Maria do SOCORRO Rios MAGALHÃES

(1954). Quinta e Atual Ocupante da Cadeira nº 6 da APL. 

Nasceu em Teresina – Piauí, em 1 de junho de 1954. Filha de Joaquim Ribeiro Magalhães e Maria Alzira Rios Nogueira Magalhães. Casada com Francisco de Vasconcelos Melo. Mãe de dois filhos: Pedro Henrique Magalhães Craveiro de Melo e Flávia Magalhães Craveiro de Melo. Graduou-se em Letras pela Universidade Federal do Piauí, em 1977. Cursou mestrado em Letras, área de concentração em Teoria da Literatura, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e Doutorado também, em Letras pela mesma instituição em 1997. Sua tese de doutorado tem o título de Horizonte de leitura e crítica literária: a recepção da literatura piauiense no período de 1900 a 1930.

Na Universidade Federal do Piauí foi professora do Curso de Licenciatura Plena em Letras e foi docente do Mestrado em Educação e ainda colaboradora do Mestrado em Letras da referida universidade.

Exerceu várias funções e ocupou diversos cargos na área de educação e cultura, tais como professora de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental e Ensino Médio em instituições como: Colégio São Francisco de Sales – Diocesano; Liceu Piauiense e Instituto de Educação, Chefe do Departamento de Letras da Universidade Federal do Piauí, Coordenadora Operacional do Curso de Mestrado Interinstitucional em Letras da Universidade Federal do Piauí em convênio com a PUC do Rio Grande do Sul, Secretária Adjunta de Educação do Município de Teresina, Membro do Conselho Municipal de Cultura de Teresina.

Publicou vários livros na área de estudos literários, como, por exemplo, Literatura Piauiense: horizontes de leitura e crítica literária; Vem comigo, leitor: a pedagogia de leitura em Quincas FAFI Borba; Um manicaca: romance- manifesto do positivismo no Piauí; O curso de Letras da UFPI: um fio da FAFI. Tem também artigos publicados em várias revistas científicas do Piauí e de outros Estados: Clodoaldo Freitas: um romance inacabado?; Lima Barreto e os piauienses do seu tempo; O papel do intelectual e a condição feminina em Um manicaca de Abdias Neves; Literatura piauiense: a formação de leitores e a emergência da crítica. Brasil; A lenda do Cabeça de Cuia: estrutura narrativa e formação dos sentidos, entre outros.

Universidade Estadual do Piauí, onde atuou no Programa de Mestrado em Letras e no Núcleo de Educação a distância como coordenadora de Produção de Materiais Didáticos.

Fonte: MAGALHÃES, Maria do Socorro Rios. Literatura Piauiense: horizonte de leitura e crítica literária (1900-1930). 2ª ed. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2016, Coleção Centenário nº 92.
——
Fonte: Antologia da Academia Piauiense de Letras./ Wilson Carvalho Gonçalves. – Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2018.-470 p. (Coleção 100 ANOS)

OTON Mário LUSTOSA Torres

(1957). Terceiro e Atual Ocupante da Cadeira nº 5 da APL. 

(Parnaguá-PI, 1957). Magistrado e escritor. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Piauí, 1983. O Magistrado. Juiz de Direito nas comarcas Itautíra, Regeneração, Simplícío Mendes e Oeiras. Atualmente, é Juiz de Direito de 4ª Entrância da Comarca de Parnaíba. Bibliografia. Meia-Vida, 1999; Petições e Sentenças, 1989; Ações Possessórías, 1990; e Da Propriedade imóvel, 1996. Pertence à Academia Piauiense de Letras.

Excerto do seu discurso pronunciado por ocasião de sua posse na Academia Piauiense de Letras cadeira nº 5.

Um grande piauiense, político de grande valor, que serviu abnegadamente ao seu Estado e ao seu povo, renomado profissional da ciência de Hipócrates, dá nome à cadeira número 05. Areolino Antônio de Abreu! Nome de rua movimentada desta capital; nome do maior hospital psiquiátrico de nossa querida Teresina. É o nome que figura na viva lembrança do povo e que está presente nos compêndios da História do Piauí. Teresinense de nascimento, aqui viveu, aqui dedicou toda a sua vida de trabalho.

