organizar o Seminário Piauí 2100, que tem a intenção de refletir sobre o Piauí e de como estará o mesmo no final do século XXI, em termos de desenvolvimento econômico e social, de sustentabilidade, de temperatura, e de cultura, que deve contar com palestra de encerramento do Min. João Paulo dos Reis Veloso.  Pretendemos promover concurso literário para o ensino médio e também para o ensino universitário, em poesia, conto e crônica, com premiação até setembro do próximo ano, com recursos já assegurados. Em 2018, ocorrerá também o Centenário da Revista da Academia Piauiense de Letras, com dois números previstos para o próximo ano.

(ASCOM APL) — O orçamento da cultura é baixo, como o senhor sabe por já ter presidido o Conselho Municipal de Cultura.  Qual o orçamento disponível da APL?

A Academia Piauiense de Letras tem recursos próprios da venda dos livros por ela editados e também do aluguel de imóvel na rua Álvaro Mendes, o que não é muito mas ajuda no seu custeio.  Parte do seu pessoal vem de órgãos públicos, como cedidos, e outros contratados.  A instituição também tem projetos junto a Secretaria de Estado do Governo, com o Dep. Merlong Solano, junto à Fundação Monsenhor Chaves, com o Dr. Luís Carlos, e junto ao Siec, sob a liderança do Dep. Fábio Novo, além de tentar captar com a Lei Roaunet e também junto à Fundação Roberto Marinho.  Ou seja, há muitos projetos, resultados  de negociações e de captações.   Tivemos muito auxílio do Grupo Claudino, mas hoje nossa parceira é com as Drogarias Globo. Não é fácil conseguir recursos para a cultura, mas não é impossível, pois existem muitas fontes.

(ASCOM APL) — No momento, há algumas vaga a ser preenchida?

Sim, a Cadeira nº 24 está vaga, tendo a mesma por patrono Jonas de Moraes Correia, da qual Paulo de Tarso Mello e Freitas era o quarto ocupante, tendo falecido no começo de 2017.  Para o preenchimento da referida cadeira, precisa-se de maioria absoluta, com vinte votos, dos trinta e nove com validade, o que não foi preenchido no último edital, mesmo em dois turnos, em que um candidato conseguiu muitos votos, mas não o suficiente para seu sucesso.  Assim, vai ser lançado novo edital, tão logo a nova Diretoria tome posse e que acabe o recesso do mês de janeiro de 2018; provavelmente em fevereiro próximo haja a abertura da concorrência para a Cadeira nº 24.  Espero não ter nenhuma mais até o final da gestão, pois além de dar muito trabalho é sempre triste ver a partida de um confrade.  Apesar disto, vou contar uma anedota atribuída ao Prof. Manoel Paulo Nunes, nosso grande líder ainda hoje, em que um escritor veio lhe pedir o voto para uma vaga ainda inexistente, pois ninguém tinha falecido, ao que ele respondeu – “voto, desde que não seja na minha vaga”.

(ASCOM APL) — Como está o processo de criação do Museu da Escrita?
Bem, a ideia mudou bastante, pois como  disse antes, estamos preparando a inauguração agora em janeiro do Museu da Cultura Literária Piauiense, mas com uma área sobre a escrita, inclusive com acervo que eu devo doar para o mesmo.  Teve-se que arquivar, provisoriamente, o Museu da Cultura Piauiense, no antigo Meduna e hoje em um shopping. Era previsto material interativo sobre a cultura local em todos os seus aspectos, desde a literatura, a música, a dança, o teatro, as artes visuais, o folclore e a arte popular. A ideia continua de pé e pretende-se realizá-lo ainda, em parceria com o Prefeito Firmino Filho e com o apoio do Prof. Charles Camilo.  Também está no radar, como já comentado, junto com o Instituto Histórico e Geográfico Piauiense, de promover um centro cultural na antiga sede do Tribunal de Contas do Estado, próximo do Palácio de Karnak.  As ideias são muitas, talvez falte dinheiro e tempo, mas como disse o Max Weber, “só se consegue o possível, sonhando com o impossível”.

