Antônio Chaves
Fonte: Assessoria | Publicado em: 27/12/2011

Antonio Chaves era um teresinense típico, tendo nascido nesta cidade em 1882.

Encetou todos os seus estudos em Teresina, começando a trabalhar desde cedo. Ao falecer exercia “um alto cargo na vida pública”, conforme consta no obituário publicado no Diário Oficial do Estado(23.02.1938).

Dedicando-se às musas desde a mocidade, estreou em livro no ano de 1907, aos 25 anos de idade, com o volume de versos Almas Irmãs, em parceria com os também poetas Celso Pinheiro e Zito Baptista. Dois anos depois dá à publicidade um opúsculo de versos intitulado Poemas de Mágoas(1909). Todavia, consolidou seu nome na literatura somente em 1916, com a publicação de Nebulosas, obra bastante apreciada pela crítica. Desde então continuou a compor poesias, porém sem mais lançar livros, deixando-as inéditas umas e outras esparsas em jornais da época.

Na imprensa, Antonio Chaves militou desde cedo, colaborando nos jornais Arrebol, Alvorada e Correio de Teresina. Por algum tempo, dirigiu o Diário do Piauí.
Conferencista dos mais aplaudidos, proferiu diversas conferências sobre temas variados. Em 1917, foram realizadas em Teresina diversas conferências sobre a Guerra, tendo Antonio Chaves proferido uma intitulada “Amor à Pátria”(13.12.1917). Nesse mesmo ano, consagrado como poeta, Antonio Chaves participa da fundação da Academia Piauiense de Letras, tomando assento na cadeira n.º 8.

Antonio Chaves foi casado com dona Maria José Neves Chaves(D. Zezé), parenta de Abdias Neves, e que lhe sobreviveu. Faleceu às 19h30 do dia 22.02.1938, com 55 anos de idade, em sua residência situada à Rua 13 de Maio, centro de Teresina, vítima de um insulto apoplético, depois de alguns dias prostrado. Deixou três filhos, conforme informações da época: a) Zulma Chaves, escriturária da Diretoria da Fazenda; b) Maria Ligia, concludente do Liceu Piauiense; e, c) Osvaldo Chaves, acadêmico de agronomia em Piracicaba(SP). Restava-lhe ainda uma irmã, dona Bilu Chaves, que também lhe sobreviveu.

O poeta Antonio Chaves era também um homem prático, conforme testemunhou Celso Pinheiro, servindo “a família, à sociedade, ao serviço público e às letras” (Revista da APL n.º, 17, 1938).

Discursando à beira de seu túmulo, em nome da Academia Piauiense de Letras, lembrou o referido poeta Celso Pinheiro:
“O senso prático te não abandonou jamais às vicissitudes da vida. Foste um destemido e um forte, pela bravura com que lutaste com os gladiadores terrenos. A formiga, em ti, não obstante a sisudez e o utilitarismo, senão importunou com a bonomia da cigarra. Antes, o contrário, completavam-se, integravam-se, admiravelmente, que vale a pena uma colherinha de sonho à chávena da vida...

‘Ademais, só quando a formiga repousava sobre o seixo das fadigas, é que a cigarra estendia, no teclado das tuas cismas, os seus cadernos de música. O sono da primeira tornava-se assim mais doce e mais profundo sob o acalentamento da última. Após haver esgotado os amavios da noite, o teu trabalho era mais eficiente e seguro, mais límpidos os teus cuidados, mais harmoniosas e justas as tuas aspirações. (...).

‘Não foste dos que, como eu, se esquecem das agruras da fome, por ouvir os acordes trêmulos da flauta. As tuas horas de enlevo sugeriam ramas enfloradas sobre o velho muro sombrio da previdência. Semeaste sonhos e colheste realidades. Foste encantador e foste austero” (Revista da APL n.º 17 ,1938).

“Alma sensível à harmonia misteriosa da poesia, Antonio Chaves, apesar da dispersão do seu espírito, realizou entre nós uma apreciável obra de arte, cujos encantos e cujas vibrações perpassam agora evocativamente em nossa imaginação como um raro perfume que se evola num ambiente de melancolia e recordação.

‘Os seus versos de forma irrepreensível e de tocante inspiração, aí estão e estarão para falar do vate magnífico que os burilou na oficina privilegiada da inteligência e da concepção” (D.O.E, 22.02.1938).

Poeta, jornalista, conferencista, polemista, orador, Antonio Chaves deixou de si uma memória honrosa. Fazemos nossas as palavras do acadêmico Celso Pinheiro, à borda de seu túmulo: “Nós, os da Academia, nós te saudamos no limiar da morte, sem temores e sem susto. Nós, os teus irmãos de sonho e de quimera, como o fizemos outrora ao nosso irmão maior, o Cristo, como o fizemos à santa dos poetas, a encantadora Teresinha de Lisieux, nós te saudamos, iniciado da glória, inclinando sobre o teu corpo as chamas de nós mesmos, como um testemunho de imortalidade, sob o áureo pendão azulescente dos céus...”(Op. cit).


 

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