Médico písíquiatra do mais refinado zelo e de fulgurante visão do futuro. Valeu-se da política partidária para laborar em prol do povo, da saúde do povo. Fez-se deputado, vice-governador e governador do Estado. Fundou o Asilo dos Alienados de Teresina que anos mais tarde veio a se transformar no atual Hospital Psiquiátrico “Areolino de Abreu”. Jornalista e escritor. Enfim, um grande piauiense! Por isso, com muita justiça e com muita honra, regozija-se a Academia Piauiense de Letras em ter Areolino Antônio de Abreu como patrono de uma de suas cadeiras, a de númer cinco.

Fonte: LUSTOSA, Oton. Meia-Vida – Romance. 2ª ed. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2016, Coleção Centenário nº 70.

WILSON Nunes BRANDÃO

(1960). Quinto e Atual Ocupante da Cadeira nº 4 da APL.

É natural do Rio de Janeiro. Nasceu em 14 de agosto de 1960, filho de Wilson de Andrade Brandão e Maria de Lourdes Leal Nunes de Andrade Brandão. É formado em Direito, Engenharia Elétrica e Licenciatura Plena em História, com especializações em línguas – Francês e Inglês. Profissionalmente, já exerceu os seguintes cargos; Secretário de Governo, Governo Wilson Martins – 2011/2014, Secretário de Estado de Justiça e da Cidadania, Governo Hugo Napoleão – 2001/2003, Secretário de Estado de Projetos Especiais, Governo Freitas Neto 1993/1994 e Líder do Governo Wilson Martins – Atualmente, exerce o sétimo mandato como Deputado Estadual. Pertence ao quadro de servidores da Eletrobras como Engenheiro Eletricista. Membro efetivo da Academia Piauiense de Letras, ocupante da cadeira nº 4. Publicou as seguintes obras: Mitos e legendas da Política Piauiense (2006) e Mitos e Legendas da Política Piauiense

  • 2ª Edição Revista e Ampliada (2015). Articulista do Jornal “Diário do Povo”. Pesquisador do Arquivo Público – Casa Anísio

Trecho extraído do discurso de posse do Acadêmico:

Em 1897, Machado de Assis, iniciou seu discurso na Academia Brasileira de Letras, proclamando: “Não é preciso definir esta instituição. O vosso desejo é conservar a unidade literária. Tal obra exige, não só a compreensão pública, mas ainda e principalmente a vossa constância. A Academia Francesa, pela qual essa se modelou, sobrevive aos acontecimentos de toda casta, às escolas literárias e às transformações civis. A vossa há de querer ter as mesmas feições de estabilidade e progresso. Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles os transmitam também aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira”. A Academia Piauiense de Letras reflete ao longo de sua existência quase secular, as sábias e precisas palavras de Machado de Assis.

Início o discurso de posse na Academia Piauiense de Letras, cumprindo, em primeiro lugar, o meu ofício de gratidão e de renovação à minha profissão de amor à educação e à cultura do meu Estado – o Piauí.

Gratidão pela acolhida e pela generosidade das senhoras e dos senhores acadêmicos, que sufragaram meu nome para assumir a cadeira 04 deste sodalício, fundado em 30 de dezembro de 1917, permitindo-me desfrutar dos debates, das tendências e dos valores da cultura piauiense, brasileira e mundial, em ambiente tão seleto e comprometido com essa causa.