Maria da Inglaterra ganha livro em quadrinhos desenhado pelo cartunista Jota A

Uma entrevista da cantora piauiense Maria da Inglaterra, publicada em 2002, no jornal Correio Corisco é o tema do livro Maria da Inglaterra em quadrinhos, que será lançada, nesta quinta-feira, 19 de abril, no restaurante Baião de Dois. Vários artistas da música piauiense irão se apresentar e realizar um show com entrada gratuita em prol da artista, patrimônio vivo da cultura do nosso Estado.

A ideia do livro partiu do professor Wilson Seraine, “Comprei um livro em quadrinhos de Jackson do Pandeiro, e vi que tinha outras publicações no mesmo estilo de grandes nomes da cultura paraibana, como Ariano Suassuna, João Pessoas, Augusto dos Anjos, então pensei porque não fazer também dos piauienses? Procurei o Cineas Santos, mostrei o projeto e a partir daí a história passou a ser contada. Maria da Inglaterra em quadrinhos é o primeiro volume da coleção “Gente Querida”, que irá trazer outros nomes importantes da cultura piauiense.

Com ilustrações e diagramação do cartunista Jota A, a publicação teve tiragem de mil exemplares, e sua venda será revertida em prol da cantora.

Maria da Inglaterra é um patrimônio vivo da cultura piauiense. A música “O Peru rodou” tornou-se uma das canções mais populares do Piauí. Uma figura que honra e dignifica nossa cultura. Como na canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, “Maria é um dom, uma certa magia/uma força que nos alerta…”  Longa vida à “rainha das canções do Piauí”, ensina o professor Cineas Santos no prefácio do livro.

Para mim foi uma grande honra participar desse projeto e homenagear uma figura tão interessante como Maria da Inglaterra. Já conhecia um pouco de sua música e história e durante o período que estava desenhando os quadrinhos ficava ouvindo suas músicas para absorver ao máximo suas melodias e repassar isso aos desenhos. Acho que a história da Maria daria um bom filme, pois é cheia de magia, reviravoltas, ensinamentos e personagens fantásticos” diz o cartunista Jota A.

No lançamento do livro, com entrada franca, os cantores Gonzaga Lu, Zé Roraima, Soraya Castelo Branco, Edvaldo Nascimento, Júlio Medeiros, Geraldo Brito, Lázaro do Piauí, Wagner Ribeiro e as bandas As Fulô do Sertão e  Caju Pinga Fogocantarão músicas da compositora. Maria da Inglaterra também estará presente e fará uma participação especial.

Com 78 anos, Maria da Inglaterra mora na periferia de Teresina, enfrenta muitos problemas de saúde e vive com a ajuda dos filhos e de alguns amigos. Compositora de mais de 2 mil músicas, mesmo sem saber ler e escrever, lançou seu primeiro CD em 2002, “O Peru Rodou”.

Duas das músicas desse disco foram parar no CD do projeto Rumos do Itaú Cultural, uma coletânea de músicas de 50 artistas populares brasileiros. O seu segundo disco “Alegria de Viver”, foi lançado em 2009 e teve apoio da lei de incentivo à cultura A. Tito Filho. Neste disco se destaca a música “Baião do Cajueiro”, “Pancada da Ponte” e “Piripiri”.

O estilo adotado para o disco foi bem variado indo do xote ao samba, recebe um apoio dos músicos Júlio Medeiros (baixo), Geraldo Brito (violão), Anderson Nóbrega (violão) e Jeová (zabumba). Com a participação de Lázaro do Piauí e de João Claudio Moreno.

180graus

Livro do Acadêmico faz inventário de obras do Piauí

“Engenharia Piauiense” é o novo livro do engenheiro civil, professor e escritor Cid de Castro Dias. A obra foi lançada sábado passado, na Academia Piauiense de Letras, com apresentação do próprio autor, que fez um inventário das principais obras públicas construídas no Piauí desde José Antônio Saraiva, o fundador de Teresina.

Cid Dias, membro da APL, explicou que seu livro mostra uma visão panorâmica sobre a engenharia piauiense a partir da década de 1850, quando Saraiva, presidente da Província, implantou os primeiros prédios públicos de Teresina, a nova capital, objetivando abrigar a máquina governamental que se deslocara de Oeiras.

Cid Dias apresenta seu novo livro na APL
Cid Dias apresenta seu novo livro na APL

“Através dos relatórios dos Presidentes da Província, vamos viajar no tempo, visitando o canteiro de obras dessas edificações, acompanhar seu dia a dia e entrar em contato com obras que se arrastam por longo tempo”, ressalta.