A cadeira que ora assumo foi ocupada por homens ilustres e atores importantes de nossa cultura, a começar pelo seu patrono, David Moreira Caldas, professor, jornalista, promotor público, deputado provincial, abolicionista e defensor dos ideais republicanos; Jônatas Baptista, um dos fundadores desta Academia e de vários jornais e revistas, poeta, incentivador da vida teatral em Teresina, tendo sido autor de diversas peças; Mário José Baptista, formado na tradicional Faculdade de Direito do Recife, professor de História do Liceu Piauiense, professor catedrático de economia política e diretor da Faculdade de Direito do Piauí, Procurador Geral de Justiça, jornalista, historiador e geógrafo; Fernando Lopes e Silva Sobrinho, desembargador, juiz de direito no Ceará e no Piauí, professor da Faculdade de Direito do Piauí e, o último ocupante, William Palha Dias, filho do longínquo município de Caracol, juiz de direito em Oeiras e nas minhas duas terras, Regeneração e Pedro II, professor, romancista, contista, tendo retratado com perfeição o homem do semiárido, as suas angústias e o seu sofrimento. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí. Autor de muitas obras, dentre elas, “Endoema” “Vila de Jurema”, “Mulher Dama Sinhá Madama”, “Os Irmãos Quixaba” e “Marcas do Destino”. Na comemoração de seus 90 anos de idade, o acadêmico Oton Lustosa proferiu em sessão solene: “Aprendeu a ler quando já tinha consciência prática da vida dura do sertão, em lombo de burro a mercadejar por ínvios caminhos e longas distâncias, às voltas com jumentos, cangalhas e bruacas, como aprendiz de tropeiro e imitação de mascate. Aos vinte anos estreou em sala de aula para o exame de admissão. Já casado, prosseguiu nos estudos, formou-se advogado e se fez julgador. Peticionou e sentenciou a valer, proclamando o Direito Positivo, em homenagem e em observância estrita à lei. Arguto observador da vida, se fez intérprete do fato social, por outra via, sem as amarras dos artigos, dos parágrafos e das alíneas legais, mas através da prosa ficcional, que é a reinvenção da realidade mundana. Leitor voraz, habituou-se aos livros, ao ponto de passar a escrevê- los… Atreveu-se a interpretar a vida sertaneja, nordestina, bem-brasileira, feita de lutas, paixões, dinheiro, fé e política. …Toda a sua prosa é o porto seco, por isso mesmo muito seguro. Narra as experiências da vida, por isso tão verossímil é a sua prosa, rica de linguagem regionalista e culta a um só tempo, onde o gosto pela singularidade da frase resulta evidente, sem sair no coloquial sertanejo, mas, também, sem subir às alturas nevoentas do pedantismo obsoleto”, conclui Oton Lustosa. Sinto- me, pois, honrado, em suceder a tão representativas figuras do mundo intelectual do nosso estado.

Além dos já citados, a Academia Piauiense de Letras, uma instituição sólida e respeitada, tem nos seus membros, verdadeiros sacertodes da cultura. Historiadores, poetas, juristas renomados, críticos literários, romancistas, jornalistas, todos, imbuídos dos mais fervorosos interesses em fazer e em divulgar a riqueza e a inteligência do povo piauiense. É nesse meio que passo a viver e a conviver para, associado aos que já realizam essa grande obra, poder também dar minha contribuição, quer escrevendo livros ou artigos, quer valorizando o belo e importante trabalho desenvolvido pela Academia.

O imortal Marcos Villaça, em seu discurso de posse na Presidência da Academia Brasileira de Letras fez a seguinte afirmação: “A Academia deve propor e liderar um sistema básico de referência para compreensão e valorização da cultura brasileira. Fazê-lo não a partir de uma concepção restritiva de cultura, mas de um conceito dela amplamente antropológico: abarcando todo o pensar, o agir, o fazer humano, quando motivado por valores. Fazê-lo não a partir de uma visão da cultura como coisa “morta”, escrava ou apenas testemunha do passado, mas a partir de uma visão dinâmica da cultura, de uma cultura “viva”, libertadora, integrativa. Deve, sim, nutrir-se do passado, porém avançar criativamente para um novo futuro. Por meio dele pode produzir-se uma síntese harmoniosa de nossa diversidade de nossos contextos culturais específicos, até mesmo dos paradoxos de nossa cultura”.

Jesualdo Cavalcanti Barros

(1940). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 3 da APL. 

Nasceu em Corrente (PI), a 18 de fevereiro de 1940, sendo filho de Sebastião de Souza Barros e Iracema Cavalcanti Barros (falecidos). Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Piauí, é casado com Maria do Socorro Rocha Cavalcanti Barros, professora aposentada da UFPI. Filhos: Jesualdo Filho, in memoriam (engenheiro civil, bacharel em direito, auditor de controle externo do Tribunal de Contas da União), Juliana (médica, mestra em pediatria, professora do Curso de Medicina da Unipam, especialista em pediatria, pneumologia e alergia) e Marina (bacharela em direito, mestra em direito constitucional e juíza federal).

Em 1962 foi eleito vereador de Teresina, quando liderou a bancada do PTB na Câmara, tendo perdido o mandato com a eclosão do movimento militar de 1964.

Foi Secretário de Cultura, Desportos e Turismo e Presidente da Fundação Cultural do Piauí (1983/1986).

Eleito deputado estadual em 1978 e 1982, deputado federal constituinte em 1986 e novamente deputado estadual em 1990. Presidiu a Assembleia Legislativa no biênio 1991/1993.

Eleito conselheiro do Tribunal de Contas do Piauí, exerceu a presidência da Corte em dois mandatos (1995/1998).

Aposentado em 2002 para dedicar-se à pesquisa histórica, é autor dos livros Tempo de Cultura, Estado do Gurgueia e Outros Temas, Tempo de Tribunal, Notícia do Gurgueia, Dicionário Enciclopédico do Gurgueia, Gurgueia – Espaço, Tempo e Sociedade, Tempo de Contar, Memória dos Confins e Sertões de Bacharéis. Membro da Academia Piauiense de Letras (2010), ocupa a cadeira nº 03.

Foi agraciado com as seguintes comendas: Ordem do Mérito Renascença do Piauí (Governo do Piauí), Colar do Mérito Judiciário do Piauí (Tribunal de Justiça), Medalha Conselheiro Saraiva (Prefeitura de Teresina), Medalha do Mérito Legislativo do Piauí (Assembléia Legislativa), Medalha do Mérito Legislativo de Teresina (Câmara Municipal de Teresina), Medalha do Mérito “Lucídio Freitas” (Academia Piauiense de Letras), Medalha do Mérito Cultural “Da Costa e Silva” (Governo do Piauí), Medalha Visconde da Parnaíba (Instituto Histórico de Oeiras), Medalha do Mérito Militar (Polícia Militar do Piauí), Medalha da Associação dos Magistrados Piauienses, Medalha da Associação Piauiense do Ministério Público, Placa da Associação Nacional do Ministério Público junto aos Tribunais de Contas, Medalha Heróis do Jenipapo (Campo Maior), Medalha do Mérito “Agrônomo Francisco Parentes” (Prefeitura Municipal de Floriano), Medalha do Mérito “Domingos Fonseca” (Associação dos Violeiros), Comenda do Mérito Municipalista da Associação Piauiense de Municípios-APPM, Medalha da Ordem do Mérito Cultural Wall Ferraz (Governo do Estado), Medalha da Ordem Piauiense do Mérito Judiciário do Trabalho (TRT da 22ª Região), Colar do Mérito do Tribunal de Contas do Estado do Piauí, Diploma do Mérito Comunitário (Câmara Municipal de Teresina) e Diploma do Mérito Jornalístico (Sindicato dos Jornalistas do Estado do Piauí).

É cidadão honorário dos municípios de Amarante, Cabeceiras do Piauí, Cristino Castro, Gilbués, Júlio Borges, Pedro II, Simões e Teresina.

Em 2012 foi eleito prefeito de Corrente, sua terra natal, exercendo o mandato de 2013 a 2016.

JONATHAS de Barros NUNES

(1934). Quarto e Atual Ocupante da Cadeira nº 2 da APL. 

(Jerumenha-PI, 05-06-1934). Militar. Professor e político. Bacharel em Física pela Universidade Federal de Brasília, em 1968. PhD em Física pela Universidade de Londres, em 1973. Bacharel em Direito pela

Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1964. Curso Superior da Academia Militar das Agulhas Negras, 1957. O Professor. Reitor da Universidade Estadual do Piauí. Ex-pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Rural do Rio de Janeiro. O Político. Deputado Federal pelo Estado do Piauí, na legislatura 1983-1987. Vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Bibliografia. Entre as publicações do professor Jônatas de Barros Nunes, destacam-se: Notas de Física, 1993, Editora da UFPI; Massive Spin Two Fields and General Relativity (PhD Thesis, Unio of London), 1973; Manual de Experiências com material caseiro, co-autoria, 1993, Editora da UFPI; Maia Helena: farol de olhos azuis, 2008; Jônathas, com a palavra, 2009; 1964: o DNA da conspiração, (Lançamento em edição nacional pela TV Globo) 2009; A Moça da Igreja e o Homem da Rosa Vermelha, (Lançamento pela APL e ACIPI) 2016.