O autor informa ainda que, de posse de um manancial de informações colhidas ao longo de anos, teve a ideia de disponibilizar aos interessados esse elenco de obras abrangendo prédios públicos, pontes, barragens, viadutos, galerias, praças, avenidas e estradas.

Muito bem documentado com rico acervo de imagens, o livro, apesar de técnico, se torna de leitura fácil e atraente. Em suas páginas estão parte significativa de quase dois séculos da história do Piauí.

O autor

Com 76 anos, Cid de Castro Dias tem uma longa experiência profissional. Ele formou-se em engenharia em 1968 e desde o início de sua carreira acompanha de perto, como técnico e pesquisador, as obras realizadas no Piauí nos últimos 50 anos.

Ele é autor de várias obras ligadas à historiografia piauiense, entre elas “Os caminhos do Rio Parnaíba” e “Piauí – Projetos Estruturantes”.

Na mesma solenidade, foram lançadas mais duas obras da “Coleção Século XXI”, da Academia Piauiense de Letras: “Educação no Piauí – 1880-1930”, da historiadora, professora e acadêmica Teresinha Queiroz, e “Viagens para fim de ida”, da professora e advogada Maria Magalhães.

Fonte: Zózimo Tavares – APL

APL ganha reforma e Museu da Cultura Literária Piauiense

Diversas personalidades foram homenageadas na manhã deste sábado (10/03) pela Academia Piauiense de Letras, que em 2018 comemora seu centenário. Durante o evento foi também inaugurado o Museu da Cultura Literária Piauiense, oferecendo à sociedade mais um espaço de cultura e pesquisa sobre a história do estado.

“Estamos homenageando pessoas que têm colaborado para a cultura e com a própria academia. Mostrando que estes somatório de forças podem emergir a cultura do Piauí, sejam de órgãos públicos ou aqueles que trabalham com cultura e literatura”, comentou Nelson Nery Costa, presidente da instituição.

O museu instalado na sede da academia reúne quadros, fotografias, obras literárias antigas, além de objetos pessoais pertencentes a imortais que foram membros da entidade.

A solenidade marcou ainda o lançamento de obras escritas por dois dos maiores intelectuais da atualidade: Assis Brasil (O Prestígio do Diabo) e Manoel Paulo Nunes (Modernismo & Vanguarda), que fazem parte da Coleção Centenário.

Representando o governador Wellington Dias (PT) – que seria homenageado, mas cancelou presença em cima da hora -, o deputado estadual e secretário de Cultura, Fábio Novo, destacou a parceria com a APL, que possibilitou a reforma da sede da academia, hoje completamente estruturada.

“Acho que estamos vivendo momento especial da cultura do Piauí, da literatura em especial”, comemora Nelson Nery ao tratar das diversas editoras hoje atuando no estado com importantes publicações, seja resgatando autores ou no surgimento de novos nomes, e destaca o gás e toda vitalidade para seguir por mais 100 anos de academia.

Além do secretário Fábio Novo, também foram agraciados com a Medalha do Centenário personalidades como Assis Brasil, o empresário Jesus Elias Tajra, o desembargador Luiz Gonzaga Brandão de Carvalho, os colunistas sociais Nelito Marques e Rivanildo Feitosa, o jornalista Carlos Said, o empresário Sergisnando Alencar, dentre outros.

Da solenidade participaram ainda, dentre outros, nomes como o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Piauí, Chico Lucas, o desembargador Edvaldo Moura, e o secretário de Comunicação da prefeitura de Teresina, Fernando Said.

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Confira os registros da solenidade que celebrou o centenário da APL

Aconteceu na noite da última quarta-feira a solenidade que celebrou o Centenário da Academia de Letras do Piauí, movimentando a semana de eventos de Teresina. O Cine Teatro da Assembleia Legislativa foi o ambiente ideal para comemoração, com entrega de medalhas e o lançamento do livro “Centenário da Academia Piauiense”, do desembargador Nildomar de Silveira Soares. O presidente da APL, Nelson Nery, conduziu as cerimônias. Veja os clicks by Inside do evento! Fotos: Tácio Baptista e Magal

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