Pertence à Academia Piauiense de Letras nº 02. Em 2008, tomou posse solene como Titular Vitalício da Academia de Ciências do Piauí. Desde 2013 ocupa a presidência da Academia de Ciências do Piauí, tendo sido reeleito para o triênio 2016/2018.

Uma exaltação a Zumbi

20 de Novembro
Dia Nacional da Consciência Negra
Homenagem a Zumbi dos Palmares

ORAÇÃO SEM VERBO

Palmeiras. Palmares. Quilombo. Zumbi! Quilombo de Palmares. Zumbi dos Palmares!
Afrodiáspora longa e penosa. Travessia do Atlântico Sul. Poemas épicos de Castro Alves, o cantor dos escravos: NAVIO NEGREIRO E VOZES D’ÁFRICA.
Os limites da condição humana!
Porões dos navios negreiros: o Getsémani da nação africana. Porões do sofrimento, da tortura e do desespero, mais do que os porões das ditaduras.

Princesa Aqualtune, avó de Zumbi: Rainha em seu próprio país e escrava aqui no Brasil.
Ganga Zumba, tio de Zumbi, construtor dos mocambos do Quilombo dos Palmares.
Invocações a Ofurum, evocações a Exu. Heróis boje no Orum: Mártires da raça negra.
Seguidores de Zumbi: mundo aqui e mundo afora!
Afroabolicíonista professor José do Patrocínio, Luiz Gama e Elisa Larkím. Mestre Guerreiro Ramos.
Luiza Mahín, mãe do negro libertário Luiz Gama, líder da revolta dos malês em 1835, na Bahia: desterro, exilio na África, sem direito ao próprio filho.
Nzinga – mulher angolana – heroína da luta de seu povo contra o colonizador português em sua própria terra – Angola; mãe da guerra dos negros angolanos em Luanda: mentora e autora das táticas de guerrilha do Reino Negro de Palmares, na serra da Barriga, entre Alagoas e Pernambuco.

Seguidores de Zumbi, mundo afora: hoje como ontem, combatentes na linha de frente da consciência negra:

  • Agostinho Neto e Eduardo dos Santos em Angola;
  • Martin Luther King, nos Estados Unidos;
  • Julius Nyerere, na Tanzânia;
  • Samora Machel, de saudosíssima memória, e Joaquim Chissano, em Moçambique;
  • Leopoldo Sedar Senghor, e seu Senegal, com “suas jovens das bocas maisfrescas que limões”;
  • Patrice Lumumba, líder máximo da nação africana congolesa, AmílcarCabral, fundador do PAIGG, na Guiné Bissau e Cabo Verde, vítimas indefesas desequestro e trucidamento, em seus próprios países, por agentes do imperialismo;
  • Robert Mugabe, na Rodésia, hoje Zimbabue;
  • Nelson Mandela, na África do Sul;
  • Sam Nujoma, na Namíbia;
  • Nanny, mulher jamaicana, quarenta anos de luta nas montanhas da Jamaica contra o colonizador inglês;
  • Abdias Nascimento – fundador do Memorial Zumbi no Rio de Janeiro;
  • Kwame Nkrumah em Gana, Samori Tourê e Sekou Tourê, na Guiné; ZUMBI, 300 anos atrás: a cabeça como troféu ao publico no Recife!

Vítima de seus próprios sonhos libertários!
Vítima de um carrasco ou assassino oficial da época: seu nome – Domingos Jorge Velho.
Brasil de Zumbi! A nação nagô em chamas!
Caldeamento de tantas etnias: balantes, manjagos e mandingos da Guiné Bissau, tsongas, changoneses, mianjas, macuas e macondes de Moçambique, uolofs e tuculés, xosas e sesotos, quimbundus, ovambos e bacongos de Angola, kalungas de Angola e do Congo.

África – terras d’África – vozes d’África: Angola e Dahomé, Niassa e Nampula, Zambézia Cabinda e Huambo, Huila, Benguela e Lubango, Guiné Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Terras de Moçambique, e também Nigéria, Serra Leoa, Gabão, Gana, Guiné, o Congo, Madagáscar, a ilha do amor.

Carnaval carioca, conquista máxima da cultura afrobrasileira, – maravilha da cultura contemporânea universal.

Patrimônio cultural do Continente Negro no Brasil.

Fonte de inspiração perene da alma e da cultura popular brasileira. Relíquia da presença negra no Brasil nestes últimos trezentos anos.

ÁFRICA NO BRASIL!

África das bruxarias, da magia negra, dos animismos, dos fetiches, das danças ritmadas e cheias de vida, do culto dos fantasmas, os vudus, a túnica dos yorubás, dos terreiros de candomblé, das capoeiras e dos maculelês, dos Oguns e dos Oloduns, de Egum e dos Vodus, dos búzios e dos tarois, dos vatapás e dos acarajés, dos fubás e da tapioca, do cuscuz e do mucunzá, bumbas e zabumbas, das congas e das congadas, de Yansã das lembarengas e aluvaiás, de Xangô e do Pai Oxalá, dos abarás, do carurú e dos aluás, de Exú e Oxóssi, Oxumaré e Orixás, das festas de Yemanjá, dos Axés do sangue, Axés da nação nagô, dos babalorixás, djumbais, quizumbas, atabaques e berimbaus.

Angola, capital luanda. Ainda que só por um dia, Brasil, capital Zumbi!

Fonte: NUNES, Jonathas de Barros. A Moça da Igreja e o Homem da Rosa Vermelha. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2016, Coleção Centenário nº 99.

Antônio FONSECA dos Santos NETO

Fonseca Neto

(1953). Sexto e Atual Ocupante da Cadeira nº 1 da APL. 

Professor. Advogado. Nasceu no dia 16 de fevereiro de 1953, na cidade de Passagem Franca, Estado do Maranhão, à rua Joaquim Távora, também chamada de Rua Grande. Sua mãe, Itelvina Fonseca dos Santos

(de São Francisco, antiga Passagem Franca, vizinha amarantina do Piauí) e seu pai, João Alves dos Santos (de São João dos Patos, também antiga Passagem Franca). Migrou para Teresina no final do ano de 1969, onde completou a Escola básica, realizou o ensino médio e cursos de graduação universitária. Pós-graduação fez em Minas Gerais (Especialização), Teresina (Mestrado) e São Luís, MA (Doutorado). É docente universitário, em cuja condição dedica-se à pesquisa e estudos na área de Humanidades, ou como se queira chamar as Ciências do Homem. Sua contribuição mais ilustrativa é no campo da Historiografia. Sua obra publicada encontra-se em diverso suporte escriturístico, especialmente em revistas e livros de sua especialização profissional relacionada aos estudos históricos e às Ciências Sociais. Tem textos publicados em coluna semanal há 22 anos no Jornal Diário do Povo, de Teresina, e há sete anos, coluna quinzenal/mensal na Revista Cidade Verde, também de Teresina. Colabora sistematicamente nos jornais Folha Franca, de Passagem Franca, e no jornal Pastos Bons, de Pastos Bons-MA. De sua coordenação e autoria a obra colaborativa Teresina 150 anos, 2002 – em segunda edição ampliada, Teresina 160 anos, 2012: Memória das Passagens, 2006; Histórias do Padre Vicente, 2010; Jenipapo, riacho irrigado em sangue da Esperança, 2010; Sertanias, 2017. Como Dissertação de Mestrado a obra A invenção da UFPI, sua formação e interfaces com as estruturas de poder no Piauí, 1998, e como Tese de Doutorado, a obra A pátina do tempo: a política pública do Patrimônio Histórico em São Luís do Maranhão, 2014. Enquanto labor e inserção intelectual relacionados ao mundo das Letras, na UFPI, exerceu diversas funções: coordenador do curso de História, chefe do Departamento de História, Diretor do CCHL (Centro de Ciências Humanas e Letras) por oito anos. Pertence ao Departamento de História e é membro docente pleno do Programa de Pós-Graduação e Curso de Mestrado em Gestão Pública. Conselheiro do Conselho Estadual de Educação do Piauí (2004 a 2016); Conselheiro Universitário, e Conselheiro Editorial, na UFPI, além da CPPD, e na Uespi, como Conselheiro Universitário, oferecendo a essas colegialidades a elaboração de centenas de pareceres e outras notas.

Vida intelectual e de militância cultural mais geral: diretor do grêmios estudantis secundarista em Colinas, MA, e em Teresina; presidente do Diretório Central dos Estudantes (UFPI); Diretor do Sindicato dos Professores Públicos do Piauí (Apep-sindicato). Membro Titular da Cadeira nº 1 da Academia Piauiense de Letras, e também membro titular da Academia de Letras, História e Ecologia de Pastos Bons (Cadeira 11). Titular da Cadeira 52 da Academia de Ciências do Piauí. É atualmente o presidente do Instituto Histórico e Geográfico Piauiense (e nessa condição sócio adido do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Também sócio honorário do Instituo Histórico de Oeiras, PI, pela titularidade da Medalha Visconde da Parnaíba, e da Academia Caxiense de Letras. Sócio efetivo da Sociedade União Artística Operária e Agrícola Passagense e da Sociedade Recreativa 10 de Janeiro.

É titular dos seguintes títulos e honrarias: Medalha da Ordem Renascença do Piauí, no grau de Comendador; Medalha Estadual do Mérito Cultural Wall Ferraz; Cidadão Piauiense; Medalha do Mérito Heróis do Jenipapo, da cidade de Campo Maior. Medalha do Mérito do Tricentenário de Valério Coelho Rodrigues, no grau de comendador.

É casado com Dirce Maria Magalhães dos Santos, tem três filhos (Petra Paula, Talya Carolina e Jean Victor) e dois netos, Henrique Fonseca Aires e Miguel Fonseca Aires.

Fonte: SANTOS NETO, Antônio Fonseca. Sertanias. 2ª ed. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2016, Coleção Centenário nº 21.

FIDES ANGÉLICA de Castro Veloso Mendes Ommati

Fides Angélica

(1945). Terceira e Atual Ocupante da Cadeira nº 40 da APL.

Professora, advogada, jurista, conferencista e escritora. Nasceu em Floriano, Estado do Piauí (1945). Formada em Direito pela Universidade Federal do Piauí (1969). Licenciatura em Letras (1963). Curso de Especialização e Metodologia do Ensino Superior (1975). Mestrado em Direito Público pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1978). Procuradora do Estado do Piauí. Conselheira e Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Piauí. Professora Catedrática da Fundação Universidade Federal do Piauí. Pertence à Academia Piauiense de Letras e à Academia Piauiense de Letras Jurídicas. Bibliografia. A professora Fides Angélica publicou um precioso acervo de obras, entre as quais destacamos: Manual Elementar de Direito Judiciário; Estudos de Direito Público Comparado, 1977; Estudos Sobre a Constituição Brasileira de 1924, À Luz das Ideias Políticas, 1969; Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado, 1977, e As Constituições Piauienses, 1988, em co-autoria com José Eduardo Pereira. Honrarias. Medalha do Mérito Conselheiro José Antônio Saraiva (1988); Medalha Sobral Pinto, concedida pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (1992), e Medalha do Mérito Timbira do Trabalho, grau de Oficial, concedida pelo Tribunal Regional do Trabalho.

Fragmentos do seu discurso de posse na Academia Piauiense de Letras:

“Confunde-me o exame da grandiosa obra do patrono da cadeira que hoje passo a ocupar, o poeta MÁRIO FAUSTINO DOS SANTOS E SILVA.

Esse piauiense de Teresina, que aqui iniciou seus estudos dando-lhes continuidade em Belém e no Rio de Janeiro, foi um irrequieto na sua formação contínua, seu espírito criativo e a sua angústia interior.

A vida curta não o impediu, entretanto, de construir uma obra poética de valor incontestável e de firmar-se como um renovador e um movimentador do ambiente da poesia nacional.

É despiciendo indagar se foi ele maior como poeta ou como crítico literário, em sua experiência no Suplemento Literário do Jornal do Brasil, por quase três anos. Certo é que ambas as atividades se confundiram, na aplicação de método crítico, de investigação e de criação simultâneas.

Mário Faustino foi fiel ao seu projeto de docência, que se constituiu profissão de fé na vocação do poeta e da poesia para criar mitos e, através destes, influir no meio social.

Aliás, para ele, a poesia encena múltiplas valências: ensinar, comover e deleitar, tendo alcance ético para o poeta e para o leitor. Para o poeta, é a poesia fator de ordenação pessoal, ao conferir unidade à existência dividida por antagonismos. Para o leitor, é fonte de conhecimento e interage com ele.

De outra parte, a poesia tem função ativa e passiva, na sociedade em que se insere o poeta. Age sobre o povo e a língua. Sobre o povo, dando-lhe consciência de sua história e propiciando-lhe conteúdo ideológico e utópico. Sobre a língua, assegurando-lhe vitalidade e capacidade de renovação. O papel social ativo da poesia depende da abertura do poeta para o mundo. Mais, depende de sua capacidade de, amealhando conhecimentos de filosofia e ciência, ter uma consciência crítica de seu ofício.

Na sua concepção poética do mundo, Mário Faustino elegeu como pressuposto a divinização da palavra. O verbo não apenas é forma de expressão de pensamento e sentimento, senão a substância mesma que se confunde com a realidade e age sobre esta, transformando-a.

O mundo incorpora-se às palavras, e tudo que é pensado e visto é dito, de modo que o mundo é dado através da linguagem.

Assim, o poeta, que deve dizer as coisas, dá a significação destas, que muitas vezes não a possuem, mas passam a ser realidade na expressão da poesia.

Essa concepção é resumida em uma de suas mais conhecidas e expressivas poesias: Vida Toda Linguagem.

VIDA TODA LINGUAGEM

Vida toda linguagem,
frase perfeita sempre, talvez verso, geralmente sem qualquer adjetivo,
coluna sem ornamento, geralmente partida. Vida toda linguagem,
há entretanto um verbo, um verbo sempre, e um nome aqui, ali, assegurando a perfeição
eterna do período, talvez verso, talvez interjetivo, verso, verso. Vida toda linguagem,
feto sugando em língua compassiva
o sangue que criança espalhará – oh metáfora ativa!
leite jorrado em fonte adolescente, sêmen de homens maduros, verbo, verbo.
Vida toda linguagem,
bem o conhecem velhos que repetem, contra negras janelas, cintilantes imagens que lhes estrelam turvas trajetórias.
Vida toda linguagem – como todos sabemos
conjugar esses verbos, nomear esses nomes:
amar, fazer, destruir
homem, mulher e besta, diabo e anjo e deus talvez, e nada.
Vida toda linguagem, vida sempre perfeita,
imperfeitos somente os vocábulos mortos
com que um homem jovem, nos terraços do inverno, contra a chuva, tenta fazê-la eterna – como se lhe faltasse
outra, imortal sintaxe à vida que é perfeita língua
eterna.

O poema de Mário Faustino é vivo, porque existe unidade entre a palavra e
Mais que seu poema-vida, Mário Faustino conseguiu deixar viva a sua arte
e seu esforço pela renovação da arte poética, em nosso país.
Ao concluir interessante e profunda análise da obra do notável crítico e poeta, dele afirmou Benedito Nunes:

Mestre, no sentido poundiano da palavra, que cultivou e aperfeiçoou formas herdadas de tradição, inventor de formas novas e flexíveis, dentro das quais pôde preservar e desenvolver as antigas, Mário Faustino não só ajudou a renovar a poesia brasileira, como também procurou fazer com que outros, tão jovens como ele, participassem dessa renovação. (A poesia de Mário Faustino, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, p. 34)

Sua vida, arrebatada violentamente, no auge de sua produção intelectual, aos 32 anos, foi muito curta, mas sua arte se prolonga, marcando seu lugar de destaque no Piauí e no Brasil.”

Fonte: Revista da Academia Piauiense de Letras – 52 – ANO LXXVII, 1994.
OMMATI, Fides Angélica da Costa Veloso Mendes. Presença do Tempo. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 2018, Coleção Centenário nº 108.